Foto: Globo — uso em caráter informativo.
O time tricolor faturou o título após empate por 1 a 1 com o Corinthians na final. A goleira Carlinha defendeu pênalti de Gabi Zanotti e a vitória coroou sete anos de investimento na base.
O São Paulo conquistou o Brasileirão Feminino após empatar por 1 a 1 com o Corinthians na final, desbancando o rival que dominou a categoria na última década. A vitória mostrou a maturidade de um projeto iniciado com a reabertura do departamento feminino sete anos atrás e consolidou a aposta do clube na formação de jogadoras como caminho para chegar ao topo do país.
Detalhes da decisão e nomes decisivos
O confronto decisivo terminou em São Paulo 1 x 1 Corinthians. Na decisão que selou o título nacional, a goleira Carlinha teve papel determinante ao defender um pênalti de Gabi Zanotti, ação destacada como crucial para a conquista do troféu. Carlinha está no clube desde 2019 e acompanhou toda a trajetória de crescimento do time até o título.
“Bati quatro vezes na trave com esse time, mas o futebol sempre te dá uma chance de ser diferente. Hoje, apesar do erro no primeiro gol, dentro do jogo você sempre tem uma nova oportunidade”
O treinador Thiago Viana também foi lembrado como peça central do trabalho. Ele assumiu o comando em 2023 e detém o recorde de jogos no comando da equipe feminina do clube. Em entrevista após a partida, Viana avaliou o projeto e o percurso até o título.
“Isso é o DNA do clube, o que é ser São Paulo: valorizar as categorias de base. No futebol feminino, tem times com mais poder financeiro e que não investem na base como o São Paulo. O clube é um exemplo para a modalidade”
Como o clube chegou até aqui: formação, continuidade e estrutura
O título é o resultado de uma estratégia que priorizou a formação de jogadoras em vez de grandes investimentos pontuais no mercado. Do elenco que conquistou o Brasileirão, 14 atletas foram formadas nas categorias de base do São Paulo, evidenciando a aposta no desenvolvimento interno.
O trabalho de base vinha dando sinais claros de evolução antes da temporada campeã. Em 2025, o clube faturou títulos nas categorias de formação, vencendo competições estaduais nas categorias menores, confirmando o fluxo de talentos que atingiria o elenco profissional.
Títulos de base em 2025
- Paulista Sub-15
- Paulista Sub-17
- Paulista Sub-20
Além da articulação nas categorias de base, a evolução passou pela profissionalização da comissão técnica e pela ampliação da estrutura: inclusão de nutricionista, fisiologista, novas tecnologias e melhorias nas condições de campo e treinamento. Também houve reforços na área de apoio psicológico: em setembro de 2026, o clube contratou a psicóloga Djara Fortes, que trabalhou por uma década no time feminino do Corinthians.
Internamente, a permanência de Thiago Viana frente a propostas de outros clubes e seleções foi vista como um fator de continuidade capaz de manter a trajetória de crescimento. O treinador destacou a mescla entre atletas formadas na base e jogadoras com mais experiência como um dos pontos que permitiu a equipe almejar e conquistar títulos.
“Sabíamos que a construção levaria alguns anos, mas que, em algum momento, íamos conseguir mesclar a base com atletas mais experientes e conquistar títulos, além de trazer o público. Isso se retroalimenta com títulos. Fiquei feliz de ver o orgulho do torcedor… Mas esse é o ponto: é só o começo”
Retrospecto recente e importância do título
Desde o retorno do clube à elite nacional, em 2019, o São Paulo vinha em uma trajetória de progressão e consolidação no cenário brasileiro. O desempenho nas edições seguintes reforçou a crescente competitividade da equipe, que colecionou colocações relevantes antes de alcançar o título máximo em 2026.
Posições do São Paulo no Brasileirão desde 2019
- 2019: ingresso na elite nacional (retorno ao cenário)
- 2020: 3º colocado
- 2021: 5º colocado
- 2022: 4º colocado
- 2023: 4º colocado
- 2024: vice-campeão
- 2025: 4º colocado
O título de 2026 representa, além do troféu, a confirmação de um projeto que levou anos para se consolidar e que agora ocupa o topo do país. A conquista também tem impacto simbólico por interromper a sequência de domínio do Corinthians na última década, mostrando que estratégias de formação podem rivalizar com modelos baseados em maior poder financeiro.
O que está em jogo agora e o próximo compromisso
Apesar do Brasileirão já decidido a favor do São Paulo, a temporada ainda reserva um desfecho em outra competição importante: a equipe segue na disputa da Copa do Brasil Feminina e está nas quartas de final, onde enfrentará o Bahia. Essa sequência mantém em aberto a possibilidade de conquistar mais um título na temporada e amplia a dimensão do sucesso alcançado no campeonato nacional.
Para o torcedor e para o projeto do clube, os próximos capítulos incluem a tentativa de transformar o êxito no Brasileirão em uma base permanente de conquistas e presença de público, além de consolidar a geração de jogadoras formadas internamente como diferencial competitivo. A partida contra o Bahia nas quartas de final da Copa do Brasil Feminina será o primeiro teste imediato para medir a força do elenco diante de compromissos eliminatórios.
Em linhas gerais, o troféu nacional coroou um processo que misturou paciência, planejamento e profissionalização. A confirmação de 14 atletas da base no grupo campeão, as contratações pontuais de apoio técnico e a manutenção do comando técnico traduzem uma receita que agora ganhou uma grande validação: o São Paulo é campeão brasileiro feminino e começa a escrever a próxima fase de sua história com novos desafios pela frente.

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