Foto: Globo — uso em caráter informativo.
Goleiro paraibano superou tratamento contra linfoma de Hodgkin e foi convocado para a Copa América de futebol de cegos em São Paulo (5 a 12/9). Após o bronze em Paris 2024, ele retoma os treinos com foco no título.
O goleiro paraibano Matheus Costa retornou à seleção brasileira de futebol de cegos após vencer um linfoma de Hodgkin e será uma das peças do time na Copa América da modalidade, marcada para acontecer entre os dias 5 e 12 de setembro, em São Paulo.
Desenvolvimento
O retorno de Matheus à seleção tem um peso adicional por se tratar da volta de um atleta que enfrentou um tratamento longo e agressivo. Após conquistar a medalha de bronze nos Jogos Paralímpicos de Paris, em 2024, o goleiro recebeu o diagnóstico de linfoma de Hodgkin. Os primeiros sintomas apareceram quando ele retoma os treinos, ao voltar de Paris com o corpo debilitado e sinais de fadiga que foram se intensificando.
“Eu volto de Paris bem debilitado, achava que era devido à nossa alimentação em Paris e depois voltei a treinar normalmente. Depois tive uma fadiga muscular bem séria, que eu não conseguia fazer força nas pernas.”
Durante cerca de um ano, Matheus passou por 12 sessões de quimioterapia e 20 de radioterapia até alcançar a remissão da doença. Mesmo em tratamento, ele manteve parte dos treinos físicos com o apoio da família e de amigos, o que foi destacado como fator importante para sua recuperação.
“Ao longo desse processo, vendo a força dele e que ele estava reagindo bem, eu fui me tranquilizando. Estar ali dando apoio a ele, e também o apoio das outras pessoas, ajuda na motivação, ajuda no dia a dia dele nesse processo de querer vencer.”
A fala acima foi feita pela esposa do atleta, Renally Mota, que acompanhou de perto todo o percurso de tratamento. Com a saúde estabilizada, Matheus voltou a integrar as convocatórias da seleção: em julho ele foi chamado para os Jogos Para-Sul-Americanos de Valledupar, na Colômbia, onde foi titular na final contra a Argentina e conquistou o título com a equipe brasileira.
Contexto e o que está em jogo
A Copa América de futebol de cegos, em São Paulo, serve tanto como disputa continental quanto como etapa preparatória para o ciclo paralímpico que culminará nos Jogos de Los Angeles, em 2028. Para Matheus, o torneio do início de setembro tem duplo significado: além da busca por mais um título para o Brasil, é uma oportunidade de reafirmar seu lugar no alto nível da modalidade após a recuperação.
O Brasil está no Grupo 2 da Copa América, ao lado de Colômbia, Peru e Chile. O Grupo 1 reúne México, Costa Rica, Argentina e Guatemala. A competição será importante para o entrosamento da equipe, avaliação de atletas e definição de rumos na preparação para os próximos anos, sem que a participação neste torneio seja apresentada como garantia automática de classificação para eventos futuros.
“Estamos muito confiantes no que a gente vai desempenhar nesta Copa América e em conquistar mais um título para o Brasil. A gente sonha com os Jogos de 2028, mas ainda vamos conquistar a vaga. Espero que Los Angeles faça parte deste capítulo da minha vida.”
O teor da declaração acima enfatiza a ambição do elenco e, ao mesmo tempo, a consciência de que ainda há etapas a serem vencidas para assegurar presença em Los Angeles. Para Matheus, que é natural da Paraíba, a trajetória também tem um sentido regional: representa a continuidade de um movimento de destaque do Nordeste na formação de atletas paralímpicos do país.
Fecho: o próximo passo da história
O próximo capítulo da trajetória de Matheus será escrito em campo entre os dias 5 e 12 de setembro, em São Paulo, quando a seleção brasileira disputará a Copa América. A participação do goleiro paraibano será observada não só pela questão técnica, mas também pelo simbolismo de sua recuperação e pela capacidade de manter-se no elenco titular após o tratamento.
Além da busca por mais um título continental, a sequência do trabalho da comissão técnica e do grupo nos próximos meses servirá para compactar o time rumo ao ciclo paralímpico. Para Matheus, o desafio imediato é contribuir para o desempenho do Brasil na Copa América e, a partir daí, continuar construção rumo aos objetivos maiores planejados pela equipe.
Enquanto isso, a preparação segue com foco na competição de setembro, quando a seleção terá pela frente adversários da América do Sul e da região Centro-Americana e do Caribe distribuídos em dois grupos. A expectativa é de que o torneio ajude a consolidar formações, testar opções e reafirmar jogadores que, como Matheus, retornam de situações pessoais e de saúde que desafiaram suas carreiras.
Para o futebol de cegos brasileiro, a história de Matheus Costa se soma a outras narrativas de superação e reafirmação esportiva: a jornada do atleta paraibano será acompanhada de perto por quem vê no esporte paralímpico uma vitrine de talento e resiliência, especialmente no Nordeste, onde Matheus iniciou sua trajetória.

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