Foto: Globo — uso em caráter informativo.
No CT Ribamar Bezerra, em Maracanaú, meninas de vários municípios enfrentam longos deslocamentos para treinos do projeto. O Fortaleza, campeão do Cearense Feminino 2025, fortalece a base e amplia a visibilidade do futebol feminino.
Embalado pela visibilidade do futebol feminino, o projeto social Leoas do Futuro, do Fortaleza, vem abrindo portas para meninas de vários municípios da região metropolitana treinarem no Centro de Treinamento Ribamar Bezerra, em Maracanaú. O esforço das famílias e a rotina de deslocamentos mostram como a formação nas categorias de base ganha espaço no Nordeste, enquanto o clube mantém o status de campeão do Cearense Feminino em 2025.
Desenvolvimento
As atividades do projeto ocorrem às terças e quintas-feiras no CT de Maracanaú, onde jovens atletas se reúnem para treinos coordenados por profissionais do clube. Entre as participantes estão Gabriele da Silva, de 16 anos, e Ester Isabele, de 9 anos, que viajam com a mãe, Elivane da Silva, para participar das sessões de treino. A família manda-se nos deslocamentos entre município e CT seguindo uma rotina fixa de treinamento.
A história de Gabriele e Ester começa dentro de casa, alimentada pelo convívio familiar com a bola: o irmão mais velho jogou quando criança, e o interesse passou para as filhas, que insistiram para poder treinar. Em 2022, Gabriele iniciou sua trajetória nas atividades organizadas e, desde então, passou a alimentar o sonho de integrar categorias de base e disputar competições como o Campeonato Cearense e a Copa do Nordeste, além de almejar a seleção brasileira feminina.
“Meu irmão jogou bola desde pequeno, quando ele parou, eu tinha prometido para mim mesma que eu ia jogar por mim e por ele, ia realizar o sonho por nós dois. Comecei a jogar em 2022, foi a partir dali que o amor pelo futebol aumentou.”
— Gabriele da Silva.
Um momento marcante na trajetória de Gabriele ocorreu em junho, durante o amistoso entre Brasil e Estados Unidos realizado na Arena Castelão. A jovem guardou a experiência como um encontro próximo às jogadoras e, em particular, à referência da camisa 10, Marta. Em suas referências pessoais também estão jogadoras como Kerolin, Angelina e a [Vitória] Yaya.
Outra família envolvida no projeto é a de Jefferson dos Santos, taxista, que acompanha a filha Jessyka Vitória, de 13 anos, nos treinos. Jefferson destacou o orgulho em ver a filha vestindo as cores do clube, lembrando que tentou vaga em testes quando jovem e não conseguiu. Jessyka, que acumula funções como zagueira e lateral-direita, começou na escolinha aos sete anos e mantém o objetivo de jogar profissionalmente.
“Acompanhei desde o início, sempre incentivei ela. Eu venho de coração mesmo, porque eu tentei, eu fiz testes e não consegui passar e hoje minha filha está aqui num grande clube. Isso é um sonho prazeroso, estou muito realizado.”
— Jefferson dos Santos.
Ao lado da proximidade geográfica com a Arena Castelão — um dos oito palcos da Copa do Mundo Feminina de 2027 —, a família já planeja maneiras de acompanhar as partidas do mundial na capital cearense. Jessyka mantém ambições pessoais de carreira:
“Meu sonho é ganhar bem na vida, ser uma pessoa digna e conseguir realizar meu desejo que é jogar futebol profissionalmente. Eu não vou conseguir mais, mas o meu sonho é jogar com a Marta, a Formiga e a Millena Guedes.”
— Jessyka Vitória.
Outra rotina de deslocamento pesa ainda mais: as gêmeas Nathally e Thallya, de 11 anos, saem do bairro Lagoinha, no Eusébio, e percorrem mais de 25 quilômetros para chegar aos treinos em Maracanaú. A mãe, Natália Ribeiro, organiza a saída de casa às 7h30 para que as filhas cheguem ao CT às 9h, horário de início das atividades. O trajeto pode levar mais de uma hora e é feito com o apoio de amigos motoristas, aplicativos ou o próprio transporte dos pais.
“As minhas duas filhas hoje são muito dedicadas aos jogos no projeto. Elas chegam em casa e ficam com chute pra lá e pra cá, só a zoada da bola nas paredes. Elas têm muita força de vontade, elas falam ‘um dia a mãe vai ver a gente levantar uma taça’.”
— Natália Ribeiro.
As gêmeas jogam juntas desde os seis anos. Thallya tem como ídolo Neymar, enquanto Nathally prefere o estilo de Cristiano Ronaldo. As trajetórias das meninas ilustram um panorama mais amplo: o futebol feminino no Ceará e no Nordeste ganha corpos e rostos por meio de iniciativas que conectam formação esportiva, convivência familiar e expectativas de futuro.
Contexto
O projeto Leoas do Futuro integra a movimentação do futebol feminino no clube que conquistou o título do Campeonato Cearense Feminino em 2025. A realização de amistosos internacionais e a escolha de palcos da Copa do Mundo Feminina de 2027 na região — como a Arena Castelão — aumentam a exposição do esporte e surgem como referências para meninas que hoje frequentam escolinhas e projetos sociais.
Para muitas famílias, a participação no projeto significa mais do que o aprendizado de fundamentos técnicos: é um espaço de desenvolvimento pessoal, disciplina e convívio comunitário. As histórias reunidas no CT mostram rotinas de deslocamento, sacrifício e esperança, sem prometer um caminho garantido ao profissionalismo, mas oferecendo formação e visibilidade às atletas em formação.
No cenário local, iniciativas como essa podem ampliar o número de jovens na base feminina e, no médio prazo, colaborar para a manutenção do nível competitivo do clube nas competições estaduais e regionais.
Fecho
O próximo passo no cotidiano dessas meninas é manter a frequência aos treinos às terças e quintas-feiras no CT Ribamar Bezerra, em Maracanaú, e seguir a formação oferecida pelo projeto Leoas do Futuro. Para as famílias, o desafio segue sendo conciliar horários, deslocamentos e compromisso com a escola, enquanto as atletas alimentam sonhos simples e grandiosos: levantar taças, jogar em grandes estádios e, quem sabe, representar seleções no futuro.
As trajetórias reunidas no projeto serão acompanhadas por quem observa o crescimento do futebol feminino no Nordeste: mais do que resultados imediatos, pesa o investimento em formação e a construção de referências que inspiram a próxima geração.

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