Foto: Globo — uso em caráter informativo.
O Furacão perdeu por 2 a 0 para o Grêmio na Arena, na 33ª rodada, e deixou o G-4. Ambos os gols nasceram em lances de bola parada; já são 19 sofridos assim e três partidas sem vitória.
A derrota por 2 a 0 para o Grêmio, em Porto Alegre, na 33ª rodada do Campeonato Brasileiro, deixou o Athletico-PR fora do G-4 e ampliou para três o número de partidas sem vitórias da equipe na competição. Mais do que o placar, o jogo expôs com nitidez uma vulnerabilidade que vem se repetindo: a dificuldade em defender bolas paradas, fundamento que voltou a custar pontos decisivos ao Furacão.
Desenvolvimento
Os dois gols do Grêmio na Arena nasceram de lances de bola parada e reforçaram um problema já contável: são, ao todo, 19 gols sofridos pelo Athletico em lances desse tipo ao longo da temporada. O primeiro tento surgiu em cobrança de falta de longa distância de Marlon; a bola quicou à frente do goleiro Mycael e entrou. O segundo veio em escanteio pelo lado esquerdo, quando Balbuena ganhou a disputa aérea contra Aguirre e cabeceou para o gol. Em situações distintas, o Furacão foi penalizado novamente pelo mesmo fundamento.
as bolas paradas podem ser determinantes em 30% a 35% dos resultados de um campeonato
O comentário acima foi apontado pelo treinador da equipe como parte do diagnóstico sobre a gravidade do problema. Segundo a leitura da comissão técnica, a questão ultrapassou o plano tático e passou a interferir na confiança do grupo: a insegurança diante de uma cobrança de falta ou de um escanteio compromete a organização, dificulta a retomada do controle da partida e reduz a capacidade de impor o próprio jogo.
No confronto com o Grêmio, o Athletico teve aproximadamente 70% de posse de bola. Mesmo dominando territorialmente e empurrando o adversário para o campo defensivo, o time não conseguiu transformar o volume de bola em chances claras e gols. O Grêmio, por sua vez, explorou longas bolas em direção ao centroavante Carlos Vinicius e apostou nas jogadas de bola parada, aproveitando o fundamento em que o Furacão demonstrou fragilidade.
Depois de abrir o placar, o time gaúcho se organizou defensivamente com cinco jogadores na última linha e outros quatro à frente, reduzindo espaços e obrigando o Athletico a procurar soluções por meio de combinações e do penúltimo passe, que não apareceram com qualidade suficiente. Os erros de passe e os escanteios cedidos também ajudaram a criar as condições para que o adversário voltasse a explorar as bolas paradas.
Contexto e o que está em jogo
Com a sequência sem vitórias estendida para três partidas e a saída do G-4 após a 33ª rodada, o desempenho do Athletico na reta final do Brasileirão passou a ser alvo de preocupação. O time vinha figurando entre os cinco primeiros colocados, posição que, se mantida, possibilita a classificação direta para a fase de grupos da Libertadores de 2027. A oscilação nas atuações e as falhas em lances de bola parada ameaçam essa colocação e tornam ainda mais urgente a busca por correções.
O problema nas bolas paradas não se limita ao posicionamento ou à disputa aérea isoladamente. Conforme analisou a comissão técnica, a fragilidade ganhou dimensão comportamental: o medo ou a insegurança em momentos de cobrança afeta a organização coletiva, altera rotinas defensivas e pode contagiar o restante das ações da equipe em campo. Em outras palavras, um lance isolado tem potencial para comprometer uma partida inteira.
Além do impacto direto no resultado, existe a contradição entre a posse e a efetividade: ter 70% da bola, como ocorreu contra o Grêmio, não garantiu controle e não foi traduzido em superioridade no placar. Quando a equipe não converte volume em gols, fica mais exposta a contragolpes e, sobretudo, a situações de bola parada exploradas pelo adversário.
O que precisa mudar
A busca por soluções passa por revisão de posicionamentos nas bolas paradas, exercícios específicos em treinos para simular as diferentes situações que ocorrem em jogo e intervenções no aspecto psicológico para recuperar a confiança dos jogadores. A comissão técnica destaca que não se trata de apontar um único culpado: a falha é coletiva e exige resposta coletiva, com correções imediatas nesta fase decisiva do campeonato.
Na avaliação técnica, aspectos como a marcação no primeiro pau, o acompanhamento das referências adversárias no movimento de bola parada e a coordenação entre linha defensiva e goleiro precisam ser ajustados. Também foi observado que erros de passe e escolhas ofensivas precipitadas diminuem a capacidade de criar situações de finalização de qualidade, elevando a dependência de cruzamentos e cobranças que podem terminar em escanteios cedidos.
O treinador optou por não individualizar falhas publicamente e enfatizou a necessidade de calma para fazer ajustes pontuais, incluindo decisões sobre a posição do goleiro em certas situações. Internamente, a pauta passa por transformar o diagnóstico em ações concretas nos treinos: trabalhar marcações mistas, variações defensivas e a retomada do controle emocional diante de cobranças perigosas.
Fecho: o próximo passo da história
Na reta final do Brasileirão, a perspectiva é de que as próximas partidas definam se o Athletico conseguirá recuperar o rendimento e garantir a vaga direta na fase de grupos da Libertadores de 2027. O clube tem a necessidade imediata de transformar a percepção do problema em correções dentro de campo e retomar a sequência de resultados. A continuidade da equipe entre os primeiros colocados dependerá da capacidade de corrigir a fragilidade nas bolas paradas e de recuperar a efetividade ofensiva para que a posse de bola passe a refletir vantagem no placar.
Em síntese, o episódio em Porto Alegre foi mais do que uma derrota: foi um alerta sobre uma fragilidade que já rendeu 19 gols e que, se não for corrigida, pode custar caro nas decisões que vêm pela frente. A resposta técnica e emocional do grupo no curto prazo será o indicador seguinte sobre as ambições do Athletico nesta temporada.

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