Foto: Globo — uso em caráter informativo.
Cerca de 30 haitianos se reuniram em Uberlândia para assistir Brasil x Haiti. O dono decorou o espaço com bandeiras dos dois países e preparou uma celebração inesquecível.
Na noite da última sexta-feira, uma barbearia em Uberlândia, Minas Gerais, se transformou em um verdadeiro reduto de emoção e rivalidade futebolística. Cerca de 30 haitianos se reuniram para assistir ao confronto entre Brasil e Haiti na Copa do Mundo, criando um ambiente que poderia facilmente ser confundido com as arquibancadas de um grande estádio.
O proprietário, Josué Nozil, dedicou seu espaço com carinho. Ele decorou o local com bandeirinhas dos dois países e preparou assentos extras para acomodar amigos e familiares. Uma televisão de grandes dimensões foi posicionada estrategicamente para garantir que todos pudessem acompanhar os 90 minutos de jogo. Há uma década no Brasil, Josué trouxe sua esposa e teve um filho, o pequeno João Malvino, que já demonstra a influência do país que o acolheu.
Em meio ao dilema de torcer pelo país natal ou pelo Brasil, Josué expressou seu amor pelo futebol brasileiro, embora tenha prometido apoiar o Haiti. “No Haiti, 80% da população torce para o Brasil,” disse ele, ressaltando a admiração que muitos haitianos têm pela Seleção Canarinho, apesar de sua lealdade.
Os torcedores começaram a chegar e o clima de expectativa aumentou. Camisas azuis com os nomes dos jogadores haitianos, como Jean-Ricner Bellegarde, predominavam entre os presentes. Os relatos de amizade e união eram evidentes, com muitos torcedores expressando que ficariam satisfeitos, mesmo em uma eventual derrota do Haiti.
“Nem meus pais se lembram da primeira participação do Haiti em Copas, em 1974,” compartilhou Snawons Estimable, um dos amigos de Josué, que também trouxe sua família para o Brasil.
O clima de festa na barbearia se intensificou quando os hinos foram cantados em uníssono, criando uma atmosfera de celebração. A empolgação com a partida era palpável, com gritos e brindes a cada ataque do time caribenho, enquanto a maioria torcia para que o Brasil não conseguisse marcar.
Enquanto a Seleção Brasileira dominava o jogo, duas brasileiras, namoradas de convidados, se destacavam em meio aos uniformes azuis, vibrando a cada gol e se esforçando para entender as conversas em crioulo. Josué, o anfitrião, revelou uma “traição” durante o intervalo, tendo apostado dinheiro na vitória do Brasil. Ele brincou: “Se o Haiti ganha, é para o coração. Se dá Brasil, é dinheiro no bolso.”
No segundo tempo, a animação começou a diminuir. As conversas em crioulo aumentaram, e a expectativa pelo apito final tomou conta do ambiente. O que começou como uma celebração, rapidamente se transformou em um momento de reflexão e expectativa. Afinal, a Copa do Mundo une as pessoas, mas também traz à tona dilemas emocionais e lealdades.

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