Foto: Globo — uso em caráter informativo.
Morreu há dez anos o treinador que levou o São Raimundo ao primeiro título da Série D. De Santarém a clubes no Brasil e Portugal, sua trajetória superou o acidente que encerrou a carreira de jogador.
Há dez anos sem Lúcio Mota Matos — conhecido como Lúcio Santarém — o futebol do Norte do país recordou a carreira de um profissional que construiu passagem dos campos amadores de Santarém a palcos nacionais e internacionais e que se consagrou como treinador ao levantar a primeira edição da Série D do Campeonato Brasileiro.
Nascido em 28 de novembro de 1956, em Santarém (a “Pérola do Tapajós”), Lúcio teve uma trajetória marcada por superação: jogador profissional desde 1976, passou por clubes no Brasil e em Portugal, sofreu acidente que encerrou sua carreira prematuramente e reconstruiu seu caminho como gestor de estádio e treinador, culminando no título histórico com o São Raimundo em 1º de novembro de 2009, quando a equipe venceu o Macaé-RJ por 2 a 1 em Santarém.
Do início em Santarém aos gramados internacionais
A carreira de atleta de Lúcio começou no futebol amador local e ganhou contornos profissionais em 1976, quando assinou com o Esporte Clube Santarém. A partir daí, o percurso o colocou em clubes de destaque no Norte e no restante do país, além de uma experiência no futebol europeu.
- Esporte Clube Santarém: profissionalizado em 1976.
- Clube do Remo: atuou até 1979.
- Ceará: teve passagens em 1980, 1981 e 1985.
- Rio Negro-AM: defendeu o clube em 1980 e 1986.
- Vitória de Guimarães (Portugal): atuou entre 1981 e 1983.
- Portimonense (Portugal): atuou entre 1983 e 1984.
- Esporte Clube Bahia: retorno ao Brasil em 1984 e campeão estadual.
- XV de Jaú: atuou em 1985.
Esses passos mostraram um jogador que transitou entre diferentes cenários do futebol brasileiro e europeu, acumulando experiência que viria a ser relevante na carreira de técnico e gestor.
O drama do acidente e a aposentadoria precoce
Em 1986, a vida de Lúcio mudou radicalmente. Enquanto defendia o Atlético Rio Negro Clube, a delegação sofreu um acidente: o ônibus que transportava o time despencou em uma ribanceira. Lúcio foi o jogador mais atingido. Com múltiplas fraturas nas pernas, joelhos, clavícula, braços e rosto, viu-se obrigado a encerrar a carreira como atleta aos 29 anos.
Apesar do fim precoce no gramado, Lúcio não se desligou do futebol. Inseriu-se na administração do estádio local, o Colosso do Tapajós, e iniciou nova etapa como treinador, aplicando a vivência acumulada como jogador em trabalhos na beira do campo.
Transição para dirigente e treinador — o auge com o São Raimundo
Como técnico, Lúcio comandou clubes tradicionais da região e teve papel central na construção de projetos locais. Entre as equipes que orientou estavam Tuna Luso, São Francisco e São Raimundo. Foi com o São Raimundo que alcançou o ponto mais alto da carreira no banco.
No dia 1º de novembro de 2009, em Santarém, Lúcio dirigiu o São Raimundo na conquista da primeira edição da Série D do Campeonato Brasileiro. A vitória por 2 a 1 sobre o Macaé-RJ, diante da torcida santarena, ficou marcada como um dos maiores momentos do clube e do futebol do Norte naquele ciclo.
Dez anos após sua morte, a memória de Lúcio Santarém continuou sendo lembrada como símbolo de paixão pelo futebol, resiliência diante das adversidades e dedicação ao desenvolvimento do esporte na região amazônica.
Contexto e legado que a cobertura inicial não detalhou
O percurso de Lúcio traz pontos que ajudam a entender sua importância para o futebol do Norte e do Pará. A construção de uma carreira que passou do amadorismo local ao futebol português refletiu um padrão de profissionais da região que buscavam oportunidades fora do estado para crescer tecnicamente. Sua experiência em clubes de diferentes estados brasileiros também mostrava uma rede de relações e conhecimento tático que ultrapassava fronteiras regionais.
Na condição de gestor do Colosso do Tapajós e depois como treinador, Lúcio contribuiu para estruturar ambientes de trabalho e para a formação de atletas locais, uma atuação que repercutiu além das vitórias imediatas: deu visibilidade ao futebol santareno em momentos em que conquistas nacionais eram mais raras para clubes de cidades do interior amazônico.
O título da Série D em 2009 representou, além da glória esportiva, um capítulo de afirmação para o São Raimundo frente às competições nacionais. Para a comunidade local, aquela conquista foi interpretada como a chegada de um clube do Norte ao mapa do futebol brasileiro, um feito para a história da cidade e da região.
Fecho: o próximo capítulo da lembrança
Passados dez anos, o que permanece é a memória do homem que transitou por campos, estádios e bancos de reserva e que deixou registro concreto em uma conquista que ainda é celebrada em Santarém. O próximo passo da história dependerá das iniciativas de clubes, torcedores e autoridades locais em preservar e difundir essa memória — seja por meio de acervos, eventos comemorativos ou programas formativos que mantenham vivo o impacto do seu trabalho no desenvolvimento do futebol regional.
Assim, a trajetória de Lúcio Santarém segue como referência para quem busca exemplos de superação e de dedicação ao esporte no Norte do país, lembrada por profissionais e apaixonados que viram em sua carreira um roteiro de persistência e amor pelo futebol.

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