Foto: Divulgação — uso em caráter informativo.
Craques como Messi, Cristiano Ronaldo e Neymar e jovens como Endrick convertem visibilidade em ações de saúde, educação e inclusão esportiva. Fundações e doações beneficiam comunidades carentes.
Jogadores de futebol de alto nível têm transformado reconhecimento público e recursos em iniciativas que visam impacto social concreto, em especial nas áreas de saúde, educação e inclusão esportiva. Nomes globais e brasileiros aparecem na linha de frente dessas ações, com fundações, institutos, campanhas e doações que extrapolam a atuação dentro de campo.
Desenvolvimento
Entre os exemplos citados estão Lionel Messi, Cristiano Ronaldo e Neymar, além de atletas brasileiros mais jovens como Endrick, Luís Henrique e Gabriel Jesus. A Fundação Leo Messi foi criada em 2007 e concentra sua atuação em três frentes: saúde, educação e esporte. Uma das iniciativas apoiadas pela organização é o SJD Pediatric Cancer Center Barcelona, centro especializado em oncologia pediátrica na Espanha, que recebe suporte ligado ao trabalho da fundação.
O Instituto Projeto Neymar Jr. foi inaugurado em dezembro de 2014, no Jardim Glória, Praia Grande (SP). A instituição tem capacidade para atender 3 mil crianças e jovens entre 7 e 17 anos, além de ações que envolvem familiares, oferecendo atividades nas áreas de educação, cultura, esporte e saúde. O projeto foi idealizado por Neymar e sua família a partir da experiência vivida no bairro, com o objetivo declarado de ampliar oportunidades para pessoas em situação de vulnerabilidade social.
Cristiano Ronaldo também tem histórico de mobilizar itens e recursos ligados à sua carreira para fins beneficentes. Em 2017, uma réplica da Bola de Ouro conquistada pelo jogador em 2013 foi leiloada por 600 mil euros em Londres; o valor foi destinado à Make-A-Wish, organização que realiza desejos de crianças com doenças graves. Em 2020, durante a pandemia de Covid-19, o atleta se uniu a um empresário para doar equipamentos hospitalares a unidades de saúde em Portugal.
No Brasil, ações recentes incluem o envolvimento de Endrick como embaixador do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) no país. Em parceria com MSP Estúdios, Endrick participou de uma ação que o colocou ao lado da personagem Mônica, também embaixadora do UNICEF desde 2007, em uma ilustração exclusiva que busca ampliar a conscientização sobre direitos de crianças e adolescentes.
Outra iniciativa com forte ligação regional é o Projeto LH11, em Solânea, no interior da Paraíba, criado há quase três décadas por Ronaldo T., pai do atacante Luís Henrique, atualmente na Inter de Milão. Com o crescimento da carreira do jogador, o projeto recebeu novos investimentos; hoje, atende cerca de 300 jovens nas categorias sub-7 a sub-17, oferece bolsas para famílias sem condições de arcar com treinamentos e já formou aproximadamente dez atletas que chegaram a clubes do futebol brasileiro. O projeto também organiza o evento anual “Natal sem Fome”, que distribui cerca de 1.000 cestas básicas para famílias em situação de vulnerabilidade.
Declarações de especialistas
“Transformar visibilidade em impacto social é uma tendência no marketing esportivo atual. Grandes marcas globais não buscam mais apenas exposição de logo, elas querem se associar a propósitos reais. Quando atletas do mais alto nível do esporte mundial usam sua influência e lideram projetos voltados à proteção de crianças e à saúde, eles humanizam suas marcas e geram conexão com o público que nenhuma campanha publicitária tradicional consegue. O esporte, nesse nível, vira uma plataforma poderosa de responsabilidade social”
— Rafael Soares, especialista em gestão e marketing esportivo.
“O impacto de um grande atleta de futebol ultrapassa os limites das quatro linhas e dos resultados esportivos. Quando ídolos globais transformam o seu amplo reconhecimento internacional e capacidade de mobilização em projetos permanentes, eles mudam o patamar de suas reputações. Ações sociais em áreas importantes, exemplo de saúde, educação e cuidado com os mais vulneráveis são gestos que geram ainda mais respeito por parte do público”
— Fábio Wolff, sócio-diretor da Wolff Sports e especialista em marketing esportivo.
“O engajamento social no esporte é algo extremamente positivo para todos os envolvidos no ecossistema: jogadores, técnicos, dirigentes, entre outros. Trata-se de ajudar aqueles que mais precisam e mostrar o lado humano desses profissionais que são cobrados diariamente por resultados. Ações desta natureza comprovam o compromisso dos atletas com avanços para o mundo e não somente com as conquistas dentro das quatro linhas, gerando empatia e admiração por parte do público”
— Pedro Weber, especialista em negócios no esporte.
“Não podemos só esperar por um futuro melhor. Temos que trabalhar por um futuro melhor. O futuro do nosso planeta e das nossas famílias depende de como cuidamos das crianças hoje, todos os dias. Por isso eu aceitei o chamado do UNICEF. Para ajudar na proteção das crianças. Para que elas possam ser crianças, e para serem adultos melhores”
— Endrick, em ação como embaixador do UNICEF no Brasil.
Contexto e dimensão regional
O movimento de atletas que usam a própria imagem para apoiar causas sociais ganhou força nas últimas duas décadas, impulsionado por maior alcance das redes sociais, interesse de marcas em associar-se a propósitos e expectativas crescentes do público por compromisso social. No Nordeste, iniciativas como o Projeto LH11 reforçam a importância de programas locais mantidos por elos comunitários e familiares: o projeto em Solânea é um exemplo de como a trajetória de um jogador pode traduzir-se em investimentos duradouros na formação de jovens da região, com impactos diretos na alimentação, educação e oportunidades esportivas.
Essas iniciativas também dialogam com organizações internacionais e campanhas de saúde pública, como a atuação do UNICEF junto a embaixadores brasileiros para tratar de vacinação, inclusão e combate ao racismo. Quando projetos regionais se conectam a redes maiores, há potencial para escalar ações e ampliar recursos, ao mesmo tempo em que se preserva a atenção às necessidades locais.
Próximos passos
A continuidade e a consolidação dessas iniciativas dependerão da capacidade de transformar atenção momentânea em programas sustentáveis, com governança clara, prestação de contas e articulação com políticas públicas e organizações da sociedade civil. Para os projetos já existentes, o desafio costuma ser manter financiamento e gestão profissionalizada à medida que a exposição mediática oscila.
O que se seguirá nas próximas temporadas é a observação sobre como essas ações amplificarão resultados sociais tangíveis — aumento do acesso à educação, melhoria de indicadores de saúde infantil, inserção de jovens no mercado esportivo ou profissional — e se tendem a inspirar repetições em outras regiões, especialmente no Nordeste, onde a combinação entre talento local e mobilização comunitária pode produzir impactos duradouros.
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