Foto: Divulgação — uso em caráter informativo.
Com 32 brasileiros em clubes fora da Inglaterra, o país é o segundo com mais representantes na Premier League 2026/27. Igor Thiago, João Gomes e Rayan lideram times que brigam por vagas europeias e por permanência.
O destaque de jogadores brasileiros em equipes fora do chamado Big Six da Premier League aparece como um fator que pode alterar forças no campeonato inglês na temporada 2026/27. Nomes como Igor Thiago, João Gomes e Rayan representam uma presença significativa do país em clubes que buscam espaço entre os grandes e lutar por vagas europeias ou estabilidade na divisão de elite.
Desenvolvimento — números e situação individual
O Brasil é, na temporada 2026/27, o segundo país com mais representantes entre as 20 equipes da Premier League, excluindo a Inglaterra, totalizando 32 jogadores — atrás somente dos Países Baixos. Desse contingente, 18 atuam em clubes que não pertencem ao grupo de seis gigantes (Arsenal, Chelsea, Liverpool, Manchester City, Manchester United e Tottenham), o que evidencia a distribuição de talento brasileiro por toda a tabela.
No caso mais emblemático, Igor Thiago chega ao próximo período de jogos com metas claras de recuperação pós-Copa do Mundo. Antes do Mundial, ele terminou a Premier League vestindo a camisa do Brentford como unanimidade para a seleção brasileira: disputou todas as partidas pelo clube na última temporada e anotou 22 gols, terminando como vice-artilheiro do torneio, atrás apenas de Erling Haaland. Além disso, Igor Thiago superou o recorde de brasileiro com mais gols em uma única edição da Premier League.
A trajetória recente do atacante traz nuances. Titular na estreia pela seleção brasileira, ele não voltou a ter oportunidades até a eliminação diante da Noruega na competição internacional, e iniciou a pré-temporada precisando retomar o nível exibido em 2025/26. Em duas partidas nesta pré-temporada, contra Rennes e Eintracht Frankfurt, Igor Thiago marcou três gols e deu uma assistência — incluindo participação decisiva na vitória por 7 a 0 sobre a equipe alemã. No Brentford, ele poderá encontrar novamente Gustavo Nunes, que retorna ao clube após período emprestado ao Swansea City.
Outro caso de concentração brasileira fora do Big Six é o Nottingham Forest, que possui o maior número de brasileiros entre essas equipes: cinco nomes. Murillo, zagueiro contratado junto ao Corinthians em 2023, é apontado como o nome de maior projeção do grupo brasileiro no clube inglês e esteve na mira da seleção brasileira ao longo dos últimos anos, sem, porém, integrar a lista final para a última Copa do Mundo. No elenco do Forest também constam Igor Jesus, Jair Cunha, Morato e o goleiro John. Com exceção deste último, os demais são tratados como titulares no esquema tático do time.
Contexto que amplia a leitura
Historicamente, a Premier League é associada ao domínio do Big Six, e a vitória de um clube fora desse núcleo foi algo raro nas últimas temporadas. O Leicester City foi a última equipe a quebrar esse padrão ao conquistar o título em 2015/16 — e o clube, hoje, encontra-se em situação distinta dentro do futebol inglês, disputando a terceira divisão nacional. Ainda assim, a presença de clubes como Aston Villa, Brentford e Bournemouth entre os classificados para competições europeias na última temporada demonstra que times fora da elite conseguem, pontualmente, incomodar os gigantes.
Para as equipes fora do Big Six, o que está em jogo em 2026/27 passa por dois vectores principais: a luta por vagas nas competições continentais e a manutenção de condição financeira e esportiva que permita competir no mais alto nível. A presença de potenciais decisores brasileiros nos elencos pode ser vista como um investimento em capacidade técnica e capacidade de vendas futuras no mercado internacional — fatores que, combinados, alteram o equilíbrio competitivo do campeonato.
Do ponto de vista de seleção nacional, a performance destes jogadores na liga inglesa também tem impacto direto: temporadas de alto rendimento podem gerar convocações e novas oportunidades em competições oficiais. No caso de Igor Thiago, a cobrança por recuperação de desempenho se mistura com a possibilidade de consolidar a trajetória que o levou a figurar entre os artilheiros do campeonato.
O que está por vir
Ao longo da temporada 2026/27, será necessário acompanhar se esses elencos com brasileiros conseguem traduzir a influência individual em resultados coletivos consistentes. Clubes como Brentford e Nottingham Forest têm em mãos material humano e técnico que pode fazer diferença em partidas pontuais e, eventualmente, na disputa por posições intermediárias da tabela que dão acesso a torneios europeus.
Do lado dos jogadores, a ênfase estará na manutenção de rendimento, adaptação tática e resistência física diante de um calendário exigente. Para os clubes, a gestão dessas peças brasileiras e a integração com contratações vindas de outras praças serão elementos decisivos para que a ambição de incomodar o Big Six não fique apenas na retórica, mas se traduza em presença mais frequente nas zonas altas da classificação.
Nos próximos capítulos desta temporada, será possível medir até que ponto a presença numerosa de brasileiros fora do grupo de seis grandes servirá como diferencial competitivo ou se continuará sendo um atrativo individual, sem efeito transformador na luta pelo topo da Premier League.




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