Foto: Divulgação — uso em caráter informativo.
Depois de quatro décadas de ausência, o Iraque estreia no Mundial 2026 contra a Noruega, em Boston. Com Zico como técnico, a seleção carrega a esperança de um povo que superou guerras para voltar ao futebol.
Hoje, 16 de junho de 2026, o Iraque inicia sua jornada na Copa do Mundo, enfrentando a Noruega em Boston, na primeira rodada do Grupo I. Esta partida representa mais do que um simples jogo de futebol; é o fim de um jejum de 40 anos, desde a última vez que a seleção iraquiana participou do maior torneio de seleções do planeta, em 1986. A classificação foi conquistada após uma emocionante vitória de 2 a 1 sobre a Bolívia na repescagem intercontinental, trazendo esperança e orgulho de volta ao povo iraquiano.
Ao longo das quatro últimas décadas, o Iraque enfrentou dificuldades imensas, muitas delas ligadas à instabilidade política e aos conflitos contínuos que assolam o país. Nesse cenário complexo, poucos treinadores estrangeiros tiveram a experiência de Zico, o ícone brasileiro que dirigiu a seleção iraquiana entre agosto de 2011 e novembro de 2012. Ele mesmo descreveu essa fase como uma das mais desafiadoras de sua carreira.
Durante sua passagem, Zico lidou com problemas de segurança e infraestrutura que tornaram a tarefa de comandar a seleção ainda mais difícil. Com a FIFA impedindo o Iraque de sediar jogos internacionais em seu território, a equipe teve que atuar em estádios de países vizinhos, como o Catar. Essa situação dificultou a criação de uma identidade de equipe e a conexão com os torcedores locais. Em uma de suas entrevistas, Zico expressou sua frustração:
“A gente não joga em casa. O problema maior é que, apesar de o nosso time ter técnica, jogamos com 30 pessoas vendo o jogo.”
As dificuldades não pararam por aí. O treinador também enfrentou sérios desafios logísticos e um ambiente de trabalho que se distanciava da realidade encontrada em seleções mais estruturadas. Zico afirmava que sua rotina era marcada por segurança intensa e uma atmosfera de incerteza, como ele mesmo relatou:
“Foi o período mais complicado que passei no futebol. Eu lamento pelo povo, que é apaixonado por futebol, por nós brasileiros. Mas eu sempre tinha aborrecimentos quando ia para lá. Só via armas, tanques, insegurança.”
A relação de Zico com a Federação Iraquiana de Futebol (IFA) também foi um fator determinante para sua saída. Em novembro de 2012, ele anunciou sua rescisão, citando atrasos nos pagamentos como o principal motivo. Na época, o Iraque estava em uma posição competitiva nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2014, o que tornou sua saída ainda mais impactante. Com Zico, a seleção acumulou 20 partidas, com dez vitórias, cinco empates e cinco derrotas, mas, após sua saída, o Iraque não conseguiu se classificar para o Mundial de 2014.
Agora, em 2026, após décadas de espera, o Iraque está de volta ao cenário mundial e enfrenta a Noruega com a esperança de que a história se repita e que o país possa brilhar novamente no futebol internacional. O mundo do futebol aguarda ansiosamente para ver como essa equipe, que carrega uma história de superação, se sairá neste torneio tão esperado.
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