Foto: Imago — uso em caráter informativo.
Clube divulga levantamento que aponta discrepância nas punições: segundo o estudo, Vinícius precisa sofrer 16 faltas para que o adversário leve cartão. A diretoria exige mais proteção ao atacante.
O Real Madrid voltou a elevar o tom de críticas contra a arbitragem em relação ao tratamento dispensado a Vinícius Júnior, apontando discrepâncias estatísticas e lances recentes que, segundo o clube, evidenciam dois pesos e duas medidas na maneira como faltas e punições são aplicadas ao atacante brasileiro.
Desenvolvimento
O incômodo merengue ganhou força após levantamento que compara, numericamente, as reações dos árbitros a faltas sofridas por Vinícius e por outros jovens jogadores de destaque. Segundo os números citados, Vinícius precisa sofrer 16 faltas para que o adversário receba um cartão amarelo, enquanto Lamine Yamal teria de sofrer apenas três faltas para que seu marcador seja advertido. Na comparação por cartões vermelhos, o estudo aponta que o brasileiro necessitaria de 68 faltas graves sofridas para que um rival fosse expulso, ao passo que para o jogador do Barcelona bastariam 11 faltas.
Um dos episódios usados pelo clube para ilustrar essa percepção aconteceu na estreia do Real Madrid em LaLiga, contra o Espanyol. Aos três minutos de partida, Alex Calatrava, com a bola fora de jogo, desferiu um chute na região lombar de Vinícius. O lance não teve qualquer consequência disciplinar: o atleta que agrediu não foi punido com cartão. Após a partida, o meia argumentou que era um lance normal e que tentou chutar a bola, alegando não ter percebido que ela não estava mais em jogo.
Na mesma partida contra o Espanyol, Vinícius foi o jogador que mais sofreu faltas, com oito infrações sofridas, um padrão que se repetiu em outras rodadas. De acordo com o levantamento citado, desde a temporada 2019/20 o atacante tornou-se o jogador que mais sofreu faltas na competição nacional, com um total de 489 faltas recebidas.
Champions League e contrastes na aplicação das regras
O levantamento também destaca que a Champions League adota um critério distinto quando se trata da severidade das punições: na competição continental, observa-se que marcadores de Vinícius e de Lamine Yamal recebem cartão amarelo a cada três faltas cometidas. Essa diferença entre as competições alimenta o argumento do Real Madrid de que há inconsistência no padrão de atuação da arbitragem.
Com base nessa percepção, o clube da capital tem se queixado publicamente da forma como os árbitros têm relevado faltas contra o brasileiro, argumentando que a reação dos oficiais independe de Vinícius ser ou não o protagonista da partida e denunciando um tratamento considerado injusto.
Desde o primeiro minuto, é como se já houvesse um roteiro. ‘Agora eu bato, agora você bate’, um sai com cartão amarelo, outro entra sem… Estamos na era social de combate ao bullying mas, com o Vini, ainda estamos na era do bullying
A declaração acima foi proferida pelo próprio técnico José Mourinho ao comentar a abordagem que, em sua visão, o atacante sofre em campo. A fala tem sido utilizada como respaldo para a posição do clube de que é preciso maior uniformidade nas decisões dos árbitros.
Contexto esportivo: atuação e resultado mais recente
Em paralelo às discussões sobre arbitragem, o Real Madrid apresentou atuação destacada em sua partida mais recente no Campeonato Espanhol. No dia 26/08/2026, no Santiago Bernabéu, o clube venceu a Real Sociedad por 4 a 1. Kylian Mbappé marcou três gols — um hat-trick — e abriu o placar aos 40 minutos; quatro minutos depois, Luka Sucic deixou tudo igual ao aproveitar uma bola que o Real não conseguiu afastar. Além de Mbappé, Vinícius Jr. também balançou as redes na vitória. Com o resultado, o time chegou aos seis pontos, acumulando duas vitórias em duas rodadas e alinhando-se no topo da tabela com Sevilla e Bétis.
O triunfo em casa, válido pela segunda rodada de LaLiga, ocorre em um momento em que o clube tenta conciliar a busca por resultados esportivos com a agenda de pressão institucional sobre a arbitragem. A combinação entre episódios isolados em campo e dados estatísticos tem servido de base para a campanha interna de visibilidade do tema.
O que está em jogo
Além da discussão sobre a proteção ao jogador e a coerência dos critérios dos árbitros, o caso envolve fatores práticos na condução das partidas: se Vinícius sofre um volume muito alto de faltas sem que haja coerência na punição dos agressores, isso pode influenciar a dinâmica dos jogos e a integridade física do atleta. Para o Real Madrid, a uniformidade nas decisões é apresentada como desejável tanto para a segurança dos jogadores como para a justiça competitiva.
Do ponto de vista esportivo imediato, a temporada segue com atenção às próximas rodadas de LaLiga e aos confrontos continentais, onde, segundo os números citados, a atuação da arbitragem parece mais rigorosa no que toca à punição de faltas contra protagonistas ofensivos.
Fecho: próximos passos na história
O Real Madrid insiste em continuar denunciando o que considera um tratamento desigual, e a polêmica deverá acompanhar as próximas rodadas do campeonato. A evolução do caso dependerá tanto de novos episódios em campo quanto da repercussão dentro das instâncias que regulam e fiscalizam a arbitragem. Para além das declarações e dos números, o próximo capítulo será escrito pelos árbitros em campo e pelas reações formais que o clube – e eventuais entidades competentes – decidirem adotar nas semanas seguintes.


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