A Copa do Mundo de 1954, realizada na Suíça, é um marco na história do futebol, carregando consigo uma narrativa fascinante e repleta de controvérsias. Entre os protagonistas dessa história, a Coreia do Sul se destacou por sua primeira participação em Mundiais, uma jornada que se tornaria emblemática, especialmente após a goleada sofrida para o Brasil em 2025. No entanto, um aspecto curioso dessa história é o suposto uso de ‘doping de ginseng’ por parte da seleção sul-coreana, uma lenda que persiste até os dias atuais.
Conforme revelado por estudos e investigações ao longo dos anos, a narrativa do ‘doping de ginseng’ é, na verdade, um folclore que desmistifica a realidade enfrentada pela equipe sul-coreana. A verdade é que a seleção passou por um verdadeiro calvário logístico antes de estrear na Copa do Mundo. Após uma árdua batalha nas eliminatórias, a equipe garantiu uma vaga histórica ao superar o Japão, tornando-se uma das primeiras seleções asiáticas a chegar à fase final do torneio.
Entretanto, a jornada até a Suíça foi marcada por desafios imensos. Os jogadores enfrentaram cerca de 46 horas de voo, chegando ao país europeu apenas dez horas antes do apito inicial de sua primeira partida. O desgaste físico e emocional foi evidente, e em campo, o resultado foi devastador. No dia 17 de junho de 1954, a seleção sul-coreana enfrentou a poderosa Hungria, comandada pelo lendário Ferenc Puskás, e sofreu uma goleada histórica de 9 a 0 em Zurique. Relatos da época indicam que quatro atletas desmaiaram durante a partida, um claro reflexo da exaustão extrema.
O pesadelo continuou na partida seguinte, em 20 de junho, quando a equipe foi derrotada por 7 a 0 pela Turquia, encerrando sua participação na Copa com 16 gols sofridos e nenhum marcado. Apesar da desastrosa performance, a lenda do ‘doping de ginseng’ continuou a ser alimentada, possivelmente impulsionada pela forte associação cultural da Coreia com essa planta. Historiadores do esporte sugerem que essas narrativas podem ter sido retroprojetadas após um escândalo real que ocorreu na Copa do Mundo Feminina de 2011, quando jogadoras da Coreia do Norte foram pegas em um caso de doping alegando uso de um ‘remédio tradicional’.
“Não existe qualquer evidência, relatório médico ou estudo que comprove o uso de substâncias proibidas pela seleção sul-coreana em 1954. O que realmente aconteceu foi uma equipe pioneira que enfrentou adversidades e, apesar de tudo, abriu portas para o futebol asiático no cenário mundial”, afirmam especialistas.
Portanto, a história da Coreia do Sul na Copa de 1954 é, acima de tudo, um legado de superação e resiliência, e não de trapaça. Ao desmistificar essa narrativa, celebramos o verdadeiro espírito esportivo e a luta de um time que, apesar das adversidades, deixou sua marca na história do futebol mundial.
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