Foto: Divulgação — uso em caráter informativo.
A saída de Mbappé da Nike para a suíça On sacode o mercado de patrocínios individuais. Acordos com CR7 e Messi viraram ativos: contratos vitalícios, participações societárias e linhas de produtos bilionárias.
O mercado de patrocínios individuais no futebol ganhou mais um capítulo com a decisão de Kylian Mbappé de deixar a Nike após quase duas décadas e se tornar um dos rostos da entrada da suíça On no futebol. Ao longo das últimas décadas, acordos celebrados entre atletas e fabricantes de material esportivo movimentaram cifras que mudaram a relação entre jogadores, marcas e consumidores.
Esses vínculos não se limitaram a simples fornecimento de chuteiras ou equipamentos: alguns tornaram-se contratos vitaisícios, envolveram participações societárias, linhas de produtos próprias e projeções bilionárias que, quando divulgadas pela imprensa, passaram a marcar a dimensão comercial do futebol moderno. É preciso cautela ao tratar das cifras: raramente jogadores e empresas divulgaram todos os termos, e muitos números conhecidos são estimativas publicadas por veículos de imprensa.
Principais contratos individuais citados
- David Beckham — Adidas (2003): na época foi reportado um possível acordo vitalício avaliado em US$ 160,8 milhões, com cerca de US$ 80 milhões pagos inicialmente e participação em receitas de produtos associados ao jogador. A Adidas, porém, negou naquele momento a negociação de um novo contrato vitalício.
- Cristiano Ronaldo — Nike (2016): em 2016 o português assinou um vínculo descrito como vitalício com a Nike. O valor que se tornou mais conhecido foi de até US$ 1 bilhão, número que representa uma projeção de longo prazo e não foi detalhado publicamente pela empresa como uma quantia entregue de uma só vez.
- Lionel Messi — Adidas (2017): poucos meses depois foi anunciada uma extensão considerada vitalícia do vínculo de Messi com a Adidas, marca que já o acompanhava desde 2006. Valores oficiais não foram divulgados; estimativas colocaram a remuneração anual do argentino acima de US$ 12 milhões.
- Neymar — Puma (setembro de 2020): após cerca de 15 anos ligado à Nike, Neymar acertou com a Puma em setembro de 2020. Relatos da época apontaram o contrato entre os mais valiosos do futebol em termos de remuneração anual.
- Kylian Mbappé — On (data não detalhada na matéria): Mbappé decidiu deixar a Nike após quase duas décadas e passou a integrar a estratégia da suíça On no futebol. A chegada do jogador foi apresentada como um possível marco para a entrada da marca em um novo modelo de associação com atletas.
Além dos exemplos que se destacaram na imprensa, o setor lidou historicamente com formas variadas de remuneração: contratos vitalícios, pagamentos anuais, bônus por performance, royalties sobre produtos e participações societárias. Essa multiplicidade de formatos torna qualquer comparação direta entre acordos imperfeita, e explica por que valores públicos são muitas vezes projeções e não cifras totalmente confirmadas por fabricantes ou atletas.
Desenvolvimento e dados concretos
Os casos mencionados repercutiram internacionalmente por combinar imagem global dos jogadores com estratégias comerciais de longo prazo das marcas. No caso de Beckham, os números publicados em 2003 — US$ 160,8 milhões indicados pela imprensa e cerca de US$ 80 milhões supostamente pagos inicialmente — foram suficientes para consolidar uma narrativa sobre a transformação do jogador em marca global, ainda que a própria Adidas tivesse negado negociações naquele momento.
O acordo atribuído a Cristiano Ronaldo em 2016, frequentemente citado como de até US$ 1 bilhão, serviu também para projetar o potencial de linhas próprias (como a CR7) e vendas globais compatíveis com contratos de grande escala. Já Messi, ao anunciar em 2017 a extensão com a Adidas, teve estimativas de remuneração anual que ultrapassaram US$ 12 milhões, segundo reportagens ao longo dos anos — novamente sem divulgação oficial e com variações nas projeções.
Quando Neymar trocou a Nike pela Puma em setembro de 2020, tratou-se de uma das mudanças mais comentadas do período, com reportes na imprensa situando o contrato entre os mais valiosos do futebol em termos de remuneração anual. A entrada de Mbappé na estratégia da On adicionou um elemento novo: uma marca suíça com presença forte em corrida e equipamentos que buscava ampliar a atuação no futebol por meio de um dos atletas mais visíveis do esporte.
Contexto que a matéria original não detalhou
Do ponto de vista comercial, esses contratos são parte de uma disputa mais ampla por exposição de marca, controle de linhas de merchandising e fatias do mercado de varejo esportivo. Marcas estabelecidas como Nike, Adidas e Puma buscaram, historicamente, associar-se às maiores estrelas para garantir não apenas vendas imediatas de produtos, mas também penetração cultural e legitimidade junto a diferentes públicos.
O que está em jogo quando um superstar muda de fornecedora não é só a cifra do contrato individual: há impacto sobre licenciamento, coleções temáticas, campanhas globais e até decisões de parceiros comerciais e de mídia. A entrada de uma marca menos associada ao futebol, como a On, usando Mbappé como rosto, pode indicar uma tentativa de reposicionamento estratégico no segmento, forçando concorrentes a reavaliar investimento e abordagem de mercado.
Para clubes e ligas, a presença de atletas com grandes contratos de patrocínio individual também tem implicações. A projeção de imagem desses jogadores alimenta vendas de camisas, bilheteria e audiência, elementos que, por sua vez, retroalimentam o valor comercial das parcerias entre marcas e o ecossistema do futebol.
Fecho: próximo passo da história
O desdobramento mais imediato a ser observado será se fabricantes e representantes dos atletas passarão a divulgar mais detalhes contratuais ou se as cifras continuarão majoritariamente na esfera das estimativas jornalísticas. A evolução do caso Mbappé e a atuação da On no futebol serão indicadores importantes para entender se haverá um novo modelo de associação entre marcas emergentes e estrelas estabelecidas.
Enquanto isso, a dinâmica entre contratos vitalícios, remunerações anuais, bônus e participações societárias seguirá moldando a narrativa comercial do futebol, com impactos que vão além do consumo de produtos e alcançam decisões estratégicas de mercado, licenciamento e construção de imagem dos atletas em escala global.
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