Foto: Agência Brasil/EBC — uso em caráter informativo.
Hoje, a seleção argentina entra em campo para um dos jogos mais esperados da Copa do Mundo. Às 16h (horário de Brasília), em Atlanta, os atuais campeões enfrentam a Inglaterra nas semifinais, com o sonho de conquistar seu quarto título mundial. Os hermanos buscam repetir a façanha apenas alcançada por Itália e Brasil, que venceram a competição em edições consecutivas.
A trajetória da Argentina é marcada por uma impressionante metamorfose. Durante quase três décadas, a seleção enfrentou um jejum angustiante de títulos. Para compreender essa transformação, é necessário voltar no tempo, especificamente para a Copa do Mundo de 2018, na Rússia, e a Copa América de 2019, no Brasil. Embora aquela Copa América tenha sido conquistada pelos anfitriões, a Argentina voltou para casa com a sensação de que algo monumental estava prestes a acontecer.
A seleção argentina teve um desempenho decepcionante na Copa de 2018. A fase de grupos foi repleta de desafios, começando com um empate frustrante contra a Islândia, onde Lionel Messi perdeu um pênalti. A derrota por 3 a 0 para a Croácia, marcada por falhas defensivas, acentuou a crise na equipe.
Após esse revés, o técnico Jorge Sampaoli enfrentou a insatisfação do elenco, liderado por Messi e Javier Mascherano, que exigiam mais participação nas decisões. A vitória sobre a Nigéria manteve a esperança viva, mas a eliminação nas oitavas de final para a França adiou mais uma vez o sonho do tri.
Com a saída de Sampaoli, a Associação de Futebol Argentino (AFA) enfrentou um período de incerteza, até que Lionel Scaloni e Pablo Aimar foram nomeados interinos. Scaloni, sem experiência anterior como treinador, foi alvo de críticas severas, incluindo de Diego Maradona, que duvidou de sua capacidade.
O ano de 2019 mostrou-se crucial para a Argentina, que participou da Copa América com um elenco renovado. Apenas 10 dos 23 jogadores que estavam na Rússia permaneceram, e muitos estreantes se mostraram promissores. No entanto, a competição começou de forma difícil, com uma derrota para a Colômbia e um empate contra o Paraguai. A vitória sobre o Catar garantiu a classificação, mas a eliminação para o Brasil nas semifinais deixou os argentinos frustrados e em um ciclo sem títulos, com Messi se tornando a voz da indignação.
“Nós criamos um grupo a partir da união e quero que nos fortaleçamos cada vez mais. Este grupo pode mais e dará muito mais frutos”, declarou Scaloni após a conquista do terceiro lugar.
Ele estava certo. Na edição seguinte da Copa América, em 2021, a seleção argentina, agora mais entrosada e determinada, conquistou o título sob a liderança de Scaloni. A vitória sobre o Brasil, com um gol de Di Maria, não apenas quebrou um jejum de 28 anos, mas também deu a Messi seu primeiro troféu com a seleção principal, solidificando a nova era conhecida como ‘Scaloneta’.
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