Foto: Reuters
O Estádio Azteca viveu uma festa histórica com a vitória mexicana na abertura da Copa do Mundo. Mariachis, Chapolins e cerveja a R$ 91 marcaram o clima de euforia.
Na manhã desta quinta-feira, as ruas que cercam o icônico Estádio Azteca, na Cidade do México, estavam repletas de torcedores vibrantes e entusiasmados, todos vestidos com a tradicional camisa verde da seleção mexicana. Faltavam apenas cinco horas para o início da tão esperada abertura da Copa do Mundo entre os anfitriões e a África do Sul.
Dentro do estádio, a atmosfera era elétrica, com muitos torcedores formando longas filas para comprar cervejas, que tinham preços que chegavam a R$ 91. Chapolins Colorados e Mariachis se misturavam na esplanada do maior estádio do torneio, criando um ambiente festivo que simbolizava o espírito da Copa.
O evento trouxe um alívio bem-vindo ao clima tenso que se instalou nas últimas semanas, em parte devido a noticiários negativos relacionados aos Estados Unidos, outra sede do evento junto ao Canadá. O México, em sua estreia, fez um esforço concentrado para trazer o futebol de volta à pauta, ofuscando as preocupações que dominavam as manchetes.
Enquanto questões como ingressos a preços exorbitantes, a deportação de um árbitro e ameaças sobre a presença da seleção do Irã ainda pairavam no ar, mais de 80 mil torcedores coloriram o histórico Azteca, um local que já viu lendas como Pelé e Maradona serem coroados campeões do mundo. O evento se tornou um contraponto ao clima conturbado com o vizinho do norte.
Os torcedores foram recebidos com entusiasmo, caminhando pelas ruas do centro da cidade, enquanto crianças pediam autógrafos aos jogadores iranianos, que haviam encontrado acolhimento em Tijuana, após um plano inicial de se alojar em um centro de treinamento no Arizona.
Entretanto, nem tudo foi tranquilo. Nas semanas que antecederam o jogo, manifestantes de diversos grupos sociais se reuniram em protesto contra o governo mexicano, prometendo marchar até o estádio durante a abertura. Embora a promessa tenha sido cumprida, não teve grande impacto na partida. Conflitos com a polícia ocorreram do lado de fora, mas a situação foi controlada antes que os torcedores se acomodassem nas arquibancadas.
Dentro do Azteca, onde a seleção mexicana nunca perdeu em um jogo de Copa do Mundo, a festa tomou conta. As poucas vaias que ecoaram foram direcionadas ao presidente da FIFA, Gianni Infantino, quando seu nome foi anunciado, e à bandeira americana, uma das 48 que fazem parte do torneio.
“Creio que ainda não caiu a ficha do que passou hoje, fazia 40 anos que não acontecia. Quem jogou aqui nos conta da adrenalina que todos sentimos hoje. A única coisa que senti é que valeu a pena tudo o que me custou para estar aqui. Agora é a hora de desfrutar”, afirmou o volante Érik Lira após a partida.
O jogo terminou com uma vitória confortável para o México por 2 a 0, com a fraca equipe sul-africana não oferecendo grande resistência. “Não viveremos isso muitas vezes na vida, o que vivi hoje. Estamos todos preparados para fazer o melhor possível. Conseguimos começar com o pé direito a Copa,” complementou o camisa 6 do México.
Com essa vitória, as esperanças aumentam para que o México termine em primeiro no Grupo A, o que possibilitaria que jogasse no Azteca em quatro de seus primeiros cinco jogos, caso avance. O próximo desafio será contra a Coreia do Sul em Guadalajara, antes de retornar à capital para enfrentar a República Tcheca.
A Copa do Mundo atravessa a fronteira mexicana nesta sexta-feira, com a seleção do Canadá enfrentando a Bósnia e Herzegovina em Toronto, enquanto os EUA jogam contra o Paraguai em Los Angeles.

Como foi o jogo
- ⚽ Quiñones (México) — 08′ 1º tempo
- ⚽ Raúl Jiménez (México) — 21′ 2º tempo
Posse de bola: 60% x 40% | Finalizações: 9 x 3
Fase de Grupos — Azteca. Dados oficiais da partida.
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