À medida que a Copa do Mundo se aproxima, a Fifa já celebra um faturamento que bate recordes, acumulando impressionantes US$ 13 bilhões (R$ 65,5 bilhões) no ciclo 2023-2026. Este valor é um marco significativo, considerando que apenas para o ano de 2023, a receita já chegou a 8,9 bilhões de dólares, cerca de 44 bilhões de reais. O evento, programado para ser realizado de 11 de junho a 19 de julho, promete ser um dos mais lucrativos da história do futebol.
Comparando com as edições anteriores, o aumento é notável: um crescimento de 56% em relação ao último torneio realizado no Catar, 67% em relação à edição de 2018 na Rússia e o mais surpreendente, um valor que já dobra a receita da Copa do Mundo de 2014, realizada no Brasil.
Raffaele Poli, diretor do Observatório de Futebol CIES, destaca que a organização conjunta entre Estados Unidos, Canadá e México proporciona uma visibilidade ímpar para os patrocinadores. A ampliação do número de seleções participantes, de 32 para 48, também é um fator crucial, ampliando a audiência e o impacto do torneio.
Entretanto, o crescimento da marca ‘Copa do Mundo’ vai além das mudanças na estrutura do evento. Segundo Poli, a Fifa aperfeiçoou suas estratégias de monetização ao longo das edições, incluindo negociações complicadas sobre direitos de transmissão e a implementação de preços dinâmicos para ingressos, mesmo diante de críticas de torcedores e ações judiciais em diversos países.
Os bilhões gerados pela Copa serão distribuídos em várias frentes. Um total de 3,7 bilhões de dólares (cerca de R$ 18 bilhões) será exclusivamente destinado ao Mundial, e 25% desse montante será alocado para as seleções participantes e clubes que cederem jogadores. O total de prêmios aumentou 15%, alcançando 871 milhões de dólares (R$ 4,3 bilhões), em comparação aos 440 milhões de dólares (R$ 2,2 bilhões) da edição anterior.
Cada seleção garantirá um mínimo de US$ 12,5 milhões (R$ 63 milhões), podendo chegar a 50 milhões de dólares (R$ 252 milhões) para a campeã. Contudo, especialistas alertam que esse aumento na receita pode não compensar os altos custos operacionais, especialmente em relação aos impostos nos Estados Unidos e Canadá. Uma fonte do setor comentou: “Será preciso chegar às quartas de final para ter benefícios”.
Enquanto a Fifa e as seleções fazem seus cálculos financeiros, as cidades-sede enfrentam uma situação delicada. As receitas indiretas prometidas, que incluem notoriedade e desenvolvimento turístico a longo prazo, são difíceis de mensurar. Raffaele Poli observa que, embora as cidades organizadoras tenham assinado contratos que garantem a maior parte dos lucros para a Fifa, elas arcam com os custos de infraestrutura e segurança.
Em um cenário preocupante, a Associação Americana de Hoteleiros (AHLA) alertou que muitas cidades anfitriãs enfrentam reservas aquém do esperado. Fatores como cancelamento de acomodações previamente reservadas pela Fifa e restrições de visto têm impactado a expectativa de turistas. No entanto, Miami, que sediará sete jogos, superou as expectativas de reservas e prevê a chegada de um milhão de visitantes, gerando 9 mil empregos durante um período considerado de baixa temporada. Já o comitê local de Nova York-Nova Jersey, que receberá oito jogos, incluindo a final, calcula um impacto econômico de US$ 3,3 bilhões (R$ 16,6 bilhões) para a região.
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