Foto: Agência Brasil/EBC — uso em caráter informativo.
Federação Paulista e a Liga F da Espanha anunciaram cooperação para internacionalizar e fortalecer o futebol feminino em São Paulo. O acordo prevê formação técnica e administrativa e troca de experiências.
A Federação Paulista de Futebol (FPF) e a Liga F, principal competição feminina de clubes da Espanha, anunciaram, nesta quarta-feira (26), uma cooperação institucional voltada ao fortalecimento e ao desenvolvimento do futebol feminino em São Paulo e no cenário internacional. O acordo foi oficializado durante o evento Dia F: Legado e Futuro do Futebol Feminino, realizado na sede da FPF, na capital paulista.
Desenvolvimento
Segundo as entidades, a parceria foi assinada com o objetivo de promover a internacionalização do futebol feminino, oferecer formação técnica e administrativa, desenvolver projetos de impacto social e fomentar a arbitragem feminina. O acordo prevê ainda a realização de cursos, pesquisas e visitas técnicas, além da construção de iniciativas conjuntas e do intercâmbio entre profissionais das duas instituições.
“A FPF já possui uma parceria de longa data com La Liga, da Espanha, que contribui muito com o futebol paulista, mas sentíamos a necessidade de falar mais sobre futebol feminino. Queremos fazer uma imersão sobre futebol feminino e impulsionar ainda mais”, disse o presidente da FPF, Reinaldo Carneiro Bastos.
Na cerimônia, participaram as lideranças das duas entidades, entre elas o presidente da FPF e a presidente da Liga F, Beatriz Álvarez. A representante da competição espanhola destacou o caráter de troca do convênio e valorizou o interesse da federação paulista no processo de profissionalização desenvolvido na Espanha.
“Para a Liga F, é um enorme orgulho que uma instituição da dimensão e do prestígio da Federação Paulista tenha se interessado pelo nosso processo de profissionalização, pela nossa estrutura e pelo nosso modelo de governança”, disse Beatriz Álvarez. “Mas esta relação não consiste em a Liga F vir ao Brasil para ensinar um modelo. Viemos para compartilhar. E viemos também para aprender.”
Expansão e voz das jogadoras
O evento também contou com a participação de Miraildes Maciel Mota, conhecida como Formiga, que defendeu a expansão do futebol feminino para além das capitais e ressaltou a importância do investimento nas categorias de base. Formiga enfatizou a necessidade de descentralizar a formação para que meninas em diferentes estados tenham acesso a treinos e estrutura adequados.
“Precisamos sair das sedes”, afirmou.
Formiga, ex-jogadora da Seleção Brasileira de Futebol, foi destacada durante o encontro por seu histórico: atuando como volante e meia, é a futebolista com mais participações em Copas do Mundo, tendo disputado sete edições do torneio; além disso, foi duas vezes vice-campeã olímpica e uma vez vice-campeã mundial de futebol feminino.
“Outros clubes precisam aderir à ideia do futebol feminino, saber que futebol feminino hoje, sim, é realidade. Precisamos espalhar o que está acontecendo hoje [em São Paulo]”, disse Formiga durante o evento.
“Que a Federação Paulista possa servir de exemplo, de espelho, para que possamos cada vez mais manter essas meninas em seus estados, mais tempo com suas famílias. E, quando elas forem migrar para um outro estado, que elas possam estar preparadas; quando forem para a Seleção Brasileira, que possam estar preparadas”, ressaltou a ex-jogadora.
Nos pronunciamentos, também foi destacada a importância de integrar o trabalho entre as categorias masculinas e femininas, ampliar parcerias e assegurar continuidade e segurança ao percurso das atletas desde a base até o alto rendimento.
“Que possamos cada vez mais ter interação entre o futebol feminino e o masculino, e um trabalho de base, que é muito necessário. E que cada vez mais tenhamos parceiros que acreditem nessa evolução, nesses projetos, porque [o futebol] muda vidas”, afirmou Formiga.
Contexto e histórico
A FPF mantém desde 2016 uma estrutura exclusiva para o futebol feminino, tendo sido a primeira entidade nacional a criar um departamento dedicado à modalidade. A federação também é pioneira na organização de competições de base para meninas, movimento frequentemente citado como referência para outras unidades da federação que buscam ampliar suas próprias estruturas e calendários.
O convênio com a Liga F aparece em um momento em que há maior atenção à profissionalização das competições femininas no mundo e discussões sobre a necessidade de continuidade dos projetos formativos. O acordo assinado em São Paulo tende a favorecer intercâmbios técnicos e administrativos, possibilitando que métodos de governança, organização de calendário e práticas de gestão sejam compartilhados entre as instituições, sem que uma parte imponha modelo fechado à outra.
Para o futebol paulista, está em jogo a consolidação de uma referência regional que possa servir de exemplo para outras federações no país — especialmente no que diz respeito à criação de departamentos específicos, formação de árbitras e estruturação de categorias de base femininas.
Fecho e próximo passo
O acordo entre FPF e Liga F prevê a materialização de ações conjuntas, como cursos, pesquisas e visitas técnicas, além do intercâmbio de profissionais. O acompanhamento das ações que sairão do papel será o próximo passo da história: ficará por conta das duas entidades transformar o protocolo de intenção em programas práticos que gerem vagas, formação e melhoria de infraestrutura para jogadoras em São Paulo e, potencialmente, para outros estados.
A evolução dessa parceria e os resultados das primeiras iniciativas conjuntas serão pontos a serem observados no calendário do futebol feminino nos próximos meses, com atenção especial para as mudanças que possam impactar a formação de atletas e a capacitação de árbitras e gestores na modalidade.
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