Foto: Divulgação / Internet
Wilguens Paugain, 24 anos, entra em campo às 22h contra a Escócia carregando uma trajetória marcada por orfanato, adoção e perseverança. Do Haiti à Copa, ele representa muito mais que um país.
Wilguens Paugain é um verdadeiro exemplo de superação e resiliência. Com apenas 24 anos, ele já viveu experiências que muitos considerariam impossíveis. Adotado aos cinco anos, após passar por um orfanato no Haiti, Paugain encontrou uma nova vida na França, mas sua trajetória não foi fácil. A estreia do lateral na Copa do Mundo está marcada para hoje, às 22 horas (de Brasília), contra a Escócia, e ele carrega consigo não apenas a esperança de seu país, mas a força de uma história inspiradora.
O Haiti enfrenta uma grave crise de insegurança alimentar, afetando 51% de sua população, e quando Paugain nasceu, em 2002, cerca de 80% da população vivia na pobreza extrema. Ele e seu irmão, Adelson, foram adotados por uma família francesa, uma mudança que transformou suas vidas. “Foi uma segunda chance. Se eu tivesse ficado no Haiti, meu caminho seria completamente diferente”, compartilhou Paugain, refletindo sobre as dificuldades que enfrentou.
O lateral começou sua carreira no futebol de forma despretensiosa, mas rapidamente se destacou. Após vencer um torneio, foi convidado para integrar a base do Nancy, na França. No entanto, sua trajetória ganhou um novo desafio quando, aos 18 anos, sofreu uma grave lesão no tendão de Aquiles que quase encerrou sua carreira. Durante a recuperação, a pandemia de covid-19 complicou ainda mais sua situação financeira, levando-o a trabalhar como entregador de pizzas para sobreviver.
“Eu me esforçava, mas foram muitas rejeições”, lamentou Paugain, que enfrentou dificuldades para voltar ao futebol profissional. Mas a sorte começou a sorrir novamente quando ele recebeu uma oportunidade em um clube no Chipre. Embora tenha enfrentado um rebaixamento, essa experiência foi crucial para sua evolução como atleta. Posteriormente, Paugain se transferiu para a Letônia, onde enfrentou o racismo, mas também encontrou um treinador que acreditou em seu potencial.
“Os primeiros meses foram difíceis, mas um treinador português me deu uma chance”, disse Paugain, que, aos poucos, foi conquistando seu espaço.
Após passagens por diferentes ligas, incluindo a segunda divisão da Áustria e, mais recentemente, o Zulte Waregem na Bélgica, onde se destacou como titular, Paugain agora se prepara para representar o Haiti na Copa do Mundo. Embora geralmente seja reserva, ele se tornou uma peça importante nos últimos amistosos, mostrando que está pronto para brilhar no maior palco do futebol mundial.
O Haiti está no Grupo C da Copa do Mundo, ao lado de seleções como Brasil e Marrocos, e Paugain espera fazer história ao levar seu time à vitória. Com uma trajetória marcada por superações, ele é um símbolo de esperança para muitos, e sua estreia hoje é um testemunho de que o sonho de um atleta pode se tornar realidade, independente das adversidades.

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