Foto: Divulgação / Internet
A seleção haitiana estreia neste sábado contra a Escócia, em Boston. O país tenta usar o futebol como alívio diante de um dos momentos mais difíceis de sua história.
O Haiti, após 52 anos de ausência, está de volta à Copa do Mundo e enfrenta um cenário desafiador e inédito. A seleção caribenha, que tentará superar uma grave crise política e humanitária, fará sua estreia na competição neste sábado, às 22h, contra a Escócia, em Boston. Esta é uma oportunidade de alívio em meio a dificuldades extremas, com o país buscando um destaque no cenário esportivo.
O estádio Sylvio Cator, considerado a casa do futebol haitiano, não recebeu partidas da seleção durante as Eliminatórias, que foram disputadas em Curaçao. Essa decisão foi consequência da invasão do estádio por gangues armadas em fevereiro de 2024, o que resultou em um estado de calamidade pública. A federação haitiana, à época, relatou o sequestro de um funcionário, destacando a gravidade da situação no país.
“O ciclo de violência em que o país está mergulhado há bastante tempo resultou na destruição de um patrimônio que é reconhecido mundialmente como símbolo do futebol e do esporte no Haiti”, afirmou a federação.
A crise no Haiti se agravou após o assassinato do presidente Jovenel Moïse em 2021, o que levou a um vácuo de poder e ao crescimento de gangues armadas. O Comitê Internacional de Resgate classifica o Haiti como um dos dez países em crise a serem monitorados em 2026. Dados recentes indicam que mais de 10% da população já fugiu de suas casas devido à violência, e a fome afeta mais da metade do país.
Além disso, o incêndio no Fifa Goal Center, em Croix-des-Bouquets, um centro de treinamento vital para o desenvolvimento do futebol haitiano, ilustra a extensão dos danos causados pela violência. O governo local lamentou a perda desse espaço, que ajudou a formar talentos como Mechack Jérôme e Nerilia Mondésir.
Com a maioria dos 26 convocados atuando em clubes fora do Haiti, a seleção se prepara para enfrentar a Escócia em um contexto desafiador. O técnico Sébastien Migné, que nunca esteve no país, é reconhecido por seu trabalho na seleção. Ele ressaltou em entrevistas que a situação de segurança impede sua presença em solo haitiano. “É impossível, pois é muito perigoso”, comentou Migné, que assumiu o comando da equipe em junho de 2024.
O Haiti busca quebrar a marca de sua última participação, em 1974, quando não conseguiu marcar pontos na fase de grupos, mas ficou famoso por ter sido o primeiro time a marcar um gol contra o lendário goleiro italiano Dino Zoff. Agora, no Grupo C, ao lado de Brasil e Marrocos, a seleção haitiana espera fazer história novamente e mostrar ao mundo sua força e resiliência.

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