Foto: Reuters — uso em caráter informativo.
Conselho da Fifa se reúne nesta quinta-feira para avaliar alterar o regulamento que permitiu reverter a punição de Folarin Balogun. A expulsão ocorreu aos 18 minutos na partida contra a Bósnia.
Uma das grandes polêmicas da Copa do Mundo de 2026 — a anulação da suspensão de Folarin Balogun — voltará à agenda da Fifa. Nesta quinta-feira, o Conselho da entidade se reunirá em sua primeira sessão após o Mundial e deverá discutir, entre outros pontos, a possibilidade de retirar do regulamento a brecha que permitiu a reversão da punição aplicada ao atacante dos Estados Unidos.
O episódio e os fatos concretos
O caso envolvendo Balogun começou na segunda fase da Copa do Mundo, na partida entre Estados Unidos e Bósnia e Herzegovina. O atacante foi expulso com cartão vermelho direto aos 18 minutos do segundo tempo pelo árbitro brasileiro Raphael Claus, após, segundo a arbitragem, pisar no tornozelo de Muharemovic. Naquele momento, Balogun era o artilheiro da equipe e, com a expulsão, ficaria fora do duelo das oitavas de final contra a Bélgica.
Quatro dias após a partida, o Comitê Disciplinar da Fifa anulou a suspensão baseada em um artigo do regulamento da entidade. A cláusula utilizada como base para a decisão foi citada explicitamente no processo disciplinar:
“O órgão judicial pode suspender total ou parcialmente a aplicação de uma medida disciplinar.”
Com a anulação, Balogun acabou liberado para atuar contra a Bélgica, mas a seleção dos Estados Unidos foi eliminada do Mundial pelo placar de 4 a 1.
Por que o assunto vai ao Conselho
Nesta quinta-feira, o Conselho da Fifa terá 37 membros presentes e será presidido por Gianni Infantino. A pauta não se limitará ao episódio Balogun: também será debatido o projeto conhecido como FIFA Forward Enterprise (FFE), a proposta de criação de uma empresa que centralizaria a operação de competições da entidade e permitiria a venda de participações minoritárias.
O projeto FFE já havia provocado reação de federações e confederações ao longo do ano. A ideia anunciada pela Fifa previa arrecadar até 4,2 bilhões de dólares por meio da venda de ações na nova estrutura, incluindo operações relacionadas à Copa do Mundo e à Copa do Mundo de Clubes. A proposta gerou críticas de várias organizações do futebol global, com federações importantes suspendendo apoio na campanha de reeleição do presidente da entidade.
Repercussões políticas e institucionais
A anulação da suspensão de Balogun ganhou contornos políticos quando o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump admitiu ter ligado para o presidente da Fifa para tratar do caso. Após a decisão do Comitê Disciplinar, Trump agradeceu à entidade pela reversão e classificou o episódio com termos fortes.
“Grande injustiça”
O presidente da Fifa, por sua vez, declarou que o veredito do Comitê foi tomado de forma independente, diante de críticas que apontaram para possível interferência política e conflito de interesses. Em paralelo, houve comunicado sobre a existência de uma proposta formal para alterar o regulamento, proibindo, no futuro, a suspensão de punições automáticas de um jogo — relatório esse que tem sido citado em veículos que acompanharam o caso.
O que está em jogo
Do ponto de vista institucional, a reunião de quinta-feira terá dois eixos principais: revisar normas disciplinares para evitar que decisões semelhantes voltem a gerar controvérsia e avaliar o rumo da proposta de mercado de capitais para competições da Fifa. No primeiro eixo, a questão central é se o texto atual do regulamento continuará permitindo a suspensão parcial ou total de penalidades automáticas aplicadas dentro de campo. No segundo, está em discussão a governança e a transparência da operação proposta, além dos potenciais impactos financeiros e de independência das competições.
Internamente, a posição de várias federações nacionais, incluindo países que retiraram apoio na disputa pela presidência, deverá pesar nas deliberações. O debate tende a envolver argumentos jurídicos sobre interpretação do regulamento disciplinar e considerações políticas sobre a imagem e a governança da entidade.
Próximos passos
A sessão do Conselho marcará o primeiro encontro colegiado relevante após o Mundial, com a expectativa de que sejam definidas diretrizes para mudanças no regulamento disciplinar e que haja ao menos um encaminhamento sobre a proposta da FIFA Forward Enterprise. Não se espera que decisões definitivas sobre todos os pontos saiam em único dia, mas a reunião será apresentada como momento-chave para encaminhamentos formais e para que a direção da Fifa responda às críticas que emergiram durante e após o torneio.
Se aprovadas alterações nas regras disciplinares, elas deverão ser incorporadas ao regulamento de modo a reduzir a margem para interpretações que possibilitem anulações de punições automáticas. No que se refere à proposta empresarial, o Conselho poderá estabelecer exigências adicionais de transparência, condicionantes de governança ou encaminhar a matéria para instâncias específicas da entidade.
O desdobramento dessas pautas terá impacto direto na governança do futebol internacional e na forma como decisões disciplinares serão tratadas em competições futuras. A Fifa sairá desta reunião com orientações que definirão se episódios como o ocorrido com Balogun poderão se repetir ou se o regulamento passará por um aperto para evitar novas controvérsias.

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