Foto: Globo — uso em caráter informativo.
Arrascaeta fraturou o punho esquerdo no amistoso Uruguai x Coreia do Sul e passou por cirurgia. Flamengo tem direito a pedir ressarcimento; clube estima recuperação de 6 a 8 semanas e perdeu a semifinal da Libertadores.
O Flamengo terá direito a pedir ressarcimento à Fifa pela lesão sofrida por Giorgian Arrascaeta, que fraturou o punho esquerdo no amistoso do Uruguai contra a Coreia do Sul, em data Fifa. O camisa 10 rubro-negro vai desfalcar o time entre outubro e novembro e está fora dos jogos da semifinal da Libertadores diante do Estudiantes, da Argentina.
Detalhes da lesão e do afastamento
Arrascaeta sofreu a fratura ao escorregar em campo na última segunda-feira e passou por cirurgia na quinta. O departamento médico do Flamengo estimou o prazo de recuperação entre seis e oito semanas. Por causa dessa projeção, o meia será ausência certa nas partidas da semifinal da Copa Libertadores contra o Estudiantes e deve ficar fora do elenco entre outubro e novembro.
Somando diferentes problemas físicos sofridos por Arrascaeta em convocações anteriores, o uruguaio já havia acumulado 118 dias de desfalque ao Flamengo por lesões relacionadas à seleção do Uruguai. No caso desta fratura, a evolução clínica vai determinar se o jogador conseguirá voltar a tempo de uma eventual final da Libertadores, marcada para o dia 28 de novembro, caso o Flamengo avance sobre o Estudiantes.
Como funciona o ressarcimento da Fifa
A atual versão do The FIFA Club Protection Programme está em vigor desde janeiro de 2023 e vale até dezembro de 2026. Nas normas do programa está prevista a indenização aos clubes que tiverem jogadores lesionados por suas seleções, seja em treinos ou em jogos, durante as datas reservadas às seleções.
O pagamento pela Fifa é calculado a partir do 29º dia posterior ao acidente de trabalho do jogador. A regra de não pagamento dentro dos 28 primeiros dias serve para resguardar a Fifa de cobertura de lesões que não sejam graves, ou cujo tempo de recuperação seja inferior a um mês. No caso de Arrascaeta, com previsão de afastamento de seis a oito semanas, o quadro configura período de cobertura que pode ensejar compensação.
O programa estabelece limite máximo de pagamento por atleta de 7,5 milhões de euros, o que corresponde a cerca de R$ 44,1 milhões. O teto diário previsto é de 20,5 mil euros (aproximadamente R$ 120,5 mil) e o período máximo de cobertura é de 365 dias. A indenização termina no momento em que o jogador retorna aos treinos.
Valores estimados ao Flamengo e exigência de prazo
Considerando que Arrascaeta tem um dos maiores salários do elenco e que, na prática, ele poderia alcançar o teto diário do programa em função de seu contrato, a estimativa é que o Flamengo receba entre 287 mil euros e 574 mil euros, o que equivale aproximadamente a R$ 1,6 milhão a R$ 3,3 milhões — valores divulgados como projeção com base no período provável de afastamento. Para ter direito a essa compensação, o clube precisa acionar a Fifa e abrir o pedido de compensação dentro dos 28 dias a partir do acidente. Pelo calendário informado, esse prazo se encerra em 26 de outubro.
O ressarcimento é feito com base no salário anual previsto no contrato de trabalho do jogador e tem caráter indenizatório conforme as regras do programa. Caso o clube não formalize o pedido dentro do prazo de 28 dias, poderá perder o direito à compensação relativa ao período inicial, já que a Fifa reserva esse intervalo para avaliar a gravidade imediata da lesão.
Retrospecto e impactos esportivos
Além do impacto financeiro e administrativo, a ausência de Arrascaeta representa um desfalque técnico relevante para o Flamengo, especialmente em uma fase decisiva da temporada. O time rubro-negro terá de reorganizar a formação ofensiva para os confrontos decisivos, em particular a semifinal da Libertadores diante do Estudiantes, cujo desfecho definirá a possibilidade de disputar a final em 28 de novembro.
No passado recente, o clube já recorreu ao mesmo mecanismo de ressarcimento da Fifa: entre 2024 e 2025 o Flamengo foi indenizado após a contusão de Pedro, que rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo durante um treinamento com a seleção brasileira e ficou sete meses fora. A experiência anterior mostra o caminho procedimental que o clube deverá seguir agora, caso decida formalizar o pedido para Arrascaeta.
Em paralelo às questões médicas e de compensação, o Flamengo tem lidado com movimentações fora de campo que podem impactar o planejamento financeiro e operacional do clube. Entre ações em esfera jurídica e administrativa, o clube solicitou medidas que visam preservar receitas e regulamentos que afetam suas operações, o que aumenta a importância de contabilizar eventuais compensações por lesões de jogadores convocados para seleções.
O que está em jogo e os próximos passos
O próximo passo concreto é a avaliação do departamento jurídico do Flamengo sobre o pedido à Fifa e a formalização do requerimento de compensação antes do prazo final de 26/10. Na seara esportiva, a comissão técnica terá de definir alternativas para a ausência de Arrascaeta nos jogos decisivos, escolhendo peças do elenco para recompor as funções do camisa 10 até que ele esteja disponível novamente.
A recuperação clínica de Arrascaeta e a reavaliação médica vão determinar se o jogador conseguirá se integrar ao elenco a tempo de uma eventual final continental. Enquanto isso, o calendário rubro-negro seguirá com compromissos que exigem adaptação tática e gerenciamento de elenco, e a definição sobre o pedido à Fifa será um capítulo importante para o balanço financeiro do clube nesta reta final de temporada.

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