Foto: Globo — uso em caráter informativo.
O Campeonato Piauiense Série B 2026 contará com um pacote de mudanças nas regras de arbitragem herdadas das alterações adotadas na Copa do Mundo de 2026, com foco em reduzir a prática da “cera” e ampliar o tempo de bola rolando nas partidas do torneio de acesso.
As medidas contemplam limites de tempo para cobranças de lateral e tiro de meta, regras específicas para substituições, um período mínimo fora de campo para atletas atendidos e a aplicação do chamado “Protocolo Vini Jr.”. A Federação de Futebol do Piauí (FFP) e a comissão de arbitragem vão orientar clubes e árbitros sobre a implementação dessas novidades antes do início da competição.
Conheça as novas regras
- Arremesso lateral — 5 segundos: a contagem começa quando o jogador tiver a bola em mãos; se o jogador demorar após a contagem visual do árbitro, a posse será entregue ao adversário.
- Tiro de meta — 5 segundos: o árbitro fará a contagem regressiva; se o goleiro exceder esse tempo, o árbitro marcará escanteio a favor do adversário.
- Substituições — 10 segundos: o jogador substituído terá até 10 segundos para deixar o gramado pelo ponto mais próximo de forma célere; caso ultrapasse, o substituto ficará um minuto fora do jogo como penalidade mínima e só poderá entrar após a próxima paralisação.
- Atendimento médico — 1 minuto fora: o atleta atendido em campo deverá sair e permanecer fora por um minuto após liberação; no caso de atendimento ao goleiro, um jogador de linha cumprirá o minuto fora, indicado pelo treinador.
- Interlocução com a arbitragem — apenas o capitão: somente um representante da equipe será o interlocutor oficial com o corpo de arbitragem durante a partida.
- Protocolo Vini Jr. (cobrir a boca): tapar deliberadamente a boca ao discutir com um adversário passará a ser conduta passível de expulsão direta.
- Checagem de cartão pelo VAR: será possível a revisão pelo VAR do cartão que resulta em expulsão por acúmulo de amarelos (segundo cartão amarelo), quando houver sistema disponível.
Como será a implementação
Antônio Santos Nunes, presidente da comissão de arbitragem da FFP, explicou que a expectativa é de que essas mudanças aumentem o tempo de jogo efetivo e inibam a cera. A FFP vai promover treinamentos e ofertar suporte aos clubes interessados, a partir de material e contato direto com a confederação nacional.
“Vamos começar esse Piauiense Série B com essas inovações, e no meu ponto de vista o resultado é muito benéfico. São alterações impactantes no dia a dia do futebol. Isso veio para aumentar o tempo de bola (rolando) e diminuir a famosa ‘cera’.”
“Nós temos a questão das substituições, que hoje o jogador tem 10 segundos para a substituição ser efetuada. Ultrapassando esses 10 segundos, o atleta que vai entrar passa no mínimo um minuto fora, é importante destacar que é o mínimo, porque ele só vai entrar em campo depois da próxima paralisação.”
A FFP informará aos clubes um canal de comunicação direto com a confederação nacional para dúvidas e orientações. Também serão oferecidas palestras sobre as mudanças; o River-PI foi citado como o primeiro clube local a solicitar esse tipo de capacitação.
“A CBF disponibilizou isso para os clubes, porque está sendo implantado nessas competições que estão em andamento e também nas competições que ainda irão iniciar. Nós da Federação vamos disponibilizar um e-mail direto da CBF, se o clube tiver interessado.”
Impactos previstos e fiscalização
A comissão de arbitragem prevê que a adaptação gerará impactos iniciais, dado o histórico de jogos com muitos tempos mortos, mas avalia que a aplicação será positiva para o espetáculo. A checagem de condutas como o ato de tampar a boca será observada com atenção mesmo em jogos sem VAR: os árbitros terão de atuar de forma vigilante e contarão com comunicação por rádio entre os oficiais.
“Infelizmente ainda não temos o VAR, isso é um processo que está sendo trabalhado com a FFP, e não tem como você abrir mão, chegou para ficar. E sobre a regra Vini Jr., vai ser aquilo que os árbitros presenciarem”.
O horizonte de implementação inclui novo processo de treinamento para os árbitros, replicando capacitações feitas para a Copa do Mundo e competições nacionais que já adotaram as mudanças. A expectativa da comissão é que tais treinamentos reduzam excessos na aplicação e evitem que a norma seja um transtorno para atletas e treinadores.
Contexto regional e calendário
As alterações chegam em um momento em que competições nacionais e estaduais seguirão agendas apertadas no segundo semestre. Em âmbito nacional, competições de acesso e fases decisivas de torneios nacionais terão rodadas importantes nas próximas semanas, o que tende a exigir adaptação rápida por parte dos clubes nordestinos que disputam calendários simultâneos. No cenário local, o Piauiense Série B 2026 será o torneio de acesso onde as medidas serão aplicadas, e a FFP trabalhará para que equipes e arbitragem cheguem preparadas ao pontapé inicial.
Para clubes do estado e da região Norte-Nordeste, o desafio será ajustar rotinas de treinamento e orientações internas para evitar punições imediatas, sobretudo nas ações envolvendo substituições, atendimentos médicos e interlocução com os árbitros.
Embora não haja ainda detalhes públicos sobre datas específicas de início do Piauiense Série B 2026 nesta publicação, os próximos passos passam pela capacitação dos árbitros, pelas palestras previstas para clubes interessados e pela publicação de materiais orientativos que deverão ser distribuídos pela FFP em conjunto com a confederação nacional.
O acompanhamento da aplicação prática dessas regras nas rodadas inaugurais do torneio será o próximo capítulo da história: árbitros, clubes e torcedores vão observar se o pacote realmente elevará o tempo de bola rolando e reduzirá as condutas de perda de tempo, como pretendem a FFP e a comissão de arbitragem.

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