Foto: Reuters — uso em caráter informativo.
Confederações ligadas à UEFA avaliam boicote à Copa de 2030 após proposta da FIFA criar a FIFA Forward Enterprise e vender participações minoritárias. O movimento reage à iniciativa liderada por Gianni Infantino.
Os países europeus estão considerando boicotar a próxima Copa do Mundo, programada para 2030, em resposta ao plano da FIFA de criar uma nova empresa para gerenciar suas principais competições, como a Copa do Mundo e a Copa do Mundo de Clubes. Essa informação foi divulgada por um canal de televisão britânico, que destacou o descontentamento das confederações associadas à UEFA em relação à proposta.
A FIFA, liderada pelo presidente Gianni Infantino, anunciou na última terça-feira a intenção de vender participações minoritárias na nova empresa, que se chamará FIFA Forward Enterprise (FFE). A iniciativa gerou preocupação e resistência entre as federações nacionais, que já estão se organizando para discutir um possível boicote à competição.
Uma reunião virtual está agendada para esta semana, onde as confederações da UEFA pretendem definir uma estratégia conjunta para tentar impedir a criação da FFE. A UEFA manifestou sua oposição à ideia, enfatizando a falta de transparência no processo e alertando que isso pode comprometer a essência do futebol como um bem coletivo, ao invés de um ativo a ser comercializado.
“Isso cruza uma linha que as instituições governamentais do futebol nunca deveriam cruzar. A UEFA leva isso extremamente a sério. Toda Associação Nacional de Futebol também deveria. Todo stakeholder também: ligas, clubes, jogadores, torcedores, governos e todos que se importam com o futuro do esporte. A alma e a governança do futebol não são ativos para negociar — especialmente com zero transparência quanto a quem ganha financeiramente. Nenhum de nós é dono do futebol. Não cabe à FIFA vendê-lo.”
A polêmica gira em torno da FFE, que terá controle majoritário pela FIFA. A nova subsidiária será responsável por consolidar as operações comerciais das competições organizadas pela entidade. Segundo a FIFA, a FFE poderia ser avaliada em US$ 20 bilhões, o que transforma a venda de ações no valor de US$ 4,2 bilhões em uma oportunidade para investidores privados, que seriam minoritários na nova estrutura.
Se o plano for implementado, a FIFA prometeu aumentar os valores distribuídos para as federações nacionais. Atualmente, cada país membro recebe R$ 41 milhões, mas a proposta sugere que esse valor poderia subir para R$ 102 milhões até a Copa de 2030, chegando a R$ 112,5 milhões até 2034 e R$ 123 milhões até 2038. Essa injeção financeira seria justificada como um meio de potencializar os direitos de transmissão e patrocínios das competições.
O cenário atual coloca em evidência a tensão entre a FIFA e as federações europeias, que tradicionalmente têm grande influência e poder no futebol mundial. O descontentamento é refletido na pressão que a UEFA exerce para bloquear a iniciativa da FIFA, evidenciando uma divisão entre os interesses comerciais da entidade máxima do futebol e as necessidades das federações nacionais.
A próxima Copa do Mundo, marcada para ocorrer em 2030, terá como sedes principais a Espanha e Portugal, o que torna o boicote ainda mais significativo, já que esses países são vistos como pilares do futebol europeu. Um boicote poderia também ter repercussões profundas no planejamento e na execução do evento, impactando não apenas as seleções, mas também os torcedores que aguardam ansiosamente por essa competição.
À medida que a situação se desenvolve, a FIFA terá que lidar com a pressão das federações e a necessidade de encontrar um meio termo que satisfaça tanto os interesses comerciais quanto as preocupações sobre a governança do futebol. A reunião da UEFA desta semana será crucial para definir os próximos passos e as possíveis repercussões que um boicote poderia ter na história do futebol.

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