Pela primeira vez no Mundial, uma seleção atuou com todos os 11 titulares nascidos fora do país. O feito aconteceu no empate de 1 a 1 contra o Brasil, com atletas de cinco nações diferentes.
No último sábado, o Marrocos fez história ao empatar em 1 a 1 com o Brasil, se tornando a primeira seleção da Copa do Mundo a ter 11 jogadores em campo, todos nascidos fora do país. A partida marcou um momento inédito para a equipe africana, que, após a saída do meia Ounahi no segundo tempo, contou com atletas oriundos de cinco países diferentes, todos com ascendência marroquina.
Entre os 11 titulares, apenas Ounahi nasceu em Casablanca, enquanto os demais, como El Mourabet, Brahim Díaz e Talbi, trazem em suas histórias a conexão com a terra marroquina, mesmo que tenham nascido em nações como França, Espanha e Bélgica. Essa estratégia de convocação tem sido um diferencial para a seleção marroquina, que conta com 19 dos 26 convocados nascidos fora do país.
A Real Federação Marroquina de Futebol (FRMF) tem desenvolvido uma rede de captação de jogadores ao longo dos últimos 15 anos, uma iniciativa que faz parte do projeto do Rei Mohammed VI. O monarca, um apaixonado pelo futebol, estabeleceu um centro de formação em 2009, após uma série de resultados insatisfatórios da seleção. Desde então, o Marrocos viu seu futebol crescer exponencialmente, conquistando vitórias em categorias de base e destacando-se na Copa do Mundo do Catar em 2022, onde terminou em quarto lugar.
Neste Mundial, a seleção marroquina é a terceira com mais jogadores nascidos fora do país. Entre os novatos estão Issa Diop, Salah-Eddine e Ayyoub Bouaddi, que trouxeram consigo a história de uma diáspora africana, um fenômeno que impacta milhões de famílias. Estima-se que cerca de 5 milhões de pessoas com ascendência marroquina residam fora do país, principalmente na França, Espanha e Bélgica.
A captação de talentos, sob a liderança do técnico Hervé Renard, tem se mostrado eficaz. Jogadores como Hakimi, Amrabat e Mazraoui optaram por representar Marrocos, atraídos não apenas pela oportunidade de jogar em um grande torneio, mas também pela chance de honrar suas raízes familiares. O movimento em direção à seleção marroquina tem sido visto como uma escolha respeitada por jovens atletas que se destacam nas seleções de base europeias.
“Fiquei surpreso. Não acho que haja muitos centros de treinamento como este no mundo. Temos um time muito bom, todo mundo se dá bem, e tudo está perfeito. Tomei minha decisão e sou muito orgulhoso disso”, declarou Ayyoub Bouaddi.
Além da captação, o Marrocos também investe na formação de jogadores em seu território. O Complexo Mohammed VI, localizado em Salé, oferece infraestrutura de alto nível para jovens talentos a partir dos 12 anos. Com um investimento de 16,8 milhões de dólares, o centro possui dormitórios, refeitórios, salas de aula, academia e campos de treinamento, sendo um local onde a seleção principal também se prepara antes de competições internacionais.
Esse sistema de formação é crucial para o futuro do futebol marroquino, com centros menores em outras cidades, como Casablanca e Fez, garantindo que os melhores talentos sejam aproveitados pelas seleções de base. Recentemente, dois convocados para a Copa do Mundo, incluindo o zagueiro Aguerd, emergiram desse processo, demonstrando que o Marrocos está construindo um legado sólido no cenário do futebol mundial.

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