Foto: Reuters — uso em caráter informativo.
Hoje, o Irã pode escrever um dos capítulos mais importantes de sua história nas Copas do Mundo. A seleção iraniana se prepara para um confronto decisivo contra o Egito, que ocorrerá em Seattle, e, para a alegria dos torcedores, depende apenas de si mesma para avançar à segunda fase do torneio pela primeira vez. Esse caminho, repleto de desafios, quase levou o país a desistir da competição, em meio a restrições impostas pelo governo dos Estados Unidos e uma preparação marcada por limitações.
Atualmente, o Irã ocupa a segunda posição no Grupo G, somando dois pontos após empates com a Bélgica e a Nova Zelândia. A vitória hoje garante a classificação, enquanto um empate deixa a equipe dependendo de outros resultados.
A seleção do Irã aplaude a torcida após empatar com a Bélgica, mantendo viva a esperança de classificação.
Há apenas três meses, a situação era bem diferente. O Ministro do Esporte do Irã, Ahmad Donyamali, havia anunciado que o país não participaria do Mundial, interrompendo uma sequência histórica de quatro classificações consecutivas. Essa medida drástica foi interpretada como um boicote aos norte-americanos, despertando reações no cenário internacional. Em resposta, o presidente Donald Trump afirmou que os iranianos seriam bem-vindos, mas insinuou que deveriam temer por sua segurança. No entanto, a federação de futebol iraniana rapidamente contestou a posição de Trump, reafirmando sua presença no torneio.
Ainda assim, a relação entre os países permaneceu tensa, levando a sérias restrições. O Irã foi forçado a mudar sua base de treinamento de Tucson, no Arizona, para Tijuana, no México. Além disso, a delegação enfrentou dificuldades, com quinze funcionários da federação, incluindo o presidente Mehdi Taj, tendo seus vistos negados para entrar nos Estados Unidos.
Preços vistos na Amazon em 16/08 e sujeitos a alteração. Como Associado da Amazon, recebo por compras qualificadas.
O Irã também teve que cumprir a regra de entrar em território americano apenas nas vésperas dos jogos e retornar ao México logo após as partidas. Nenhuma outra seleção enfrentou um tratamento tão desigual. Gianni Infantino, presidente da FIFA, reconheceu que havia questões que extrapolavam as atribuições da entidade, mas ainda assim visitou o vestiário da equipe após o empate com a Nova Zelândia, ouvindo as queixas do técnico Amir Ghalenoei sobre as dificuldades enfrentadas.
Na segunda rodada, o goleiro Beiranvand brilhou ao fazer defesas espetaculares, garantindo mais um empate, desta vez contra a Bélgica, uma das favoritas do grupo. O resultado deixou o Irã com chances concretas de avançar.
Após os jogos, o atacante Mehdi Taremi se tornou um porta-voz da equipe, clamando por melhores condições de preparação e ressaltando a importância do futebol para unir o povo iraniano.
Para o embate decisivo de hoje, o Irã recebeu autorização para chegar a Seattle com dois dias de antecedência, permitindo que a preparação ocorra dentro dos padrões do torneio. Para uma seleção que esteve à beira da desistência, a campanha é impressionante e gera expectativa entre os jogadores, que almejam mais do que apenas a classificação.
“A maior alegria de avançar seria aproximar ainda mais nosso povo,” disse Taremi, ressaltando a importância da unidade e solidariedade entre os iranianos, tanto dentro quanto fora do país.
Hoje, o Irã tem a chance de transformar a história e conquistar um lugar na próxima fase da Copa do Mundo. Resta saber se a equipe conseguirá superar mais um obstáculo em sua jornada.

Siga o Foco no Esporte e acompanhe jogos, resultados e notícias em tempo real.
