Foto: Globo — uso em caráter informativo.
Carlens Arcus deixou o Haiti aos 15 anos para um intercâmbio em SP e virou titular do Haiti. Nesta sexta, ele enfrenta o Brasil na Copa, às 21h30, na Filadélfia.
Uma viagem que começou em 2011 entre o Haiti e Ribeirão Preto, São Paulo, transformou as vidas de Carlens Arcus e Gesner Paul de maneiras surpreendentes. Carlens, na época um garoto de 15 anos, viajou ao Brasil para participar de um intercâmbio esportivo no projeto Olé Brasil. Hoje, ele brilha como titular da seleção haitiana na Copa do Mundo, enfrentando o Brasil nesta sexta-feira, às 21h30, na Filadélfia.
Essa conexão entre mestre e pupilo se fortaleceu ao longo dos anos. Gesner Paul, o responsável pela delegação haitiana, não apenas guiou Carlens em sua formação como jogador, mas também encontrou o amor, casando-se com Ivone Souza durante sua estadia no Brasil. A história deles é marcada por laços que vão além do futebol.
Na estreia do Haiti na Copa do Mundo, Carlens enfrentou a Escócia, onde o time foi derrotado por 1 a 0. O jogador carrega consigo memórias valiosas de sua passagem por Ribeirão Preto, onde começou a atuar como lateral-direita, posição que moldou sua carreira. Gesner recorda:
“Era um menino sério, comprometido. Ele jogava como zagueiro, mas depois se destacou na lateral. Tive confiança nele e ele se saiu bem em um torneio em Poços de Caldas. Foi uma experiência que mudou sua vida.”
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Após seu retorno ao Haiti, Carlens seguiu sua trajetória na Europa, defendendo clubes como Lille, Troyes e Angers na França, além de passar por times na Bélgica e na Holanda. Com 52 partidas e um gol pela seleção haitiana, ele se tornou um ícone do futebol de seu país.
Apesar da distância, Gesner mantém contato com Carlens, mas respeita sua concentração para o Mundial. “Eu acompanho a carreira dele, mas prefiro não distraí-lo neste momento tão importante”, comentou Gesner.
A vida de Gesner também foi transformada pelo amor. Ele e Ivone formaram uma família, com o filho Diogo, de 12 anos, e a casa deles está em clima de torcida dividida para o jogo.
“Estamos ansiosos. Lá no Haiti, quase todos torcem pelo Brasil, mas em casa as torcidas estão divididas”, afirmou Gesner.
O Haiti, que vive uma grave crise política e social, está disputando sua segunda Copa do Mundo, um marco significativo para o país. Para Gesner, o atual elenco representa uma esperança em meio às dificuldades:
“A situação é complicada, mas temos um time forte e esperamos um bom desempenho na Copa.”
Embora a estreia contra a Escócia tenha terminado em derrota, Gesner acredita que o Haiti pode surpreender em seus próximos jogos contra Brasil e Marrocos. “Foi um jogo bom, faltou sorte, mas temos motivos para acreditar”, concluiu.

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