Foto: Divulgação — uso em caráter informativo.
Pesquisa de Fred Figueiroa e Cassio Zirpoli lista clubes com maior número de títulos em um mesmo torneio. O Brasil aparece com 10 times, reflexo da força dos estaduais; destaque para o ABC, com 57 conquistas.
Um levantamento apresentado em programa esportivo colocou na pauta a hegemonia de clubes que mais vezes venceram a mesma competição ao longo da história. A lista reúne 20 clubes e revela que o Brasil domina boa parte do quadro: 10 dos 20 times são brasileiros, influenciados em grande medida pela longa tradição dos campeonatos estaduais.
Dados e números que justificam o debate
O ranking foi conduzido por Fred Figueiroa e Cassio Zirpoli, que selecionaram os clubes com maior quantidade de títulos obtidos dentro de um mesmo torneio. Entre os exemplos brasileiros destacados estão o ABC, com 57 conquistas do Campeonato Potiguar; o Bahia, que chegou a 52 títulos do Campeonato Baiano em 2026; e o Paysandu, com 51 Campeonatos Paraenses. Outro case nacional citado foi o Atlético-MG, com 50 títulos do Campeonato Mineiro.
O levantamento também lembra hegemonias fora do Brasil: na Escócia, a rivalidade histórica entre Celtic e Rangers aparece com números muito próximos após a temporada 2025/26, com o Celtic alcançando 56 campeonatos escoceses ante 55 do Rangers. No Uruguai, Nacional e Peñarol são mencionados como exemplos clássicos de hegemonia regional.
O programa provocou questões sobre como comparar essas marcas: deve um título estadual ter o mesmo peso de um título nacional? A longevidade das competições torna o número mais expressivo? E por que tantos clubes brasileiros aparecem nas primeiras posições? Essas perguntas servem de fio condutor para analisar as diferenças estruturais entre mercados e calendários nacionais.
Por que o Brasil aparece tanto na lista
A presença de dez clubes brasileiros entre os 20 maiores vencedores quando o critério é repetir conquistas numa mesma competição está diretamente ligada à história dos campeonatos estaduais no país. Muitos desses torneios têm mais de um século de existência e foram, por longos períodos, o principal palco do futebol local antes da consolidação dos campeonatos nacionais.
No Nordeste, por exemplo, clubes tradicionais construíram hegemonias regionais sustentadas por décadas. O ABC, do Rio Grande do Norte, é citado no levantamento como um dos maiores símbolos dessa dinâmica, com suas 57 taças do estadual potiguar. A repetição de temporadas ao longo do tempo cria acumulações numéricas que, quando comparadas a ligas nacionais ou a campeonatos de outros formatos, elevam a participação brasileira na lista.
Além da história, fatores como o maior número de edições de certos estaduais, diferenças de investimento e concentração de forças locais ajudam a explicar por que tantos clubes do país aparecem no topo do ranking.
Exemplo recente que ilustra o cenário estadual
Como sinal de como o futebol estadual segue vivo e produz capítulos inéditos, uma competição de divisões estaduais teve campeão inédito recentemente. No sábado (19), o Atlético-AC conquistou o título da Série B do Campeonato Acreano ao vencer o Plácido de Castro por 3 a 0, no Estádio Tonicão, em Rio Branco. O triunfo do Galo Carijó colocou o clube como o nono campeão diferente da competição na era do futebol profissional. O histórico local também registra títulos de equipes como o Andirá, campeão em 2011 e 2015, mostrando que os estaduais continuam sendo ambientes de afirmação e renovação para clubes menores.
Esse episódio do Acre confirma que, mesmo fora dos estados com maior visibilidade nacional, os torneios regionais mantêm relevância e capacidade de gerar narrativas e estatísticas que, em alguns rankings, ganham peso significativo.
Contexto e debate sobre comparações
O ranking coloca em destaque uma discussão que é antiga entre comentaristas e torcedores: a comparabilidade entre competições. Um título estadual vencido por dezenas de edições consecutivas reflete domínio dentro de um contexto geográfico e histórico específico, enquanto um título nacional costuma enfrentar adversários mais diversos e calendários distintos. A própria longevidade das competições estaduais — muitas realizadas de forma ininterrupta por décadas — influi diretamente no acúmulo de títulos.
Outra questão relevante é a dinâmica das competições ao longo do tempo: reformas de formato, profissionalização em diferentes épocas e a criação de divisões podem alterar a interpretação do que significa uma hegemonia numérica. O levantamento e o debate que o acompanhou destacam que números absolutos são um ponto de partida, mas que fatores contextuais precisam ser levados em conta para leituras mais completas.
Para o público nordestino e sergipano, a predominância brasileira no ranking reforça o valor histórico dos estaduais como palco de identidade regional e de formação de laços entre torcedores e clubes.
O próximo capítulo dessa história virá com a atualização dos números a cada temporada concluída e com novos debates sobre critérios de comparação. À medida que edições seguintes forem sendo disputadas e encerradas, o ranking sofrerá alterações e seguirá alimentando discussões sobre como medir e valorizar hegemonias no futebol.
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