Foto: Globo — uso em caráter informativo.
A Trionda, bola oficial da Copa 2026, divide opiniões. Ex-jogadores ingleses suspeitam que ela prejudica goleiros, após mais de dez gols de longa distância serem marcados no torneio.
A Copa do Mundo de 2026 começa a ganhar contornos emocionantes, com um número impressionante de gols sendo marcado, especialmente em chutes de longa distância. A cada jogo, a expectativa cresce, e a Trionda, a bola oficial do torneio produzida pela Adidas, tem sido alvo de debates acalorados entre comentaristas e ex-jogadores ingleses. Eles levantam uma hipótese intrigante: será que a nova bola está dificultando a vida dos goleiros?
Até o momento, mais de dez gols de fora da área foram anotados nesta edição do Mundial. Além disso, várias situações ocorreram em que goleiros não conseguiram segurar chutes de média e longa distância, resultando em oportunidades de gol. De acordo com análises realizadas por especialistas, a Trionda parece chegar aos goleiros mais rapidamente do que o esperado, o que pode ser uma explicação para o aumento dos gols.
“Houve uma ou duas situações em que essa bola não se comportou exatamente como se esperava. É algo que merece atenção”, afirmou Paul Robinson, ex-goleiro da seleção inglesa e comentarista da BBC. “As condições, como a altitude da Cidade do México e o calor em cidades como Boston e Nova Jersey, impactam no comportamento da bola.”
Os gols marcantes da primeira rodada reforçam essa percepção. Um dos destaques foi o primeiro gol de Lionel Messi na vitória da Argentina sobre a Argélia, com um chute de longa distância que fez uma curva surpreendente antes de superar o goleiro Luca Zidane. Outro lance notável foi o gol de Kylian Mbappé contra o Senegal, além do gol de Yasin Ayari na vitória da Suécia sobre a Tunísia.
Um dos lances mais comentados ocorreu na vitória da Inglaterra, quando o croata Martin Baturina desferiu um poderoso chute de 124 km/h da entrada da área. O goleiro Jordan Pickford, mesmo tocando na bola, não conseguiu evitar o gol. Curiosamente, Pickford havia elogiado a Trionda antes do torneio, afirmando que ela poderia ser lançada “a quilômetros de distância”, o que, na prática, favorece os atacantes.
“Percebi isso logo no início do torneio. A bola chega aos goleiros mais rápido do que eles esperam quando sai do pé do jogador”, comentou o ex-goleiro Joe Hart.
A média de chutes de fora da área nesta Copa é de 9,3 por partida, a segunda menor desde 1966. No entanto, o torneio registra uma média de 3,18 gols por jogo, o maior índice desde a Copa de 1966. Especialistas acreditam que a combinação das características da bola com as variadas condições climáticas e de altitude dos países-sede contribui para esse cenário. Em locais como a Cidade do México, o ar rarefeito facilita o deslocamento da bola, fazendo-a viajar mais rápido.
“Conforme os jogadores se acostumarem com o ambiente e com a velocidade específica dessa bola, veremos mais defesas sendo feitas. É uma questão de coordenação entre olhos e mãos”, acrescentou Hart. Wayne Rooney, outro ex-jogador da seleção inglesa, também ressaltou a influência das condições de jogo, especialmente em estádios fechados, afirmando que isso faz uma enorme diferença na velocidade da bola.
“Quando você joga em ambientes fechados, a bola se move muito mais rápido. Em estádios abertos, a dinâmica é diferente”, disse Rooney.
A discussão sobre bolas que dificultam a vida dos goleiros não é nova nas Copas do Mundo. O caso mais célebre foi o da Jabulani, utilizada em 2010, que sofreu inúmeras críticas por suas mudanças bruscas de trajetória. Em 2022, a bola Al Rihla também foi alvo de reclamações, embora a repercussão tenha sido menor. O que se espera agora é que a Trionda se estabeleça como um ícone ou vilã neste torneio, à medida que a competição avança e os desafios aumentam.

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