Foto: Divulgação — uso em caráter informativo.
Uma investigação publicada nesta terça-feira, 6 de outubro de 2026, revelou que a entidade máxima do futebol decidiu deliberadamente não punir a seleção da República Democrática do Congo pela utilização irregular do goleiro Lionel Mpasi durante as Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2026. Documentos internos mostraram que Mpasi atuou sem ter concluído a mudança de associação desportiva necessária após participar de torneios das categorias de base pela França.
Detalhes do caso e documentos
Segundo o material apurado, Lionel Mpasi foi escalado em pelo menos sete partidas das fases classificatórias para o Mundial de 2026 antes de ter finalizada a burocracia exigida para a mudança de federação. O regulamento disciplinar prevê, em situações de escalação irregular, a perda de pontos por W.O., medida que teria anulado os resultados que permitiram a conquista da vaga congolesa no torneio.
O processo chegou aos departamentos jurídicos da organização depois de uma reclamação formal protocolada pela Nigéria, país que havia sido derrotado pela RD Congo na fase decisiva dos playoffs africanos. Pareceres internos elaborados por advogados da própria entidade apontavam possibilidades que iam desde a desclassificação até outras sanções desportivas, caso se constatasse a irregularidade de escalação.
Apesar desses pareceres, o comitê responsável por analisar a contestação decidiu arquivar o pedido nigeriano, alegando atraso de prazos processuais. Com o arquivamento, a seleção congolesa foi liberada para disputar a repescagem contra a Jamaica e, na sequência, garantir sua participação no Mundial de 2026.
Bastidores e nomes envolvidos
Os documentos mencionam que dirigentes do alto escalão foram informados sobre a pendência documental ligada a Mpasi. Entre os nomes citados como tendo conhecimento da situação estão o presidente da entidade e o secretário-geral. A apuração aponta também articulações políticas que envolveriam Véron Mosengo-Omba, descrito como aliado próximo da liderança executiva e com aspirações a cargos na federação congolesa.
A FIFA declarou que seus órgãos jurídicos são independentes e que nenhuma interferência política ocorreu na análise das decisões.
A declaração oficial da entidade ressaltou a independência de seus departamentos jurídicos e negou qualquer interferência política no processo de análise das medidas adotadas.
O que ocorreu na Copa e o papel de Mpasi
Na fase final do Mundial de 2026, a seleção da República Democrática do Congo avançou até as oitavas de final (16-avos de final) e acabou eliminada pela Inglaterra, em derrota sofrida de virada, com dois gols de Garry Kane nos minutos finais da partida. Lionel Mpasi foi o titular da seleção congolesa durante toda a competição, ocupando a meta em todas as partidas disputadas pela equipe na Copa.
Os episódios relatados colocam em evidência a importância das regras de elegibilidade de jogadores e os procedimentos de transferência entre associações desportivas, que envolvem prazos e documentos específicos para que atletas possam ser registrados por novas federações após terem atuado por seleções de base de outro país.
Contexto e implicações esportivas
Do ponto de vista esportivo, a hipótese de perda de pontos por escalação de jogador irregular é uma sanção prevista justamente para proteger a integridade das competições e garantir tratamento isonômico entre seleções. No caso em questão, a aplicação dessa regra teria significado a anulação de resultados determinantes para a classificação congolesa, alterando diretamente o desfecho dos playoffs africanos e beneficiando a seleção nigeriana, que formalizou a contestação.
Além da dimensão esportiva, o episódio traz à tona questões de governança e transparência na condução de processos disciplinares. A menção de que dirigentes de alto escalão foram informados sobre a pendência documental e a existência de proximidade entre certos dirigentes e interesses na federação congolesa levanta dúvidas sobre a condução interna dos procedimentos e sobre a necessidade de salvaguardas que preservem a independência das decisões.
Para seleções africanas em fase de consolidação internacional, casos como esse têm impacto direto: além da perda de resultados esportivos, há repercussões financeiras, de visibilidade e de planejamento, considerando que uma participação em Copa do Mundo mobiliza calendário, patrocínios e projeção de atletas. A RD Congo, ao garantir a participação e avançar até as oitavas, obteve benefícios esportivos que seriam revistos caso uma sanção tivesse sido aplicada.
Fecho: próximos passos e desdobramentos possíveis
O episódio deverá seguir como tema de debate no universo do futebol internacional. A publicação dos documentos e das informações tende a alimentar pedidos de esclarecimento adicionais, possíveis revisões de procedimentos e questionamentos sobre a coerência entre pareceres jurídicos internos e decisões finais de comitês. Todas essas frentes poderão ser objeto de movimentações formais por federações interessadas ou de iniciativas destinadas a fortalecer mecanismos de controle e de transparência em processos disciplinares.
Enquanto isso, permanece o registro de que Lionel Mpasi foi titular da RD Congo durante toda a Copa de 2026 e que a seleção congolesa avançou até os 16-avos de final antes de ser eliminada pela Inglaterra. A sequência do caso terá impacto tanto nas relações entre federações quanto na discussão sobre a aplicação prática das regras de elegibilidade e prazos processuais nas competições internacionais.
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