Foto: Agência Brasil/EBC — uso em caráter informativo.
Em 6 de agosto de 2026 o país celebra 50 anos da primeira medalha paralímpica, prata em Toronto (1976) por Robson Sampaio e Luiz Carlos da Costa. Familiares destacam o exemplo e a luta dos atletas.
No dia 6 de agosto de 2026, o Brasil comemora uma importante data na história do esporte paralímpico: o aniversário da conquista da primeira medalha brasileira em Paralimpíadas. Este marco ocorreu em Toronto, no Canadá, em 1976, quando Robson Sampaio de Almeida e Luiz Carlos da Costa trouxeram para o Brasil a prata na modalidade lawn bowls, um esporte semelhante à bocha que, na época, era uma das modalidades disponíveis nas competições.
A medalha, que se tornou um símbolo da luta e da determinação dos atletas paralímpicos brasileiros, foi homenageada no Centro de Treinamento Paralímpico em São Paulo, onde ficou exposta para o público. Este ato de celebração relembra a trajetória de superação e conquista que trouxe o Brasil ao pódio das Paralimpíadas, um feito que se repetiu em 462 ocasiões ao longo dos anos.
Noêmia Almeida, sobrinha de Robson, ressaltou a importância deste legado. “É o resgate de uma história que não era contada. Se hoje temos tudo isso [no esporte paralímpico], com televisão, entrevistas, esse momento de comemoração, é porque alguém lá no passado lutou para que isso acontecesse”, afirmou Noêmia, que foi criada como filha por Robson e acompanhou de perto sua trajetória. O medalhista fundou, em 1958, o Clube do Otimismo no Rio de Janeiro, uma instituição voltada para a reabilitação de pessoas com deficiência.
Robson, que ficou paraplégico após um acidente de trabalho, dedicou sua vida a ajudar outros em situações similares. Noêmia contou que na época em que seu tio lutava por recursos para o paradesporto, era necessário bater de porta em porta, pedindo apoio para comprar uniformes e passagens para que os atletas pudessem representar o Brasil nas competições internacionais.
Luiz Carlos, conhecido como “Curtinho”, também teve uma trajetória significativa ligada ao Clube do Otimismo e à amizade com Robson. Aos 79 anos, ele enfrenta problemas de saúde, mas sua memória sobre os feitos ao lado de Robson permanece viva. “Eles sempre formaram essa dupla dinâmica no esporte. Quando se formaram os primeiros times de basquete [em cadeira de rodas], meu tio foi o primeiro cestinha brasileiro”, recordou Paulo Robson de Almeida, sobrinho de Robson, em um depoimento emocionante.
A história da medalha de 1976 não se limita apenas a um feito esportivo, mas representa a transformação do Brasil no cenário do paradesporto. O Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), fundado em 1995, recebeu um impulso significativo com a inclusão na Lei Pelé em 1998, que garantiu recursos para o desenvolvimento do esporte no país. Essa legislação permitiu a destinação de uma porcentagem dos recursos de loterias federais para o financiamento de atividades paralímpicas, o que ajudou a moldar a estrutura que conhecemos hoje.
Com a criação do Centro de Treinamento Paralímpico em 2016, o Brasil não apenas se destacou nas competições, mas também se tornou um polo de formação de novos talentos. O centro oferece iniciação em modalidades adaptadas a jovens com deficiência, contribuindo para uma nova geração de atletas paralímpicos. Noêmia Almeida destaca a luta de Robson como um exemplo de inclusão e aceitação das pessoas com deficiência no mercado de trabalho, reafirmando a importância do esporte como ferramenta de transformação social.
“Ele [Robson] lutava para as empresas admitirem [pessoas com deficiência], que tivessem uma política de acreditar que aquela pessoa era capaz de trabalhar. A gente teve nele o exemplo desse espírito, e o esporte foi a consequência. O que estamos comemorando é a realização de um sonho. A luta dele é a de todos nós”, concluiu Noêmia, lembrando que o legado de Robson vai muito além das medalhas e troféus conquistados ao longo dos anos.
O Brasil, que encerrou a Paralimpíada de Paris em 2024 entre as cinco potências do esporte adaptado, tem uma trajetória rica e promissora. As conquistas de Robson e Luiz Carlos são um lembrete constante de que a luta por inclusão e oportunidades continua. O próximo passo é seguir comemorando e expandindo a visibilidade do paradesporto, garantindo que novas gerações de atletas possam brilhar e inspirar.
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