Foto: Globo — uso em caráter informativo.
Aos 22 anos, o goleiro do Coritiba será titular do Brasil no amistoso contra a Índia, em Calcutá. A partida será no Salt Lake neste sábado às 11h (Brasília), repetindo um feito do clube após 50 anos.
Pedro Morisco vai entrar para a história do Coritiba neste sábado. Aos 22 anos, o goleiro será titular da seleção brasileira no amistoso contra a Índia, em Calcutá, repetindo um feito que não ocorria havia 50 anos: um arqueiro do Coxa em campo com a camisa do Brasil.
Desenvolvimento: dados e números
A titularidade de Morisco foi confirmada para o amistoso no Estádio Vivekananda Yuba Bharati Krirangan, o Salt Lake, em Calcutá. A partida está marcada para o sábado, às 11h (horário de Brasília). Nos dois primeiros amistosos da chamada Super Data Fifa, Hugo Souza e Otávio foram os goleiros utilizados, respectivamente, no empate por 1 a 1 e na vitória por 4 a 2, ambas partidas contra a Austrália. Agora, com Morisco entre os titulares, o Brasil terá a camisa 23 ocupada pelo jovem do Coritiba.
A última vez que um goleiro do Coritiba começou uma partida pela seleção foi em 28 de abril de 1976, quando Jairo foi titular na vitória por 2 a 1 sobre o Uruguai, no Maracanã, pela Taça do Atlântico. Meio século depois, Morisco terá a oportunidade de ocupar esse mesmo espaço histórico.
A rápida ascensão do goleiro do Coxa tem números que justificam a convocação: desde a estreia como profissional, em 2023, quando entrou em campo diante do Botafogo pelo Brasileirão, Morisco acumula 108 jogos pelo clube. Ele tem contrato com o Coritiba até o fim de 2027 e já recebeu sondagens de clubes como Bahia, Flamengo, Palmeiras e da Atalanta, da Itália. O posto de maior venda da história do clube segue com Igor Paixão, negociado por 8 milhões de euros (cerca de R$ 41,6 milhões na época) por 80% dos direitos econômicos; Morisco aparece entre os atletas com potencial para atingir ou superar esse patamar em futura negociação.
“Quando eu soube que poderia acontecer, já era uma surpresa tremenda para mim, porque significava que consegui pelo menos ser visto. Já estava com essa conquista. Venho de dois anos na Série B. Vamos lutando por alguns objetivos e a gente sonha, mas neste ano eu pensava muito em criar casca, aprender muitas coisas ainda e, quem sabe daqui a um ou dois anos, ser convocado. E aconteceu logo no primeiro ano, foi uma surpresa tremenda. Com certeza foi no tempo certo, no tempo que Deus queria.”
Contexto histórico e atual do Coritiba
O resgate de um goleiro do Coritiba na Seleção sucede um período de reconstrução do clube. Nos últimos anos, o clube paranaense vem se estruturando internamente, com foco em revelar atletas e equilibrar finanças por meio de vendas de jogadores. Morisco relacionou sua convocação a esse processo de reorganização do Coxa, afirmando que deve muito ao clube por ter chegado ao patamar atual.
A situação esportiva do Coritiba no Brasileirão também é componente importante para avaliar o cenário em que Morisco atua. O clube entra na reta final do campeonato precisando somar ao menos nove pontos nas últimas dez rodadas para afastar de vez o risco de rebaixamento. O time vinha de três partidas sem vitória antes desse período decisivo, e a equipe terá pouco tempo de recuperação entre compromissos até o encerramento do torneio, o que aumenta a pressão sobre o elenco e, simultaneamente, realça a relevância de ter jogadores chamando atenção em nível nacional.
No aspecto humano e de formação, o paralelo com Jairo — que chegou ao Coritiba em 1972, conquistou vários títulos estaduais, o Torneio do Povo de 1973 e integrou campanhas importantes ao longo da carreira, além de ser até hoje o jogador com mais partidas pelo clube (410 partidas) — reforça o simbolismo do momento: um goleiro do clube paranaense voltando a ser chamado para a Seleção após cinco décadas.
“A gente sabe da dificuldade. É um clube que vinha passando por momentos não tão bons nos últimos anos, mas sempre revelou muitos atletas e trouxe muitos à Seleção. Não de uma forma direta, mas sim vendendo jogadores cedo e eles depois vindo para a Seleção. Nos últimos dois anos, o Coritiba vem se estruturando, está exigindo muito dos seus atletas e querendo evoluir no cenário nacional. Eu devo muito ao Coritiba por estar aqui. Sem ele, eu não seria nada.”
O que está em jogo e o próximo passo
Para Morisco, a participação como titular na Seleção representa uma oportunidade de atuar em um ambiente diferente do cotidiano coxa-branca e de deixar uma impressão positiva em âmbito internacional. Ele próprio projetou entrega máxima durante o período na Seleção, com foco total nos treinos e no desempenho no amistoso.
“Sou um cara que me dedico demais, demais, demais e nesses 15 dias que estarei aqui, eu vou entregar 200%, 300% do que eu posso, porque é uma oportunidade única que a gente tem de deixar a melhor impressão impossível. O futuro, a gente não controla e não sabe o que acontece, mas estamos aqui no presente, a gente faz o hoje, e espero fazer o meu melhor nos treinos e entregar meus 100% do primeiro ao último segundo do jogo.”
O sábado em Calcutá será, portanto, o próximo passo imediato da história. Além do resultado do amistoso em si, a atuação de Morisco servirá como termômetro para seu futuro no mercado e para o Coritiba, que acompanha atentamente jogadores em destaque enquanto busca somar pontos essenciais no Brasileirão. Ao final da atual temporada, com contrato até 2027, não é descartada a possibilidade de negociação caso surjam propostas compatíveis com as ambições do clube e do atleta.
Em suma, o jogo contra a Índia vai funcionar como palco para um momento de afirmação pessoal de Pedro Morisco e como capítulo simbólico na trajetória recente do Coritiba: meio século depois de Jairo, o Coxa volta a colocar um goleiro como titular da seleção brasileira, em um contexto de reconstrução e também de pressão na reta final do campeonato nacional.

Siga o Foco no Esporte e acompanhe jogos, resultados e notícias em tempo real.
