Foto: Divulgação — uso em caráter informativo.
CBF anuncia sanções mais duras contra cera em tiros de meta, laterais e reposições do goleiro e acelera substituições e atendimentos. Medidas, influenciadas por lições da Copa de 2026, valem já na próxima rodada.
No dia 10 de agosto de 2026, o futebol brasileiro recebeu uma nova iniciativa da CBF, visando coibir a cera e aumentar o tempo de jogo efetivo nas partidas do Campeonato Brasileiro. As mudanças, que entram em vigor já na próxima rodada, trazem punições mais severas para situações de atraso em cobranças de tiros de meta, laterais e reposições de goleiro, além de medidas para acelerar substituições e atendimentos médicos.
A motivação para essas mudanças não é recente, mas ganha um novo impulso após as lições aprendidas na Copa do Mundo de 2026. Durante o Mundial, foi observado que ações diretas para reduzir o tempo perdido nas reposições se mostraram eficazes. Por exemplo, o tempo médio para a execução de um tiro de meta caiu de 22 segundos na Copa de 2022 para apenas 12 segundos em 2026. As cobranças de laterais também apresentaram uma redução significativa, passando de 11 segundos para seis, enquanto o tempo para a reposição do goleiro após uma defesa caiu de dez para quatro segundos.
Entretanto, apesar dessa redução no tempo de cera, a média de bola em jogo não apresentou uma melhora proporcional. Um estudo realizado pela “Folha de S.Paulo”, com dados da “Opta”, revelou que, em média, as partidas da Copa de 2026 tiveram 33,4 minutos de bola parada, um tempo inferior aos 37,7 minutos contabilizados na Copa de 2022. O tempo de bola rolando foi praticamente o mesmo: 63,2 minutos em 2026, contra 63,7 minutos em 2022. Essa situação representa um desafio significativo para o Brasileirão, que pode encontrar uma oportunidade para melhorar essa estatística.
A Copa do Mundo de 2026 demonstrou que, embora a cera tenha sido reduzida, a devolução do tempo perdido ao jogo não ocorreu na mesma proporção. Em partidas onde foram desperdiçados 11 minutos com cera, por exemplo, o tempo efetivamente perdido em 2022 era de 2,2 minutos, enquanto em 2026 esse número subiu para 4,7 minutos. Tal discrepância indica que, mesmo com reposições mais rápidas, a arbitragem não conseguiu compensar totalmente o tempo que deixou de ser jogado.
Outro fator que influenciou o tempo de jogo na Copa foram as pausas obrigatórias para hidratação, que em média representaram 6,2 minutos por partida. Assim, enquanto a Copa conseguiu economizar cerca de quatro minutos com a redução da cera, adicionou mais de seis minutos de bola parada devido às interrupções para hidratação.
O cenário do Brasileirão é diferente, uma vez que as pausas para hidratação, que eram obrigatórias no início de 2026, passaram a ser opcionais após março, dependendo das condições climáticas e do bom senso dos árbitros. Portanto, a experiência internacional pode servir como um guia para o Campeonato Brasileiro: se a redução da cera for acompanhada de uma reposição mais rigorosa do tempo perdido, sem a adição de novas interrupções, há potencial para que o torneio aumente a quantidade de tempo em que a bola está rolando.
O Campeonato Brasileiro enfrenta um desafio ainda maior quando comparado a outras ligas. De acordo com um estudo da “Opta”, as partidas da Série A em 2026 apresentaram uma média de apenas 52 minutos e 54 segundos de bola em jogo, um número inferior ao das cinco principais ligas europeias. Embora não se possa simplesmente comparar esses números com os 63,2 minutos da Copa, a diferença significativa sugere que há espaço para otimizar o tempo de jogo sem comprometer a essência do futebol.
As novas regras da CBF visam justamente combater comportamentos que atrasam o andamento das partidas. Por exemplo, os goleiros terão um limite de oito segundos para manter a bola nas mãos. Caso esse limite seja ultrapassado, a punição será um escanteio para o time adversário. No caso dos laterais, o árbitro poderá iniciar uma contagem de cinco segundos se perceber uma tentativa clara de retardar a cobrança. O mesmo se aplica aos tiros de meta, que também terão um limite de cinco segundos, com escanteio sendo a penalidade para atrasos.
Essas mudanças representam uma tentativa da CBF de tornar o futebol brasileiro mais dinâmico e interessante para os torcedores, refletindo a necessidade de um jogo mais ágil e com menos interrupções. À medida que a nova rodada do Brasileirão se aproxima, espera-se que as equipes e os jogadores se adaptem rapidamente a essas novas diretrizes.



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