Foto: Reuters — uso em caráter informativo.
Roberto Rosetti reuniu árbitros das ligas europeias para limitar excessos no uso do VAR. Ele defendeu usar a tecnologia só para corrigir erros claros, evitando decisões 'microscópicas' e respeitando o contexto.
Roberto Rosetti, chefe de arbitragem da Uefa, convocou árbitros de ligas europeias para discutir o uso do VAR, ferramenta que gerou controvérsias nas últimas temporadas. Em um encontro com representantes das principais ligas, Rosetti expressou sua preocupação com o uso excessivo da tecnologia, enfatizando que o VAR deve ser utilizado apenas para corrigir erros graves durante as partidas.
Durante o evento, o ex-árbitro, que apitou a final da Eurocopa de 2008, destacou a importância do contexto em que as jogadas ocorrem e afirmou:
“Queremos evitar situações microscópicas. O contexto é muito importante. Isto é futebol, não é PlayStation. Temos de ter muito cuidado.”
A crítica de Rosetti também se estende ao tempo de jogo perdido com as checagens do VAR, que, segundo ele, tem impactado negativamente a dinâmica das partidas. Além disso, ele mencionou que muitos jogadores têm simulado situações para forçar a análise do VAR, o que compromete a integridade do jogo.
“Queremos regressar à origem do VAR, não estamos satisfeitos com este tipo de utilização. Queremos tentar recuar um pouco e colocar novamente os árbitros no centro”, afirmou Rosetti, reforçando a necessidade de uma padronização nas decisões de arbitragem em toda a Europa.
A reunião contou com a participação de árbitros de destaque da Inglaterra, Espanha, Alemanha, França e Itália. O objetivo é que essa padronização se reflita nos torneios continentais, assegurando uma maior consistência nas decisões durante as competições.
Uma das novidades anunciadas durante o evento foi a criação da plataforma Clear Line, que estará disponível no site da Uefa. Essa ferramenta permitirá que torcedores tirem dúvidas sobre quais lances podem ou não ser checados pelo VAR, promovendo maior transparência e entendimento sobre a utilização da tecnologia.
O debate sobre o VAR se intensificou em várias ligas ao redor do mundo, incluindo o futebol brasileiro, onde a CBF implementou novas regras para aumentar o tempo em que a bola está rolando e combater o antijogo. Essas mudanças, que entrarão em vigor a partir da 23ª rodada do Brasileirão, visam proporcionar um jogo mais dinâmico e menos interrompido, refletindo uma tendência global de aprimorar a experiência do torcedor.
No contexto europeu, a discussão sobre o VAR se torna ainda mais relevante com o início das competições de clubes. A pressão por decisões corretas e rápidas é uma necessidade crescente, e as ligações entre árbitros e a Uefa buscam atender a essas demandas. Rosetti e sua equipe estão cientes de que a aceitação do VAR depende também da forma como ele é administrado.
As críticas ao VAR não são exclusivas da Uefa. Em outras partes do mundo, como na América do Sul, a adoção da tecnologia também é debatida, especialmente no que diz respeito à sua eficiência e eficácia em diferentes contextos de jogo. Clubes e torcedores esperam que as discussões levem a melhorias significativas na forma como o futebol é arbitrado.
À medida que as competições se aproximam, a Uefa e suas ligas estão atentas à recepção do VAR por jogadores e torcedores. O desafio será equilibrar a tecnologia com a essência do futebol, garantindo que a experiência do espectador não seja comprometida.
O próximo passo da Uefa será monitorar a implementação das novas diretrizes e avaliar sua eficácia nas próximas temporadas. O objetivo é garantir que o VAR sirva verdadeiramente para corrigir erros claros e relevantes, mantendo a fluidez do jogo e fortalecendo a confiança dos torcedores nas decisões dos árbitros.

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