Foto: Globo — uso em caráter informativo.
Grêmio e Internacional voltam a colocar em jogo uma vaga nas semifinais da Copa do Brasil e, por isso, começam a decidir nesta quinta-feira um dos confrontos eliminatórios nacionais mais raros entre os dois clubes gaúchos. O reencontro entre as equipes resgata memórias e questionamentos sobre a dimensão histórica do clássico, inclusive a comparação com o lendário duelo de 1989 que ficou conhecido como “Gre-Nal do Século”.
Desenvolvimento
Em quase 120 anos de história, Grêmio e Inter se cruzaram em mata-matas além dos limites do Rio Grande do Sul apenas em cinco ocasiões, o que acentua a relevância deste novo confronto na Copa do Brasil. A rivalidade ganhou contornos especiais quando, em 12 de fevereiro de 1989, houve um clássico que entrou para a memória do futebol brasileiro: semifinal do Campeonato Brasileiro de 1988, disputada em mata-matas no início do ano seguinte.
Naquele Gre-Nal decisivo, já considerado singular, o empate em 0 a 0 no jogo de ida no Olímpico levou a disputa ao Beira-Rio. Com um jogador a menos, o Inter venceu de virada por 2 a 1, com dois gols de Nilson, e garantiu vaga na final do Brasileiro de 1988 — alcançando, naquela circunstância, também o passaporte para a Libertadores da época.
A expressão “Gre-Nal do Século” foi criada pelo cronista Lauro Quadros justamente para batizar a magnitude daquela partida de 1989, que decidiu um finalista nacional e teve reflexos na disputa continental. Lauro, hoje com 87 anos e aposentado, segue reconhecido pelo legado dessa e de outras metáforas que ajudaram a definir a rivalidade regional.
“Esses dois Gre-Nais seriam do século se caíssem na grande decisão da Copa do Brasil. Imaginem os dois decidindo o título e, como consequência, garantindo presença na Libertadores da América no ano de 2027? E desde que não estivessem ameaçados pelo rebaixamento, claro. Meu Deus, aí sim seriam Gre-Nais do Século”.
Além da evocação ao clássico de 1989, o cronista também revê outra imagem sua que se tornou popular: a “gangorra Gre-Nal”, usada por décadas para ilustrar a alternância de fases entre as equipes. Segundo ele, a metáfora não está correspondendo ao momento atual.
“Uma das minhas antigas metáforas é a gangorra. Quando um está lá em cima, o outro está lá embaixo. Quando um está lá embaixo, o outro está lá em cima. Mas, desta vez, quebrou a gangorra. Os dois estão lá embaixo. A situação é terrível. Terrível porque há dois clássicos decisivos pela frente em meio à ameaça de baixar para a segunda divisão, para a Série B”.
Contexto
O peso histórico do embate entre Grêmio e Inter é reforçado pela escassez de mata-matas nacionais entre eles: em quase doze décadas de rivalidade, confrontos decisivos em âmbito nacional aconteceram raramente. Além das memórias do Gre-Nal de 1989, a dupla já se enfrentou em outros jogos eliminatórios relevantes: dois confrontos em situações eliminatórias de Copa Sul-Americana, um confronto pela seletiva da Libertadores e uma disputa pelas quartas de final da Copa do Brasil de 1992 — e, segundo o registro histórico desses mata-matas, o Inter saiu vitorioso em todos esses duelos.
Hoje, o que está em jogo é a continuidade na Copa do Brasil e a possibilidade de avançar à semifinal de um torneio valorizado no calendário nacional. O duelo desta quinta-feira no Beira-Rio marcará o primeiro capítulo desta fase da competição entre os dois rivais. Em caráter de mata-mata, a partida tende a ter forte carga emocional, tanto pela raridade do encontro em âmbito nacional quanto pela herança simbólica evoca das edições passadas.
O cronista que cunhou a expressão “Gre-Nal do Século” mantém critérios claros para que um clássico receba esse rótulo: ele entende que seria preciso que os Gre-Nais decidissem um título e, consequentemente, assegurassem vaga na Libertadores, além de uma atmosfera que não envolvesse ambos ameaçados por rebaixamento. Como observou, a situação atual dos clubes — ambos citados como flertando com a parte inferior da tabela do Brasileiro — altera a percepção coletiva sobre a magnitude do confronto, segundo sua avaliação.
Fecho
O primeiro capítulo dessa nova história começa a ser escrito logo mais, a partir das 20h, no Beira-Rio. A partida vai abrir a decisão pela vaga nas semifinais da Copa do Brasil e reacenderá discussões sobre como medir a grandeza de clássicos em contextos distintos. Se a etiqueta de “Gre-Nal do Século” voltará a ser debatida dependerá não só do resultado desta fase, mas também do cenário que os clubes construírem nas próximas semanas em competições nacionais.
No curto prazo, o próximo passo é a realização do duelo desta quinta-feira, cuja definição terá impacto direto na trajetória de ambos na Copa do Brasil. O vencedor seguirá sonhando com a sequência rumo à decisão do torneio; o perdedor terá de lidar com a frustração de uma eliminação diante do maior rival, enquanto a memória do Gre-Nal de 1989 seguirá servindo de parâmetro histórico e ponto de comparação para torcedores, cronistas e analistas.

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