A Arena da Amazônia, construída para brilhar durante a Copa do Mundo de 2014, volta a ser tema de discussão no cenário esportivo do Amazonas. Após doze anos da realização do Mundial, o principal estádio do estado se encontra mais uma vez fora de uma decisão envolvendo clubes locais, evidenciando uma realidade preocupante para o futebol amazonense.
Nesta quinta-feira, 28 de maio, a final da Copa Norte entre Nacional-AM e Paysandu não ocorrerá na icônica Arena, que, devido ao estado crítico do gramado, agora está sob a estrutura de eventos como shows. A decisão, que deveria celebrar o futebol local, foi transferida para o Estádio Carlos Zamith, um espaço com capacidade bem menor e sem a mesma grandiosidade.
“O estádio não teria condições de receber uma partida da dimensão da final regional”, lamentou o presidente do Nacional-AM, Saullo Vianna, após uma vistoria que confirmou o desgaste do gramado.
O cenário atual é um reflexo de uma tendência que vem se consolidando há anos: o futebol, que deveria ser o principal atração da Arena, tem perdido espaço para eventos diversos. Durante a Copa do Mundo, a Arena da Amazônia recebeu apenas quatro partidas, mas, mesmo assim, viu o futebol local crescer de maneira surpreendente nos anos seguintes.
Um marco importante ocorreu em 2019, quando a final da Série D do Brasileirão, entre Manaus e Brusque, atraiu 44.896 torcedores, um público recorde que superou até mesmo as partidas do Mundial. Em 2023, outro jogo histórico ocorreu com 44.509 torcedores em uma partida da Série C contra o Botafogo-PB. Apesar desse crescimento, o espaço para o futebol amazonense na Arena tem diminuído drasticamente.
Com a Copa Norte se aproximando, a expectativa era que a final fosse um grande espetáculo na Arena, mas a realidade foi oposta. A prioridade para o uso do espaço foi definida antes mesmo da bola rolar, com um festival de boi-bumbá programado para o fim de semana seguinte. Isso levanta uma pergunta crucial: o estádio que deveria ser um templo do futebol ainda pertence ao futebol?
Além dos problemas de uso, há questões de conservação que vêm se acumulando. Desde 2021, a Arena enfrenta falhas na iluminação, que afetaram a realização de jogos noturnos em outros estádios, como a Colina. Os clubes locais esperavam que a nova administração da Federação Amazonense de Futebol, sob a liderança de Ednailson Rozenha, trouxesse mais atenção e soluções para as questões enfrentadas, mas a falta de posicionamento público diante da retirada de uma final regional da Arena tem gerado frustração.
A situação é emblemática. Em 2023, jogos importantes do Manaus foram retirados da Arena devido a shows, e agora, a final da Copa Norte segue o mesmo caminho. O duelo entre Nacional-AM e Paysandu, que deveria ser um momento de celebração do futebol local, acontecerá no Carlos Zamith, um estádio que comporta apenas cerca de cinco mil torcedores, muito aquém do que a Arena poderia oferecer. O desafio agora é reverter essa tendência e resgatar o protagonismo do futebol no estado.

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