Foto: Globo — uso em caráter informativo.
O clube acompanha o empréstimo de Mirandinha ao Jeonnam Dragons até dezembro e aguarda decisão sobre a SAF na próxima semana. Há opção de compra pelo sul-coreano; valores da cláusula não foram divulgados.
Enquanto aguarda decisões sobre a SAF previstas para a próxima semana, o Guarani monitora de perto a situação do atacante Mirandinha no futebol asiático, em movimento que pode resultar em receita extra para o clube caso uma venda venha a ser concretizada.
Desenvolvimento e dados concretos
O jogador de 26 anos está emprestado ao Jeonnam Dragons, da segunda divisão da Coreia do Sul, com contrato de empréstimo vigente até dezembro. O acordo prevê uma opção de compra ao fim do período, caso o clube sul-coreano manifeste interesse em manter o atleta. Os valores dessa cláusula não foram divulgados pelo Guarani.
Antes da transferência para o futebol sul-coreano, Mirandinha recebeu uma proposta do mercado da Coreia do Sul, avaliada em 600 mil dólares, que não avançou na ocasião. No histórico pelo Guarani, o atacante chegou ao Brinco de Ouro em junho de 2025 e contabiliza dois gols em 32 partidas pelo clube campineiro.
O vínculo contratual do jogador com o Guarani vai até abril de 2028, e o clube detém 50% dos direitos econômicos de Mirandinha — informação que torna qualquer transação futura uma operação partilhada do ponto de vista financeiro.
No cenário sul-coreano, o desempenho individual apontado até aqui registra cinco partidas disputadas com o Jeonnam Dragons, sem gols marcados e com uma assistência. Essa assistência foi anotada no último jogo, quando Mirandinha foi titular pela primeira vez na equipe. O Jeonnam ocupa a penúltima posição da K League 2, somando 21 pontos na competição.
Paralelamente às movimentações envolvendo Mirandinha, o clube campineiro já recorreu ao mercado internacional recentemente para amenizar problemas financeiros. Na semana passada, o Guarani concluiu a venda do atacante Emerson Barbosa ao CSKA 1948, da Bulgária, em negociação avaliada em cerca de 200 mil euros. Dono de 40% dos direitos econômicos de Emerson, o Guarani deve ter recebido aproximadamente R$ 475 mil com a transação; o clube ainda mantém perto de 28% dos direitos do jogador, o que pode gerar nova receita em caso de futura venda.
O clube também enfrentou dificuldades internas durante a temporada passada: encerrou a participação na Série C com salários em atraso, situação que motivou a busca por alternativas de alívio financeiro e pela reestruturação administrativa, incluindo a decisão de trazer um executivo de futebol. Em outra mudança interna, foi registrado que Marelli interrompeu a carreira de treinador para assumir trabalho no Guarani.
Contexto que amplia a reportagem
Do ponto de vista esportivo, Mirandinha chega ao empréstimo à Coreia do Sul depois de um período de recuperação física: antes da transferência, o atacante passou um tempo afastado por conta de uma lesão no púbis, tratando-se no departamento médico do Guarani. Essa questão física ajuda a explicar parte da oscilação no aproveitamento do jogador desde a chegada ao Brinco de Ouro.
Financeiramente, o cenário do Guarani torna qualquer operação com integrantes do elenco mais relevante. A participação de 50% nos direitos econômicos de Mirandinha e os percentuais retidos sobre Emerson Barbosa demonstram que o clube trabalha com a diluição de ativos como forma de equilibrar caixa. Em especial, uma eventual venda definitiva de Mirandinha, seja pelo exercício da opção pelo Jeonnam Dragons ou por negociação com outro clube, teria impacto direto nas contas, tanto para custear atrasos quanto para recompor investimentos em categorias de base ou reforços.
Em termos de mercado, o fato de o Jeonnam Dragons ocupar a penúltima colocação na K League 2 com 21 pontos pode influenciar a decisão sobre acionar a opção de compra. Clubes em posição desconfortável na tabela costumam priorizar reforços que tragam impacto imediato; ao mesmo tempo, limitações financeiras e prioridades de sobrevivência na competição podem reduzir o espaço para investimentos.
Do ponto de vista esportivo local, Mirandinha soma experiência no futebol brasileiro recente e a continuidade em uma liga estrangeira pode funcionar como vitrine ou, alternativamente, estagnar a carreira caso o clube sul-coreano não consiga manter a competitividade. O histórico de lesão e o número reduzido de gols pelo Guarani (dois em 32 jogos) são elementos que compradores em potencial tendem a avaliar com cautela.
O que está em jogo e o próximo passo
O que está em jogo é uma combinação de fatores: rendimento esportivo do atacante durante o restante do empréstimo, decisão administrativa sobre a SAF na próxima semana e o movimento do mercado sul-coreano até dezembro, prazo final do empréstimo. Se o Jeonnam Dragons acionar a opção de compra, o Guarani terá uma entrada de recursos imediata — cujo montante, porém, permanece desconhecido publicamente. Caso contrário, o retorno do jogador ao Brasil e ao clube, com contrato até abril de 2028, manterá o Guarani em posição de buscar novas negociações ou reintegrar o atleta ao elenco.
Em curto prazo, a próxima semana é marcada por duas frentes decisivas: a definição sobre a SAF, que pode alterar a governança e a capacidade de investimentos do clube, e o acompanhamento do desempenho de Mirandinha pelos próximos jogos do Jeonnam, ainda na fase final do empréstimo. O clube seguirá monitorando oportunidades no mercado para equilibrar as contas e fortalecer o elenco, tanto por meio de vendas quanto pela gestão dos direitos econômicos que detém.
O desdobrar dessas frentes — decisões sobre SAF, evolução física e técnica de Mirandinha e movimentos do Jeonnam Dragons nas próximas rodadas — definirá se a passagem do atacante pela Coreia do Sul resulta apenas em ganho de experiência internacional ou em ganho financeiro concreto para o Guarani.

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