Foto: Reuters — uso em caráter informativo.
O calor se tornou um dos principais desafios para os jogadores na Copa do Mundo, e a pausa para hidratação, agora obrigatória, gerou reações mistas entre torcedores e profissionais do futebol. Durante o jogo entre Argentina e Áustria, realizado em um estádio lotado de Dallas, com 70 mil torcedores, o apito do árbitro aos 23 minutos de ambos os tempos foi recebido com vaias. Enquanto isso, os bares se encheram, aproveitando os três minutos de interrupção para servir bebidas e petiscos.
Essa pausa, que se tornou mandatória nesta Copa do Mundo, está sendo um tema de debate acalorado. Enquanto alguns treinadores utilizam o momento para fazer ajustes estratégicos em suas equipes, muitos torcedores e alguns jogadores expressam descontentamento com a interrupção do fluxo do jogo. A pausa, além de oferecer um tempo para os atletas se reidratarem, também se transformou em um momento de vendas de espaços publicitários, com bebidas que podem custar até R$ 90 nos estádios.
Em dezembro, a Fifa anunciou a obrigatoriedade das paradas, mas, segundo informações obtidas, não há discussões sobre alterações para esta Copa. No entanto, para o futuro, principalmente para a Copa do Mundo feminina que ocorrerá no Brasil em 2027, a entidade está avaliando como serão aplicadas essas pausas. O presidente da Fifa, Gianni Infantino, comentou:
“Vamos tomar decisões com base na experiência desta Copa. Talvez o treinador possa corrigir alguns erros durante a parada. Os jogadores podem descansar um pouco e voltar a toda velocidade. Isso é necessariamente ruim? Talvez seja bom.”
A Fifa justifica a implementação das pausas como uma medida necessária para a saúde dos atletas e a equidade na competição. Com partidas realizadas em 16 cidades de três países diferentes, a variação das condições climáticas é significativa. A entidade acredita que interromper os jogos em algumas localidades e não em outras poderia gerar desigualdades. O diretor de competição da Fifa, Manolo Zubiria, reafirmou:
“Para qualquer jogo, não importa onde eles forem disputados, haverá uma parada de três minutos para hidratação.”
Embora a Copa do Mundo feminina ocorra durante o inverno, algumas sedes, como Fortaleza, Recife e Salvador, podem ter temperaturas elevadas. A CBF já utiliza uma abordagem similar no Campeonato Brasileiro, onde paradas para hidratação ocorrem em condições climáticas quentes.
As reações dos técnicos são diversas. Lionel Scaloni, da Argentina, reconhece que os momentos de pausa podem ser úteis para ajustes táticos, mas também expressa a estranheza da nova dinâmica de jogo. Por outro lado, Marcelo Bielsa, do Uruguai, critica a mudança, afirmando que isso altera a essência do futebol. O técnico dos Estados Unidos, Mauricio Pochettino, reconheceu a utilidade da pausa em um jogo sob forte calor, enquanto Ronald Koeman, da Holanda, vê a pausa como uma oportunidade estratégica.
Por fim, para os telespectadores, as pausas para hidratação se tornaram mais um momento de publicidade. Virgil van Dijk, zagueiro da Holanda, expressou sua insatisfação com a ideia de interromper o jogo para comerciais, embora reconheça a necessidade de pausas em condições extremas.

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