A pouco menos de um mês do início da aguardada Copa do Mundo de 2026, a preparação das arenas nos Estados Unidos revela um movimento crescente nos bastidores do futebol internacional. Os gramados, que outrora eram vistos apenas como parte da manutenção dos estádios, agora assumem um papel estratégico na operação das grandes arenas esportivas.
Esse fenômeno ganha ainda mais relevância com o perfil das sedes escolhidas para receber o Mundial. Das 16 arenas confirmadas pela FIFA, 11 estão localizadas nos Estados Unidos, onde a maioria opera sob um modelo multiuso, conciliando partidas da NFL, shows, grandes turnês internacionais e eventos corporativos ao longo do ano. Estádios como o MetLife Stadium, que sediará a final da Copa, o Mercedes-Benz Stadium e o SoFi Stadium são exemplos emblemáticos desse modelo de operação contínua.
“A Copa acaba funcionando como um grande termômetro para o mercado esportivo. O modelo americano coloca em evidência uma realidade que já começa a crescer em outros países: arenas operando praticamente todos os dias, com demandas cada vez mais complexas. Isso acelera o olhar do setor para inovação, performance e eficiência operacional”, afirma Heraldo Evans, Diretor Comercial da Recoma.
Essas arenas não apenas recebem jogos da NFL, mas também têm um histórico repleto de grandes eventos internacionais. O MetLife Stadium, por exemplo, já foi palco de um Super Bowl, finais continentais de futebol e grandes turnês musicais. O SoFi Stadium se consolidou como uma das principais estruturas de entretenimento dos Estados Unidos, com capacidade para mais de 70 mil pessoas em eventos esportivos e shows de grande porte. O Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, também mantém um calendário intenso, com jogos da NFL, MLS, shows e eventos universitários ao longo do ano.
A própria configuração da Copa do Mundo reforça essa dimensão operacional. A edição de 2026 será a maior da história do torneio, com 48 seleções e 104 partidas distribuídas entre Estados Unidos, México e Canadá. O AT&T Stadium, em Dallas, será o estádio com o maior número de jogos, com nove partidas previstas, enquanto arenas como MetLife, SoFi e Mercedes-Benz também receberão fases decisivas da competição.
“Em grandes eventos, o gramado precisa responder em alto nível mesmo sob condições extremas de uso. A preparação das arenas exige acompanhamento constante, planejamento técnico e soluções que garantam a estabilidade da superfície durante toda a competição”, destaca Rodrigo Santos, coordenador do Centro de Gramados Esportivos e Inovação da Itograss.
A Copa de 2026 também destaca uma transformação no modelo econômico das arenas modernas. Hoje, os grandes estádios internacionais funcionam como plataformas permanentes de entretenimento e negócios, mantendo um calendário ativo durante praticamente todo o ano. Esse modelo não só amplia receitas com shows e ativação comercial, mas também intensifica a demanda por manutenção, logística e preservação das superfícies esportivas, especialmente em períodos de alta concentração de partidas.
Essa realidade impulsionou a profissionalização do setor de infraestrutura esportiva. Questões como drenagem, irrigação automatizada, monitoramento climático e resistência ao uso contínuo são agora parte integral do planejamento das arenas de alto nível. Os gramados são tratados como elementos estratégicos, fundamentais tanto para a performance esportiva quanto para a operação comercial dos estádios.
“Um evento como a Copa do Mundo, que ocorre em três países diferentes e conta com 48 seleções, exige um novo patamar de planejamento e infraestrutura esportiva”, comenta Anderson Rubinatto, CEO da Goolaço.
No Brasil, a discussão também reflete a realidade de clubes que enfrentam calendários intensos e arenas frequentemente utilizadas, aumentando as exigências sobre gramados e infraestrutura. “A excelência do gramado do Beira-Rio é fruto de um modelo de gestão que une expertise externa e rigor técnico interno”, explica André Dalto, VP de Administração do SC Internacional.

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