Foto: Divulgação — uso em caráter informativo.
O grito 'Olé' que anima as torcidas mexicanas tem raízes brasileiras. A lenda Garrincha inspirou o costume que perdura até a Copa de 2026.
A Copa do Mundo de 2026 traz de volta ao México a emoção dos grandes jogos, com o país se tornando novamente um palco vibrante do torneio. Nos estádios emblemáticos como o Azteca, que consagrou lendas como Pelé e Maradona, e em Guadalajara, a torcida mexicana é famosa por seu grito contagiante de “Olé”.
Diferente do significado que o termo adquiriu no Brasil, o “Olé” no México não é um grito de zombaria ao adversário, mas sim um clamor de apoio à sua própria equipe em campo. Essa conexão entre os dois países remete à figura icônica de Manoel Francisco dos Santos, o lendário Garrincha, que foi o primeiro a ouvir essa expressão nas arquibancadas.
O marco inicial do famoso grito ocorreu em uma partida memorável entre Botafogo e River Plate, realizada em Toluca, no ano de 1958. O livro “Os subterrâneos do futebol”, escrito por João Saldanha, ex-treinador da Seleção Brasileira e do Botafogo, é a principal fonte que narra esta fascinante história. Na obra, Saldanha descreve um momento épico em que Garrincha deixou o defensor argentino Vairo no chão, provocando a euforia de mais de 100 mil torcedores mexicanos.
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“Nunca assisti a coisa igual. Só a torcida mexicana com seu traquejo de touradas poderia, de forma tão sincronizada e perfeita, dar um ‘Olé’ daquele tamanho”, contou João Saldanha.
O jogo foi uma verdadeira obra de arte, com estrelas como Garrincha, Didi e Nilton Santos enfrentando um River Plate repleto de craques. A partida foi marcada pela seriedade e pelo respeito mútuo entre os times, mas o espetáculo à parte foi Garrincha, que conduziu a multidão em um grande espetáculo de habilidade e show. Os torcedores reagiam a cada drible, e o icônico “Olé” nasceu ali, como um grito de admiração e celebração.
O som do “Olé” mexicano, distinto do nosso, começa com um “ô” profundo e se eleva em intensidade até culminar na sílaba “lé”, uma celebração que ecoou pelos corredores do Estádio Universitário. Naquela tarde, o estádio vibrou com a presença de Garrincha e a música dos “mariaches”, criando uma atmosfera mágica.
Apesar de o jogo ter terminado empatado, a entrega do “Jarrito de Oro” a Garrincha, como o melhor da partida, reforçou a importância do jogador no coração dos torcedores. Os jornais do dia seguinte relataram que Garrincha fora o verdadeiro vencedor, e o “Olé” se firmou como um símbolo de celebração no futebol brasileiro.
Desde então, o “Olé” se tornou um fenômeno nas arquibancadas, uma expressão do amor e da paixão pelo futebol. No entanto, houve tentativas de extinguir essa tradição, que foi discutida em congressos de árbitros. Mas a força do “Olé” e seu legado continua a ressoar, provando que a magia do futebol transcende fronteiras e gerações.
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