Foto: Globo — uso em caráter informativo.
No dia 8 de novembro, os sócios vão decidir reforma estatutária que amplia de 49% para até 80% a participação negociável em uma SAF. A alteração é condição para avanço das negociações com o grupo SDC Sports.
Os sócios do Santos votarão no dia 8 de novembro uma reforma estatutária que prevê, entre outras alterações, a possibilidade de venda de até 80% de uma eventual Sociedade Anônima do Futebol (SAF). A mudança será decisiva para a continuidade das negociações com o grupo SDC Sports, que condiciona o avanço a alterações no instrumento jurídico do clube.
Desenvolvimento e dados concretos
Desde 2022 o estatuto do Santos já prevê a criação de uma SAF, mas limita a 49% a participação que pode ser negociada com investidores, o que impede a venda de parcela majoritária do futebol. A proposta a ser submetida aos sócios amplia esse limite e autoriza a negociação de até 80% das ações da SAF.
O grupo SDC Sports manifestou interesse em aportar recursos significativos: R$ 1 bilhão diretamente no departamento de futebol e outros R$ 1 bilhão destinados ao pagamento de dívidas, condicionando o aporte à aquisição de 80% da SAF. Em agosto, o Santos assinou um termo de condições com a companhia norte-americana, e a reforma estatutária consta como condição obrigatória para que os investidores apresentem uma oferta vinculante — a proposta final.
Entre março e agosto deste ano, clube e investidores passaram por um processo de due diligence (diligência dupla), para que as duas partes avaliassem a situação financeira e jurídica uma da outra. Mesmo que as alterações estatutárias sejam aprovadas pelos sócios, ainda haverá etapas a cumprir: a proposta definitiva do investidor terá de ser aprovada pelo Conselho Deliberativo e, posteriormente, ratificada pelos associados do clube.
Principais pontos da reforma estatutária
- Venda de SAF: autorização para negociação de até 80% de uma SAF, contra o limite atual de 49%.
- Fim do Comitê de Gestão: o Conselho Deliberativo aprovou a extinção do Comitê de Gestão, colegiado que mantém poderes estatutários sobre a administração do clube.
- Regras eleitorais: foram discutidas mudanças nas exigências mínimas para se candidatar à presidência, como a manutenção da exigência de dez anos de associação e propostas que chegaram a prever a necessidade de dois mandatos no Conselho para disputar o cargo.
Contexto das discussões internas
As alterações vêm sendo debatidas há meses no Conselho do Santos. A votação no órgão foi conduzida em várias sessões, iniciadas em 18 de maio e encerradas em 28 de setembro. Algumas das reuniões registraram protestos de torcedores, especialmente aquelas que trataram das exigências para concorrer à presidência do clube.
“A votação no órgão foi ‘fatiada’ em diversas reuniões, tendo início em 18 de maio e sendo encerradas em 28 de setembro.”
O Comitê de Gestão, cuja extinção foi aprovada pelo Conselho Deliberativo, havia perdido força prática durante a administração do presidente Marcelo Teixeira, que acumulou maior centralidade nas decisões. Ainda assim, o colegiado mantinha poderes estatutários e seguia sendo apontado como responsável pela administração do clube até a proposta de sua eliminação avançar no Conselho.
Calendário e etapas seguintes
- 08/11/2026: votação pelos sócios das alterações estatutárias, incluindo a permissão para venda de até 80% da SAF.
- Após aprovação dos sócios: eventual formalização de oferta vinculante por parte do grupo SDC Sports, condicionada à aceitação dos termos estatutários.
- Etapas decisórias seguintes: aprovação da proposta do investidor pelo Conselho Deliberativo e, se necessária, nova ratificação pelos associados.
- Dezembro de 2026: os sócios do Santos voltarão às urnas para eleger o presidente do clube para os próximos três anos.
O cronograma interno e a exigência de aprovações em diversas instâncias do clube significam que a transformação do Santos em SAF dependerá de múltiplos votos e de condições contratuais que ainda serão negociadas. A assinatura do termo de condições em agosto e o due diligence realizado entre março e agosto deste ano marcam passos preliminares, mas não garantem, por si só, a conclusão do negócio.
O que está em jogo
Além do aporte financeiro ofertado pelos investidores — totalizando potencialmente R$ 2 bilhões se considerados os dois montantes anunciados —, a estrutura de governança do clube será impactada caso a venda de participação majoritária na SAF seja autorizada. A extinção do Comitê de Gestão e a alteração de regras eleitorais indicam uma reformulação ampla da arquitetura interna do clube, com implicações para a autonomia de conselhos e para a dinâmica de tomada de decisões.
Se aprovada, a mudança estatutária abrirá caminho para que o Santos avance nas negociações com o grupo SDC, mas sem eliminar etapas formais: será necessário que uma proposta final seja formalizada e aprovada pelos órgãos competentes do clube.
Nos próximos dias, a atenção da torcida e dos associados estará voltada para a convocação das assembleias, a distribuição de material explicativo sobre as mudanças e o calendário de votações. A data de 8 de novembro marcará um momento decisivo na relação entre o clube e potenciais investidores, enquanto a eleição presidencial de dezembro completará o ciclo de decisões que pode redefinir o futuro do futebol santista.

Siga o Foco no Esporte e acompanhe jogos, resultados e notícias em tempo real.
