Foto: Globo — uso em caráter informativo.
A convocação de Martinelli reacende o foco na Geração de Ouro (2001/2002): quatro do grupo já vestiram a Seleção. Enquanto alguns se firmaram, outros seguiram trajetórias bem diferentes no futebol profissional.
Com Martinelli convocado para a Seleção Brasileira, a chamada Geração de Ouro do Fluminense — nascidos em 2001 e 2002 — volta ao foco: quatro jogadores desse grupo já defenderam o Brasil e vários titulares que brilharam nas categorias de base seguiram trajetórias bem diferentes no futebol profissional.
O técnico que trabalhou com Martinelli nas categorias de base do Fluminense defendeu a ideia de que o processo de formação vai além do resultado imediato, resumindo a visão em uma frase que circulou nas conversas sobre aquela geração.
“Resultado não é o fim”
Desenvolvimento: nomes, números e trajetórias
A equipe daquela época ficou marcada por disputar títulos em praticamente todas as competições de base em que entrou: foi campeã carioca sub-17 e chegou às finais da Copa do Brasil e da Taça BH. O time-base que mais chamou atenção tinha, conforme registrado na época, os seguintes jogadores:
Time-base da Geração de Ouro
- Marcelo Pitaluga
- Calegari
- Luan Freitas
- Davi
- Marcos Pedro
- André
- Martinelli
- Wallace
- Luiz Henrique
- Marcos Paulo
- João Pedro
Do elenco que figura como referência daquela safra, apenas o goleiro Marcelo Pitaluga e o volante Martinelli permanecem vinculados ao Fluminense: Martinelli é apresentado como titular absoluto no atual elenco, enquanto Marcelo Pitaluga foi repatriado pelo clube em 2025, após ter deixado o Fluminense em 2020 para assinar com o Liverpool — onde não conseguiu espaço — e hoje atua como reserva.
Alguns atletas seguiram para o mercado europeu e atingiram níveis de projeção internacional. João Pedro saiu do Fluminense em 2018, deixou o Rio de Janeiro em 2020 ao completar 18 anos e foi vendido ao Watford por 11,5 milhões de euros. Posteriormente, ele foi contratado pelo Chelsea — onde está em sua terceira temporada — após transferência do Brighton em 2024 por 55 milhões de libras (valor convertido à cotação mencionada na reportagem original).
André também rumou à Inglaterra e se tornou a maior venda da história do Fluminense: foi negociado por 22 milhões de euros, com adicionais de 3 milhões de euros por metas. No clube que o revelou, André disputou 197 jogos e marcou quatro gols antes de deixar o time; no exterior, chegou a disputar a Seleção Brasileira.
Luiz Henrique foi outro destaque dessa geração: atuou em 120 jogos pelo Fluminense até ser vendido ao Betis, da Espanha, em 2022 por 8 milhões de euros fixos mais 5 milhões de euros em bônus. Depois de retornar ao Brasil e conquistar o Campeonato Brasileiro e a Copa Libertadores pelo Botafogo, foi transferido para o Zenit, da Rússia. Luiz Henrique também foi o único do grupo a disputar uma Copa do Mundo, participando do torneio de 2026.
Outros jogadores tiveram trajetórias mais fragmentadas. O zagueiro Davi Alves teve poucas oportunidades no time principal do Fluminense e teve o vínculo encerrado no ano anterior à publicação; atualmente, ele defende o Nova Iguaçu. Calegari, que não se firmou no Tricolor, passou por clubes como Famalicão e Eyupspor antes de atuar no LA Galaxy, onde tem pouco tempo de jogo.
Luan Freitas manteve vínculo com o Fluminense até o ano anterior e hoje atua no Fortaleza, onde vive bom momento e busca o acesso com o clube cearense: foram 32 jogos em 2026, segundo os registros citados. Marcos Pedro transitou por empréstimos e, em 2024, transferiu-se em definitivo ao FC Noah, da Armênia, onde disputou 12 partidas e marcou um gol; atualmente, está no Metropolitano, de Santa Catarina.
Wallace deixou o Fluminense em 2024 e teve passagens por clubes menos convencionais na carreira internacional: jogou no Irã (Chadormalou Ardakan), voltou ao Brasil para o Volta Redonda (apenas duas partidas no Campeonato Carioca) e chegou a atuar na Albânia, no KF Vora. Em 2026, ele defende o Piauí e contabiliza 23 jogos e três gols no ano.
Marcos Paulo, que era apontado como um dos mais promissores da safra, encerrou sua passagem no Fluminense com 79 jogos e 14 gols antes de se transferir para o Atlético de Madrid em uma negociação que gerou controvérsia. Desde então passou por sete empréstimos e, segundo os dados compilados, pertence ao Juventude e soma 36 jogos e cinco gols em 2026 na disputa pelo acesso à elite do futebol nacional.
Contexto ampliado: seleção, números e o que está em jogo
A convocação de Martinelli para a Seleção insere essa geração num debate mais amplo sobre o rendimento das categorias de base e a capacidade do clube de transformar promessas em atletas de alto rendimento. A presença de quatro jogadores formados naquele grupo defendendo a Seleção Brasileira reforça a linha de produção que o clube teve no período, mesmo que muitos não tenham permanecido no time profissional do Fluminense.
No plano da Seleção, houve movimentações de número 10 recentemente: a comissão técnica nacional optou por um novo jogador para vestir a camisa 10 após a saída do camisa histórica do ciclo anterior. Essa definição faz parte de um ajuste do time para o novo ciclo de datas Fifa que se segue à Copa do Mundo.
Para o Fluminense, a manutenção de Martinelli como titular e a reintegração de Marcelo Pitaluga em 2025 são sinais de que o clube ainda conta com peças daquela geração no elenco profissional. Ao mesmo tempo, as transações financeiras envolvendo João Pedro, André e Luiz Henrique mostram retornos econômicos relevantes ao clube nos últimos anos, seja por vendas diretas ou por desdobramentos na trajetória dos atletas.
Fecho: o próximo passo da história
O desdobramento imediato dessa história será acompanhado nas próximas convocações da Seleção e no desempenho dos ex-juniores pelos clubes que representam em 2026. Para o Fluminense, vale monitorar como a permanência de Martinelli como titular e a condição de Marcelo Pitaluga como opção de elenco influenciarão o rendimento do time nas competições nacionais e continentais. Entre os jogadores espalhados pelo mundo, as próximas janelas de transferências e as campanhas de seus clubes irão delinear se a impressão de ‘geração de ouro’ se traduzirá em sucesso sustentado no futebol profissional.

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