Foto: Globo — uso em caráter informativo.
Mudança elimina divisão por grupos e mantém mata-mata para definir Apertura e Clausura. Em 29/10/2026, River Plate foi o único a votar contra; Estudiantes não participou da votação.
A Associação de Futebol da Argentina aprovou uma mudança no formato do Campeonato Argentino, mantendo 30 equipes na elite e retornando ao sistema em que todos se enfrentam. A decisão altera a atual divisão por grupos e preserva o mecanismo de mata-mata que definirá os títulos de Apertura e Clausura.
Detalhes da mudança e como vai funcionar
A votação ocorreu na quinta-feira, 29 de outubro de 2026, e teve o River Plate como único clube a votar contra o projeto. O clube contou com o apoio do Estudiantes de La Plata, que não participou da votação; o Estudiantes foi representado por um dirigente sem direito a voto.
O novo formato prevê um torneio de pontos corridos com 30 rodadas: cada time enfrentará os outros 29 e terá um segundo confronto específico com o seu principal rival, garantindo dois clássicos entre pares ao longo do calendário. Apesar do retorno ao todos contra todos, o esquema de Apertura e Clausura será mantido, com o Campeonato sendo interrompido após a 15ª rodada para a realização de playoffs.
Na interrupção da 15ª rodada, os 16 melhores colocados da tabela geral disputarão as oitavas de final e iniciarão o mata-mata que definirá o título do Apertura. Em seguida, a competição retomará a disputa de 16ª a 30ª rodada com nova tabela para que outro mata-mata decida o Clausura. Paralelamente, uma tabela geral com a soma dos pontos das 30 rodadas servirá para premiar um terceiro troféu, o campeão da Liga.
Rebaixamentos, vagas continentais e calendário de taças
O sistema de rebaixamento foi mantido em dois clubes por temporada: um será o último colocado da tabela geral e o outro será definido pela média das três temporadas anteriores. As vagas para a Copa Libertadores e para a Copa Sul-Americana também continuarão a ser atribuídas com base na tabela geral das 30 rodadas.
Principais mudanças e confirmações
- Formato: todos contra todos em 30 rodadas, com um segundo confronto entre rivais principais.
- Playoffs Apertura: interrupção na 15ª rodada; 16 melhores avançam para oitavas de final.
- Playoffs Clausura: repetição do mesmo sistema da 16ª à 30ª rodada, com nova tabela específica.
- Tabela geral: soma das 30 rodadas para decidir o troféu da Liga e as vagas continentais.
- Rebaixamentos: dois por ano — último da tabela geral e mais um pela média trienal.
Oito taças em disputa no calendário anual
- Apertura: título definido via mata-mata após a 15ª rodada.
- Clausura: título definido via mata-mata ao final das 30 rodadas, com nova tabela entre 16ª e 30ª.
- Tabela geral (Liga): troféu somando as 30 rodadas.
- Copa da Argentina: competição à parte no calendário nacional.
- Troféu de Campeões: confronto entre o ganhador do Apertura e do Clausura.
- Supercopa Argentina: campeão da Copa da Argentina contra o vencedor do Troféu de Campeões.
- Supercopa Internacional: campeão da tabela geral da liga contra o campeão do Troféu de Campeões.
- Recopa de Campeões (nova): disputa entre os vencedores do Troféu de Campeões, da Supercopa Argentina e da Supercopa Internacional.
Posições e propostas divergentes
O River Plate apresentou durante a discussão uma proposta alternativa para reduzir a elite para 20 participantes, com um plano de transição que incluiria quatro rebaixados e dois promovidos por temporada até alcançar o número desejado. Essa proposta não foi aprovada na votação em que o clube terminou isolado na oposição.
Nas redes sociais, o presidente do Estudiantes de La Plata declarou apoio às ideias do River Plate e reafirmou seu compromisso com mudanças que, em sua avaliação, possam contribuir para a melhoria do futebol argentino.
“Compromisso com as propostas de mudança que contribuem para melhorar o futebol argentino.”
Repercussões e falas
O episódio também motivou reações fora do âmbito das associações: o jogador Felipe Melo usou as redes sociais para expressar surpresa com um resultado continental envolvendo Estudiantes e um clube brasileiro, em mensagem que repercutiu entre torcedores e analistas.
“Quem imaginou que o Estudiantes iria eliminar o Flamengo?”
Contexto histórico e o que está em jogo
O futebol argentino vem passando por sucessivas alterações no formato da primeira divisão desde 2014, em tentativas de equilibrar interesses de clubes grandes — que desejam ligas mais longas e previsíveis — e clubes menores, que historicamente valorizam o mata-mata como caminho para conquistas. A aprovação desta mudança restabelece o confronto direto entre todas as equipes, reduzindo a fragmentação por grupos regionalizados que vigorou nas últimas temporadas.
Além do aspecto esportivo, o que está em jogo são direitos de transmissão, calendários continentais e a distribuição de receitas; formatos com mais partidas entre clubes de grande apelo podem alterar a exposição de alguns jogos e influenciar negociações comerciais. A manutenção de oito taças nacionais no calendário também amplia a quantidade de decisões a serem disputadas ao longo do ano.
Entre fatos recentes ligados ao campeonato, destaca-se que o Rosario Central foi registrado como campeão argentino de 2025, referência imediata para clubes e torcedores ao discutir a atual configuração de títulos.
Próximo passo
A mudança aprovada passará a vigorar a partir de 2027, quando a Liga Profissional e a AFA deverão ajustar calendários, regulamentos e tabelas para a implementação do novo sistema. Nos próximos meses, a discussão tende a se concentrar em detalhes operacionais: calendário das janelas de transferência, definição de clássicos que terão o segundo encontro garantido e o desenho final das tabelas para os períodos de mata-mata.
Também permanece em aberto o debate político e institucional sobre a proposta alternativa de redução de 30 para 20 clubes, apresentada pelo River Plate, que pode voltar a ser pauta em instâncias da liga e da associação nos próximos encontros de gestão esportiva.
O Campeonato Argentino entra, portanto, em um novo capítulo de sua organização. Cabe agora aos dirigentes, às ligas e aos clubes transformarem as definições aprovadas em cronogramas e regulamentos claros para que 2027 inaugure o modelo decidido sem maiores contratempos.

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