Foto: Reuters
Com 54,5% de aproveitamento e quatro técnicos desde 2022, o Brasil chega ao Mundial em crise. Mas a história mostra que esse roteiro já levou o país ao título.
A Seleção Brasileira de Futebol se prepara para a Copa do Mundo de 2026 enfrentando um cenário desafiador. Com quatro treinadores, 37 jogos disputados, 17 vitórias, 10 empates e 10 derrotas, o Brasil chega ao Mundial no que é considerado seu pior ciclo da história, com um aproveitamento de apenas 54,5% desde a última Copa do Mundo.
Nos últimos anos, surgiu um debate intrigante: seria bom para a Seleção chegar à Copa em crise? Entre os argumentos, destaca-se a experiência das conquistas de 1994 e 2002, quando a equipe nacional também atravessou momentos difíceis antes de brilhar no torneio. O desempenho em ciclos anteriores, como 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022, mostra que, mesmo acumulando títulos de Copa América, Confederações e Olimpíadas, o sonho do título mundial se manteve distante.
O preparador Carlo Ancelotti, à frente da Seleção, busca reverter essa maré adversa, mas a pressão é imensa. O ciclo de 1994, por exemplo, foi marcado por dificuldades, com a seleção se classificando apenas na última rodada das Eliminatórias sob o comando de dois técnicos. Já em 2002, o Brasil enfrentou a demissão de Vanderlei Luxemburgo e Emerson Leão antes da ascensão de Felipão, um ano antes da Copa.
“Isso nada mais é do que uma superstição. Não tem nenhuma lógica. A Copa é um torneio de tiro curto. Muitas vezes, o time que era favorito tem problema entre jogadores e treinador e perde a confiança”, afirma o analista Cahê Mota.
O desempenho do Brasil neste ciclo é preocupante se comparado a ciclos campeões, como 1962, 1970 e 2002, que apresentaram aproveitamentos superiores a 66%. O atual ciclo, com 54,5%, gera incertezas. Rodrigo Coutinho, ex-jogador, ressalta que a preparação e o foco são essenciais: “O lado emocional fica muito aflorado. Seleções que conseguem lidar com isso costumam levar vantagem”, completa.
Enquanto isso, o debate sobre a eficácia do status de favorito ou azarão continua. Embora muitas seleções que chegaram como favoritas tenham conquistado o título, outras sofreram eliminações inesperadas. A Copa do Mundo é uma competição que se decide em detalhes, e a pressão sobre os jogadores pode ser um fator determinante. A história do futebol nos ensina que, para triunfar, uma equipe precisa estar bem definida, entrosada e embalada por uma sequência positiva de resultados.
Com a Copa se aproximando, o Brasil carrega a expectativa de reverter a má fase e se inspirar nas glórias do passado. Os torcedores esperam que, em meio a dificuldades, a Seleção encontre a força necessária para superar os desafios e buscar mais um título mundial.

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