Foto: Globo — uso em caráter informativo.
Nesta quinta (22), o ex-atacante e treinador faleceu após luta contra câncer de pâncreas. Revelado no Fortaleza, atuou em Ceará, Grêmio e Ferroviário e foi referência nas categorias de base do Nordeste.
O futebol brasileiro perdeu, nesta quinta-feira (22), o ex-jogador e treinador Jorge Veras. Aos 67 anos, ele morreu após enfrentar um câncer de pâncreas. Figura lembrada tanto por sua trajetória como atacante quanto pelo trabalho nas categorias de base e no comando técnico de clubes do Nordeste, Veras deixa legado em diferentes praças do futebol nacional.
Trajetória em campo e números
Jorge Veras atuou como atacante e iniciou sua formação na base do Fortaleza. Ao longo da carreira como atleta, passou por clubes do Nordeste e do Sul do país, entre eles Ceará, Grêmio e Ferroviário. No cenário cearense, teve destaque expressivo: foi vice-artilheiro do Campeonato Cearense de 1983, com 26 gols, defendendo o Ferrão. Após a passagem pelo Ferroviário, também se destacou pelo Criciúma.
Sua janela gaúcha ocorreu entre 1987 e 1988, quando defendeu o Grêmio. Foi nesse período que ganhou o apelido de “Homem Gre-Nal” ao se sobressair nos clássicos contra o Internacional, inclusive marcando duas vezes no primeiro duelo que disputou contra o rival e anotando um gol na decisão do Gauchão de 1987, momentos que o tornaram querido pela torcida gremista.
Veras retornou ao Ferroviário na década de 1990, quando se tornou artilheiro da Série C do Campeonato Brasileiro em 1992. Além dos feitos como jogador, acumulou experiência como treinador e auxiliar ao longo dos anos seguintes, atuando em clubes do Norte e Nordeste do país.
Carreira como técnico e formação de atletas
Depois da carreira como atleta, Jorge Veras dedicou parte importante de sua vida à formação de jovens. Teve passagem longa nas categorias de base do Fortaleza, onde permaneceu por nove anos. Em 2016, deixou o trabalho nas divisões de base do clube para assumir a função de auxiliar técnico no Ferroviário.
Como treinador, liderou equipes como Ferroviário, Fortaleza, 4 de Julho, Floresta e Guarany de Sobral. Essas passagens o colocaram em contato direto com a rotina do futebol regional, especialmente nas praças do Ceará e dos estados vizinhos, onde acumulou experiência tanto no comando principal quanto em funções de desenvolvimento de atletas.
“Há mais de 30 anos que eu não vinha a Porto Alegre. É um prazer muito grande conhecer a Arena e relembrar minha passagem pelo Grêmio. Foi uma passagem curta, mas muito vitoriosa. Já no meu primeiro Gre-Nal, marquei os dois gols da vitória e caí nas graças da torcida. Também fiz um gol na decisão do Gauchão de 1987.”
A declaração acima foi feita por Jorge Veras em 2023, em relato sobre suas lembranças da passagem pelo clube gaúcho.
Importância para o futebol nordestino
Embora tenha passagem por um dos grandes clubes do Sul, o legado de Jorge Veras está profundamente ligado ao futebol nordestino. Como atleta, teve papel decisivo no Campeonato Cearense em 1983 e, como técnico e formador, trabalhou por longos períodos em clubes da região. Sua atuação em instituições locais contribuiu para a formação de jogadores e para a sustentação do calendário esportivo regional.
Além disso, sua carreira teve episódios de visibilidade nacional, como a artilharia da Série C em 1992, que reforçou sua imagem de atacante com faro de gol e capacidade de se destacar em diferentes contextos do futebol brasileiro.
O percurso de Veras atravessou rotas comuns a muitos profissionais do Nordeste: passagem pelas divisões de base, contribuição a clubes menores e movimentos entre equipes da própria região e de outras praças do país. Esse histórico o colocou como referência para várias gerações de atletas e treinadores que seguiram trajetórias similares.
O que fica e os próximos passos
Com a confirmação de sua morte, permanece a memória dos gols em clássicos e decisões, as temporadas artilheiras e o trabalho de longa data com jovens jogadores. A carreira multifacetada de Jorge Veras — atleta, artilheiro, treinador e formador — será lembrada por clubes e torcedores dos lugares por onde passou.
Familiares, ex-companheiros, clubes onde atuou e a comunidade do futebol nordestino deverão organizar homenagens e registrar o legado deixado pelo ex-atacante. A continuidade dessas recordações e eventuais tributos formais serão os próximos capítulos da recepção pública ao legado de Jorge Veras.
O falecimento marca o encerramento de uma trajetória iniciada nas categorias de base e consolidada em campanhas de artilharia e em trabalhos de formação. Para o futebol do Nordeste, a perda é de um profissional que transitou entre gerações e contribuiu para revelar talentos e fortalecer equipes regionais.

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