Foto: Globo — uso em caráter informativo.
Na terça (27), em Bom Jesus do Tocantins, o Gavião Kyikatejê empatou por 0 a 0 com o Tesla e venceu por 4 a 3 nas cobranças de pênaltis. É o primeiro título oficial do clube desde a profissionalização.
O Gavião Kyikatejê conquistou, nesta terça-feira, dia 27, o título da Série A3 do Campeonato Paraense ao empatar por 0 a 0 com o Tesla no tempo normal e vencer por 4 a 3 nas cobranças de pênaltis. A decisão, disputada no Estádio Lúcio Antunes, em Bom Jesus do Tocantins, marcou o primeiro título oficial do clube desde que passou ao futebol profissional.
Desenvolvimento da final
A partida foi equilibrada e tensa no tempo regulamentar, com poucas chances claras para ambos os lados e o placar permanecendo em 0 a 0 até o apito final. Na disputa por pênaltis, o Gavião saiu vencedor por 4 a 3, graças a intervenções decisivas do goleiro Thassyo, que defendeu duas cobranças e acabou sendo apontado como o grande herói da conquista.
Como finalistas da competição, Gavião Kyikatejê e Tesla já haviam garantido o acesso à Série A2 do Parazão. Por ter realizado a melhor campanha geral do torneio, o clube do sudeste paraense pôde decidir o título diante de sua torcida, no estádio localizado na área urbana do município que abriga a Aldeia Kyikatêjê, na Terra Indígena Mãe Maria.
O elenco campeão foi comandado por Jakure Pepkrakte, conhecido como Zeca Gavião, que acumula as funções de técnico e presidente do clube. A forma de atuação da equipe mesclou jogadores experientes do cenário local com jovens atletas indígenas, estratégia que vinha sendo aplicada pelo clube desde sua volta à disputa da terceira divisão, a partir de 2024.
Além do comando técnico, o plantel contou com quatro atletas de origem indígena: os defensores Kritoi (Kryktyiti Jokakure), Amyn (Amiyarenti Japenpramti) e Krere (Jonkrepoipramre Andreia Joprikinire), e o meio-campista Kre (Krepramti Mpokinti). A presença desses jogadores reforça a identidade do clube, que representa o povo Kyikatejê-Gavião.
Contexto e retrospecto
O título da Série A3 2026 representa um marco na trajetória do clube, fundado como equipe vinculada ao povo Kyikatejê-Gavião. A história oficial do time no futebol organizado começou em 2007, quando o povo Kyikatejê-Gavião adquiriu os direitos federativos do Castanheira Esporte Clube, agremiação amadora de Marabá. Rebatizado como Gavião Kyikatejê, o clube conquistou a Liga Marabaense em 2008 e iniciou seu processo de profissionalização junto à Federação Paraense de Futebol em 2009.
Na década seguinte, o Gavião alcançou a elite do Campeonato Paraense pela primeira vez em 2014, permanecendo na Série A por uma temporada. O clube retornou à elite em 2021, após ter sido vice-campeão da Segundinha em 2020, mas acabou rebaixado na mesma temporada de retorno. Desde 2024, vinha disputando a terceira divisão estadual até a campanha que culminou no título de 2026.
Trata-se do primeiro troféu oficial do clube desde a profissionalização, em uma trajetória de 17 anos que alternou ascensos e descensos, mas manteve a projeção do time como referência da comunidade Kyikatejê e como exemplo de gestão que integra identidade cultural e futebol competitivo.
Uma figura que permanece central na memória do clube é o atacante Aru, maior símbolo do Gavião nos gramados. Aru ficou conhecido por marcar o primeiro gol do clube na elite do futebol paraense pintado com as pinturas indígenas no corpo, e teve passagens por clubes como São Raimundo-PA, Parauapebas, Palmas e Tanabi (SP). Em 2018, Aru faleceu em decorrência de um grave acidente de carro na rodovia BR-222, em Marabá, e a diretoria do Gavião Kyikatejê decidiu aposentar a camisa de número 9 em homenagem póstuma ao seu eterno ídolo.
O que está em jogo e o próximo passo
Além do valor simbólico do título, a conquista assegurou ao Gavião Kyikatejê o acesso à Série A2 do Campeonato Paraense, divisão na qual o clube voltará a competir na próxima temporada estadual. A promoção à Série A2 coloca novos desafios esportivos e administrativos: será necessário reforçar o elenco e a estrutura para enfrentar adversários mais tradicionais e partidas de maior exigência técnica.
Do ponto de vista esportivo, a consolidação do projeto que mistura atletas locais rodados com jovens indígenas será testada em um patamar superior de competição. Do ponto de vista institucional, a diretoria comandada por Zeca Gavião precisará organizar logística, planejamento financeiro e preparação física para a nova fase.
Para a comunidade Kyikatejê e para os torcedores que acompanharam a campanha, a taça da Série A3 2026 representa a materialização de um projeto de mais de uma década e meia: a tradução em resultados do trabalho de profissionalização iniciado em 2009 e das iniciativas de formação e inclusão que o clube promoveu desde suas origens.
Fecho
Com a taça na bagagem e o acesso à Série A2 garantido, o Gavião Kyikatejê começa a escrever a página seguinte de sua história: a preparação para a disputa da divisão de acesso do Campeonato Paraense, quando medirá forças com equipes em busca do retorno à elite estadual. O que vem a seguir é a manutenção do projeto esportivo e a tentativa de transformar a conquista de 2026 em base sólida para alcançar estabilidade e novas temporadas de sucesso no futebol paraense.

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