Foto: Divulgação — uso em caráter informativo.
Wesley, 22, deixou a seleção por lesão na coxa aos 17 minutos do amistoso com o Egito. O lateral, que estreou no ano anterior, desabafou: 'Me senti inútil' e já mira 2030.
O lateral-direito Wesley viveu um colapso emocional ao ser cortado da Copa do Mundo por conta de uma lesão na coxa, a apenas sete dias da estreia do Brasil no torneio. O corte, ocorrido após o amistoso contra o Egito quando o jogador sentiu o problema aos 17 minutos de partida, transformou um sonho em frustração para o atleta de 22 anos, que se considerava titular da seleção.
Desenvolvimento
Wesley, que estreou pela seleção brasileira no ano anterior e rapidamente se firmou com o treinador Carlo Ancelotti, foi obrigado a deixar a concentração logo no amistoso preparatório contra o Egito. A lesão na coxa surgiu ainda aos 17 minutos do jogo, resultado que antecipou sua saída da lista de atletas convocados para o Mundial.
O corte ocorreu quando as expectativas apontavam para ele como titular na competição. A sensação de impotência tomou conta do jogador enquanto acompanhava a trajetória da seleção durante o torneio.
“Confesso, foi muito difícil ver os jogos. Eu sabia que era para estar ali, pelo que eu fiz, por mérito meu, eu ia jogar. Eu me senti inútil em casa. Eu via meus companheiros e queria estar lá para fazer uma coisa diferente, não que eu fosse mudar o resultado. Eu ficava com isso na minha cabeça. Chegou um dia em que falei: ‘Caramba, não é possível que isso esteja acontecendo comigo’. E, quando começou, foram bem e, depois da eliminação, fiquei mais triste ainda. É futebol.”
A seleção brasileira parou nas oitavas de final da Copa do Mundo, eliminada pela Noruega. Ver o grupo sair da competição trouxe ainda mais peso para o episódio pessoal de Wesley, que se descreveu como traumatizado por acompanhar os jogos enquanto tratava a lesão.
Apesar do revés emocional, o jogador tratou de manter a perspectiva e olhar adiante. Em suas palavras, a trajetória até ali — marcada por altos e baixos — não seria definida por um corte no Mundial.
“Já vim de altos e baixos e não vai ser uma Copa do Mundo que vai fazer eu cair, não querer mais nada. Agora é trabalhar para [Copa do Mundo de] 2030 estar lá.”
Depois da recuperação, Wesley foi convocado novamente por Ancelotti para a primeira Data Fifa após a queda no Mundial. Na convocação, a avaliação foi de que ele será o titular da lateral-direita nos amistosos marcados entre o fim de setembro e o começo de outubro, tendo Matheuzinho, do Corinthians, como reserva para os compromissos contra Austrália e Índia.
“Aliviado de estar de volta, né? Se Deus quiser, que não aconteça nada. Daqui a dois anos tem uma competição importante [Copa América], espero estar lá.”
Na esfera de clubes, Wesley voltou a ser notícia ao estrear na Champions League pela Roma nesta quinta-feira (10), em partida que terminou em empate por 1 a 1 com o Fenerbahçe. No clube, sob o comando de Gian Piero Gasperini, o jogador tem sido utilizado improvisado na ala esquerda desde meados do ano passado, papel distinto daquele que ocupa na seleção, onde atua preferencialmente pela direita — a posição que já lhe rendeu destaque em sua passagem pelo Flamengo.
Contexto
O episódio da lesão e do corte da Copa não é apenas um evento isolado na carreira de Wesley: trata-se de um nó entre expectativa, ascensão e necessidade de consolidação. Aos 22 anos, o lateral acumulava minutos e confiança, fator que o colocava entre as opções de titularidade até o problema muscular no amistoso contra o Egito.
Para a seleção, a eliminação nas oitavas de final pela Noruega traz um recorte importante sobre o que ficou em jogo: além do sonho coletivo de títulos, havia o projeto individual de jovens que vinham se afirmando nas convocações recentes. No caso de Wesley, a lesão o privou de disputar a principal vitrine do futebol mundial e de testar sua condição em alto nível sob pressão.
Agora, o que está em jogo é a recuperação plena da confiança física e técnica do jogador. As convocações para a Data Fifa que virá funcionam como uma janela para justificar a manutenção do status de titular e para afastar qualquer dúvida sobre a capacidade de suportar partidas consecutivas sem recaídas. A presença de Matheuzinho como alternativa imediata é um lembrete de que a concorrência pela posição é real e que desempenho e disponibilidade serão determinantes.
Próximos passos
O retorno às convocações deixa claro o roteiro imediato de Wesley: reapresentar-se ao trabalho com a seleção, participar dos amistosos contra Austrália e Índia entre o fim de setembro e o começo de outubro e buscar retomar a titularidade de forma consistente. No clube, a participação na Champions League, com a estreia no empate por 1 a 1 nesta quinta-feira (10), mostrará seu ritmo em competições de alto nível e servirá como termômetro físico após a lesão.
Para além das próximas partidas, o jogador mencionou a meta de mirar mais adiante, projetando a Copa do Mundo de 2030 como um objetivo de longo prazo. Resta observar como a sequência de treinos, jogos e avaliações médicas se desenrolará nas próximas semanas — e se Wesley conseguirá transformar o episódio traumático em combustível para a reconstrução da carreira internacional.
O capítulo imediato exige atenção à recuperação física, confirmações técnicas nos treinos e desempenho nas partidas que virão. A resposta da trajetória de Wesley começará a ser escrita já nos amistosos programados e na continuidade de sua atuação pelo clube, elementos que vão dizer se o jogador manterá o espaço conquistado antes da lesão.
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