Foto: Globo — uso em caráter informativo.
De Campo Grande, o zagueiro de 19 anos quase fechou com o Inter antes de se firmar no Athletico. Após estreia conturbada e mudança de posição, marcou seu primeiro gol e ganhou a convocação à Seleção.
O zagueiro Arthur Dias, de 19 anos, revelou que esteve perto de acertar com o Internacional antes de se firmar nas categorias de base do Athletico e relatou a trajetória de erros, apoio e reviravolta que o levou à convocação para a seleção brasileira. A história do jogador envolve decisões familiares na adolescência, mudança de posição, uma estreia profissional conturbada e o primeiro gol como profissional logo após ser chamado para a seleção.
Trajetória e bastidores
Sul-mato-grossense de Campo Grande, Arthur iniciou no futsal aos seis anos e migrou para o campo na cidade natal, atuando como atacante. Ele chegou a ser aprovado em um teste no Grêmio, mas a impossibilidade de mudança de cidade por conta do emprego dos pais impediu a transferência para Porto Alegre. Em 2019, passou por uma avaliação do Athletico, mas a pandemia de Covid-19 interrompeu o processo e obrigou o jovem a recomeçar.
Aos 14 anos, Arthur teve a alternativa concreta de ir ao Internacional: segundo seu relato, havia quem lhe oferecesse contrato e moradia e que iria também levar seus pais. Ele disse que teve de decidir muito novo e, após refletir, optou por permanecer no Athletico. Em 2022, com 15 anos, ingressou oficialmente nas categorias de base do clube paranaense ainda como atacante. A alteração para a zaga ocorreu por influência de Rodrigo Bellão, que à época integrava a comissão técnica das bases do Athletico.
Mesmo tendo chegado a figurar em uma lista de dispensas nas categorias de base, Arthur consolidou-se como zagueiro nas divisões inferiores, com convocações para seleções de base desde o sub-17. O rendimento nas equipes jovens o colocou na rota da estreia profissional.
A estreia, o erro e o apoio
A primeira oportunidade no time profissional veio durante a Série B de 2025, quando ele entrou no segundo tempo de um jogo contra o América-MG. O Furacão vencia por 2 a 1 até os acréscimos do segundo tempo, mas Arthur cometeu um pênalti em Willian Bigode, que resultou no empate. O episódio foi vivido de forma muito intensa pelo jogador, que descreveu o impacto emocional após o jogo.
“Foi um momento muito difícil para mim. Me senti muito mal, porque eu esperava muito por esse momento. Acho que era para ser. Eu lembro muito bem que no outro dia chegamos em Curitiba e depois do treino eu não aguentei, desabei e comecei a chorar muito.”
Segundo Arthur, o técnico Odair Hellmann ofereceu apoio decisivo para que ele se mantivesse firme. Após a convocação para a seleção sub-20, ele retornou ao clube e, diante de um desfalque na defesa — um zagueiro lesionado e outro suspenso — foi chamado para começar como titular em uma partida na Arena contra o Cuiabá. Depois dessa oportunidade, Arthur afirmou que passou a ser presença constante no time.
“O Odair me deu muito apoio para me manter firme. Depois disso, fui convocado e fiquei uma semana e meia na seleção sub-20. Quando voltei para o clube, tinha um zagueiro machucado e o outro estava suspenso. O Odair falou que ia precisar de mim, que eu estava concentrado e já tinha evoluído bastante. Eu falei que estava preparado.”
Convocação à seleção e primeiro gol
A primeira convocação de Arthur para a seleção principal ocorreu em um momento de renovação do Brasil, após a frustração na Copa do Mundo. A oportunidade veio dias depois da lista para os três amistosos da Data Fifa, e o jovem admitiu ter ficado surpreso e ansioso ao ser incluído na pré-lista e, posteriormente, na lista final. Ele credita a temporada de destaque com o Athletico como razão para a chamada — o clube estava alçado à terceira colocação no Campeonato Brasileiro.
“Eu não tinha escutado nada. Claro que, pela temporada que eu venho fazendo, me falaram que eu tinha chance de ser convocado. Só estava fazendo meu trabalho, tentando dar o máximo pela equipe. Quando descobri que estava na pré-lista, fiquei um pouco ansioso e surpreso, mas muito feliz. No dia da convocação, fiquei ansioso, não sabia exatamente se eu ia ser convocado. Deu aquele frio na barriga, mas eu sabia que seria no tempo certo.”
Dois dias depois do anúncio da lista de Ancelotti, Arthur marcou seu primeiro gol como profissional no clássico contra o Coritiba, atuando pelo Athletico em partida que terminou em empate em 3 a 3 pelo Campeonato Brasileiro. O defensor descreveu o momento do gol como realização pessoal e resultado de muito esforço.
“Um sentimento de muita alegria, porque eu estava esperando muito por esse gol, pedindo muito para Deus para sair meu primeiro gol como profissional e aconteceu tão rápido. No dia 9 saiu a convocação e dia 11 eu consegui fazer meu primeiro gol no clássico. Somente agradecer, fiquei muito feliz e me senti muito privilegiado.”
Referências e próximos passos
Arthur aponta Thiago Silva como referência e ídolo: admira a capacidade do veterano de fazer o simples e, quando necessário, encontrar o passe. O encontro com o camisa 3 do Fluminense é um registro pessoal que demonstra a admiração do jovem zagueiro pela trajetória do jogador consagrado na posição.
A história de Arthur Dias segue em construção: ele se firmou como um dos destaques do Athletico e ganhou visibilidade que culminou na convocação para a seleção. Resta acompanhar a sequência dos amistosos da Data Fifa e como a comissão técnica da seleção irá utilizar o jovem defensor. No plano do clube, a presença consolidada no time principal e o gol no clássico devem fortalecer sua condição de titular nas próximas rodadas do Campeonato Brasileiro.
O próximo passo será a participação de Arthur nas atividades da seleção convocada para os amistosos, além da continuidade de sua rotina no Athletico, onde a adaptação ao profissionalismo e a manutenção do desempenho serão determinantes para sua carreira a curto e médio prazo.

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