Foto: Globo — uso em caráter informativo.
Corinthians visita o Estudiantes nesta quarta, às 21h30, em La Plata pela Libertadores. O clube argentino chega com mudanças institucionais e financeiras conduzidas pelo presidente Juan Sebastián Verón.
O Corinthians se prepara para enfrentar o Estudiantes nas quartas de final da Conmebol Libertadores, num duelo marcado para nesta quarta-feira, 9 de setembro, às 21h30 (de Brasília), no estádio Jorge Luis Hirschi, em La Plata. Além do embate em campo, o confronto chama atenção pela presença de Juan Sebastián Verón como presidente do clube argentino e pelo papel que ele vem desempenhando nas transformações institucionais e financeiras do Estudiantes.
Verón, ídolo como jogador e figura central na vida do clube, assumiu a presidência do Estudiantes em 2014, poucos meses após encerrar a carreira no próprio clube onde foi revelado. Sua gestão foi marcada inicialmente pela necessidade de sanar problemas econômicos e concluir a reconstrução do estádio Jorge Luis Hirschi, obra iniciada em 2005. A modernização da arena foi entregue em novembro de 2019, depois de anos em que a equipe utilizou principalmente o estádio Único de La Plata.
Na trajetória administrativa, Verón conseguiu gerar sucessivos superávits que permitiram a conclusão da obra e reorganizar as finanças. Reeleito em 2017, ele deixou a presidência em 2021 para assumir a vice-presidência ao lado de Martín Gorostegui, retornando ao cargo em 2024 em um cenário distinto: estádio pronto, contas mais equilibradas e o clube vindo de um título nacional.
Dentro de campo, a nova fase que assistiu desde 2024 se tornou mais vitoriosa do que as passagens anteriores. Sob a gestão do grupo político no qual Verón integra, o clube conquistou troféus recentes, entre eles a Copa da Liga 2024, o Trofeo de Campeones 2024, o Torneo Clausura 2025 e novamente o Trofeo de Campeones 2025. Somando a Copa Argentina de 2023, conquistada quando Verón era vice-presidente, o comando acumulou cinco títulos no período mencionado.
Transformação institucional e investimentos
Além das melhorias físicas e do resultado esportivo, Verón tem sido uma voz ativa no debate sobre permitir investimentos privados no futebol argentino. A transformação de clubes em Sociedades Anônimas Desportivas (SAD) — equivalente às SAFs em outros países — ganhou novo fôlego após um decreto do presidente Javier Milei que abriu caminho para esse modelo. Verón defende que o futebol possa receber capital privado sem que o clube perca sua natureza associativa, propondo um sistema onde o social e o empresarial coexistam.
“Queremos crescer, e o sistema do futebol argentino está esgotado. Há muito tempo não oferece oportunidades: as receitas dos direitos de transmissão televisiva estão diminuindo, os patrocínios estão escassos e os prêmios em dinheiro são muito baixos. E é nisso que nos apoiamos, além da venda ocasional de jogadores. Dessa forma, só temos o suficiente para manter os outros esportes e não conseguimos desenvolver o futebol, que é o nosso principal esporte.”
Na busca por capital externo, o Estudiantes apresentou um projeto de investimento com participação do empresário norte-americano Foster Gillett. O aporte prometido chegava a US$ 150 milhões, quantia que seria capaz de aumentar o poder de investimento do clube frente às maiores forças do país. Em operações concretas, Gillett desembolsou US$ 15 milhões para pagar a multa rescisória do meio-campista Cristian Medina, hoje no Botafogo, e também concedeu um empréstimo de US$ 9,7 milhões. Ainda assim, o investimento maior inicialmente anunciado nunca se concretizou por completo.
“O investimento privado não mata a paixão. O equilíbrio é fundamental. Não acho que quem investe dinheiro seja indiferente. Pelo contrário, pode impulsionar o crescimento do clube. A Argentina poderia ter um sistema único onde o social e o empresarial coexistam. Mas é complexo, porque aqui vivemos sempre nos extremos.”
O que está em jogo e o pano de fundo esportivo
Em termos esportivos, a partida de nesta quarta-feira vale a vaga nas semifinais da Conmebol Libertadores: o vencedor do confronto entre Estudiantes e Corinthians avançará na competição continental. A série de quartas de final reúne clubes com ambições continentais e entra num calendário apertado de compromissos, em uma noite de futebol que também terá partidas importantes em campeonatos internacionais e clubes brasileiros em campo nesta data.
Para o Estudiantes, jogar no Jorge Luis Hirschi representa usar a arena entregue nos últimos anos como trunfo esportivo e simbólico. Para o Corinthians, a partida em La Plata significa enfrentar um clube que misturou recuperação financeira, obras e títulos recentes sob a influência de sua direção, além de conviver com debates institucionais que mexem com o futuro do futebol argentino.
Do ponto de vista político-institucional, a continuidade do debate sobre SADs e investimentos externos segue como pauta relevante. A experiência do Estudiantes serve como caso de estudo: houve reorganização financeira, entrega de infraestrutura e ganhos esportivos, mas também frustrações no que diz respeito a aportes prometidos. O prato cheio para a discussão passa a ser se essas iniciativas podem ser replicadas sem abrir mão da identidade associativa tradicional dos clubes do país.
Próximo passo
Na dimensão imediata, o próximo passo é o confronto em La Plata, marcado para nesta quarta-feira, 9 de setembro, às 21h30 (de Brasília). O desfecho do duelo definirá quem segue na Libertadores e alimentará os desdobramentos esportivos da temporada. Fora das quatro linhas, a agenda de decisões sobre modelos de financiamento e a possibilidade de novos investimentos seguirá em pauta, com Verón mantendo papel de destaque no debate público e institucional. A evolução dessas negociações e o desempenho do Estudiantes na Libertadores serão capítulos a serem acompanhados nas próximas semanas.

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