O Haiti está de volta à Copa do Mundo, superando uma série de desafios que marcaram sua história recente. Desde o devastador terremoto de 2010, o país enfrentou conflitos internos que afetaram sua estabilidade e controle territorial. Porém, com um espírito indomável e a dedicação de seus jogadores, a seleção haitiana conquistou a vaga para o Mundial pela primeira vez desde 1974, levando esperança e orgulho ao seu povo.
Entre os protagonistas dessa campanha épica, destaca-se Duckens Nazon, o maior artilheiro da história da seleção haitiana. Desde 2015, Nazon defende as cores do Haiti e, aos 32 anos, realiza seu sonho de representar a seleção no maior palco do futebol. Nesta edição da Copa do Mundo, que será realizada no Canadá, Estados Unidos e México, o Haiti terá a oportunidade de enfrentar grandes seleções como Brasil, Marrocos e Escócia.
Nascido na França, em Châtenay-Malabry, Nazon é filho de pais haitianos e optou por defender a seleção caribenha, iniciando sua carreira no Lorient. Com um histórico marcado por crises políticas e humanitárias, o Haiti teve um longo jejum de participações em Copas do Mundo, e Nazon se tornou um símbolo de esperança para os Grenadiers.
No processo de classificação, a seleção teve que jogar suas Eliminatórias em Curaçao, longe de casa. Em um momento crucial, Nazon brilhou ao marcar três gols em um empate emocionante contra a Costa Rica, garantindo um ponto vital que ajudou o Haiti a avançar. “Somos embaixadores do nosso país e sabemos que temos uma responsabilidade. Sabemos que os jovens também nos veem como exemplos”, declarou Nazon, destacando a importância de sua função.
Mas a jornada de Nazon não foi fácil. Às vésperas do crucial jogo contra a Costa Rica, ele enfrentou um dilema pessoal: acompanhar o nascimento de seu filho ou permanecer com a seleção. Sob a orientação do treinador Sébastien Migné, ele decidiu ficar e, mesmo não começando como titular, entrou em campo e fez a diferença. “Liguei para minha mulher e ela estava chorando, mas precisava me desligar de tudo e me concentrar no jogo”, contou o atacante.
Além dos desafios dentro de campo, Nazon também enfrentou situações extremas fora dele. Enquanto jogava pelo Esteghlal, no Irã, ele teve que fugir do país em meio a bombardeios. Com sua família na França, ele escapou por terra, atravessando a fronteira com o Azerbaijão, sob o som das explosões. “Imagine se você tem sua mulher e seus filhos ao seu lado nessa situação. Não diria que não me importo com a minha vida, mas fico mais tranquilo por não tê-los ao meu lado naquele momento”, relatou Nazon.
Agora, sem jogar desde então, ele se prepara para a Copa do Mundo, determinado a levar o Haiti a novas conquistas. A história de Duckens Nazon é um testemunho de resiliência e paixão pelo futebol, e seu legado terá um impacto duradouro no país que ama.
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