Foto: Divulgação — uso em caráter informativo.
As 55 associações da UEFA votaram por não participar de torneios da Fifa enquanto a entidade discute criar uma empresa privada para gerir competições. A decisão põe em dúvida o Mundial feminino no Brasil.
A Uefa anunciou nesta quinta-feira, 30 de julho de 2026, um boicote a torneios da Fifa, em resposta à proposta da entidade máxima do futebol de criar uma empresa para gerenciar competições e vender ações a investidores privados. A decisão foi unânime entre as 55 associações-membro da Uefa, que não participarão de qualquer competição da Fifa enquanto a proposta estiver em discussão.
O Brasil será o anfitrião da Copa do Mundo feminina em 2027, e a posição da Uefa pode impactar significativamente o evento. A proposta da Fifa, revelada na última terça-feira, sugere a fundação de uma empresa privada encarregada da organização e comercialização de todos os torneios da entidade. Gianni Infantino, presidente da Fifa, argumentou que essa iniciativa poderia aumentar o repasse financeiro para cada federação associada, de 8 milhões para 20 milhões de dólares, com uma arrecadação total estimada em 4,2 bilhões de dólares (aproximadamente 21,5 bilhões de reais).
Em um comunicado oficial, a Uefa expressou sua posição contrária à proposta, afirmando que “a Copa do Mundo não pode ser tratada como um produto de investimento”. A entidade considera que o torneio é um legado esportivo construído ao longo de gerações e deve ser protegido de investimentos privados. A Concacaf e a AFC, confederações da América do Norte e da Ásia, também expressaram apoio à Uefa, unindo forças para formar uma oposição significativa contra a proposta da Fifa.
“A UEFA e suas 55 associações-membro estão unidas. Rejeitamos, de forma unânime e inequívoca, a proposta da FIFA de transferir participações na propriedade da Copa do Mundo e de outras competições da FIFA para investidores privados”, disse a entidade em seu comunicado.
A Uefa também criticou o processo que levou à proposta, descrevendo-o como irresponsável e indefensável. A entidade afirmou que a Fifa, como guardiã do futebol mundial, falhou em consultar adequadamente aqueles que são responsáveis por zelar pelo esporte. A Uefa considera que o atual cenário apresenta um ultimato para associações nacionais ao redor do mundo: aceitar a apropriação irreversível das principais competições do futebol ou enfrentar as consequências dessa decisão.
Além disso, a Uefa ressalta que a oposição vai além do processo de tomada de decisão, indicando que há preocupações mais profundas sobre a comercialização do futebol e seu impacto sobre o futuro do esporte. As vozes contrárias à proposta se intensificam, e a luta por um futebol mais justo e acessível continua, à medida que as federações se mobilizam para proteger o legado das competições.
O boicote da Uefa pode ter repercussões significativas, especialmente para a próxima Copa do Mundo feminina, já que a ausência de seleções europeias pode afetar a competitividade e a visibilidade do torneio. Com isso, a pressão sobre a Fifa aumenta, e a entidade precisará reconsiderar sua abordagem para evitar um racha maior com as confederações que compõem o futebol mundial.
O próximo passo será observar como a Fifa responderá a essa forte oposição e se haverá espaço para um diálogo que possa resolver as tensões atuais. A situação se desenrola em um momento crítico para o futebol, onde o equilíbrio entre lucro e legado continua a ser um tema de debate intenso entre as principais entidades do esporte.
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