Foto: Agência Brasil/EBC — uso em caráter informativo.
O esporte aparece como tema presente nos planos de governo dos dois candidatos que disputam o segundo turno para a Presidência da República, com pontos de convergência sobre educação e divergências marcantes em infraestrutura e nas políticas voltadas ao esporte feminino. A exclusão de atletas transexuais é a única menção ao esporte feminino no programa do candidato do PL, enquanto o plano do candidato do PT amplia programas estruturantes e destaca a realização da Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2027 no Brasil. (Notícia publicada em 20/10/2026.)
Desenvolvimento: propostas, números e trechos dos programas
Os planos associam esporte e educação, mas com ênfases distintas. No material do candidato do PL, o esporte aparece sobretudo como ferramenta para a formação de jovens, ligada à segurança e à disciplina, com propostas como a abertura das escolas nos períodos de recesso por meio do programa Escola nas Férias. O documento do PL também trata de aperfeiçoamento de bolsas para atletas de alto rendimento em parceria com a iniciativa privada, sem mencionar o programa Bolsa Atleta — que, em 2026, teve o valor reajustado e contemplou 11 mil atletas, o maior número da história do benefício.
“Preparar uma família para a vida (…) envolve o esporte, que tira o jovem da rua e ensina o que a sala de aula sozinha não ensina. Tudo isso faz parte do que é necessário para uma família subir na vida pelo próprio esforço”, diz o programa do candidato do PL.
O plano do candidato do PT vê o esporte como vetor de transformação social, expressão cultural e área econômica estratégica. Entre as ações previstas estão a continuidade e ampliação do Plano Nacional do Esporte (PNEsporte), obras de infraestrutura por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), e o reconhecimento do potencial turístico e econômico do desporto. O programa petista também destaca a Universidade do Esporte, instituição de ensino superior aprovada na Câmara, que vai formar quadros técnicos e promover pesquisa e inovação no setor.
“Queremos um país que reconheça a cultura, a economia criativa, e o esporte como forças estratégicas do desenvolvimento nacional, capazes de gerar trabalho, renda, inovação, pertencimento, qualidade de vida e desenvolvimento em todos os territórios brasileiros”, afirma o programa do candidato do PT.
Sobre gestão de equipamentos e infraestrutura, o plano do PT traz como referência iniciativas realizadas no período 2023-2026, citando obras no âmbito do Novo PAC, a construção de centros esportivos em centenas de municípios e a manutenção de unidades do Arena Brasil. O documento aponta a gestão direta de equipamentos com parcerias entre União, estados e municípios e inclusão de organizações sociais e ONGs nas atividades e atendimento.
O PL, por sua vez, prioriza a conexão entre esporte e educação integral, incluindo artes e literatura, e descreve o esporte como instrumento de liberdade individual e formação de caráter. No mesmo programa, há uma referência específica à exclusão de atletas transexuais no âmbito do esporte feminino; essa é a única menção direcionada a políticas para mulheres no documento do PL, enquanto o plano do PT enfatiza as mulheres como protagonistas e anuncia investimentos para a realização da Copa do Mundo de Futebol Feminino em 2027, com atuação em oito capitais brasileiras e estímulo ao potencial turístico do evento.
“O esporte é uma das ferramentas mais poderosas que existem para formar um jovem, e uma das mais desperdiçadas pelo poder público. Ele ensina disciplina, resiliência, trabalho em equipe e mérito, tira a criança da rua e do celular, dá saúde ao corpo e à mente”, ressalta o programa do candidato do PL.
Contexto regional e outros indicativos do calendário esportivo
Na perspectiva regional, a pauta esportiva nacional convive com calendário e competições locais que mobilizam o Nordeste. Entre reportagens e coberturas recentes estão resultados e eventos que desenham o cenário esportivo da região e do país:
- River-PI 3 x 0 Flamengo-PI — resultado da final (volta) do Campeonato Piauiense Série B de 2026, que apontou o River-PI como campeão.
- Brasil, campeão da Copa das Nações de Futsal — destaque em competições internacionais que influenciam programação e visibilidade do futsal no país.
- Mogi das Cruzes — cidade que recebe jogos das quartas de final da Liga Sul-Americana de Basquete, evento com impacto na organização de calendários regionais.
- Campeonato Pernambucano 2026/2027 — sequência de jogos estaduais, como América-PE x Íbis, que mantêm o movimento do futebol local e a formação de atletas em categorias estaduais.
Esses indicadores mostram a convivência entre políticas nacionais e a rotina competitiva dos estados do Nordeste, onde campeonatos locais e programas de base mantêm a cadeia produtiva do esporte. Políticas federais de bolsa, infraestrutura e gestão impactam diretamente clubes, federações e atletas da região.
O que está em jogo e o próximo passo
Na disputa pelo segundo turno, estão em jogo decisões sobre continuidade ou mudança de programas que afetam desde a formação de base até o alto rendimento: a manutenção e o aperfeiçoamento de bolsas, a gestão e operação de equipamentos públicos, investimentos em infraestrutura e a condução de grandes eventos como a Copa do Mundo Feminina de 2027. A maneira como cada proposta trata o esporte feminino, infraestrutura e parcerias privadas versus gestão pública pode alterar o desenho de apoio institucional a atletas, clubes e projetos sociais em todo o país, inclusive no Nordeste.
O próximo passo imediato será a incorporação dessas propostas ao debate público durante o segundo turno e a definição de prioridades pelo governo que assumir a Presidência, com impacto direto sobre programas já em curso, como o PNEsporte, o Bolsa Atleta e iniciativas de infraestrutura mencionadas nos planos.
Para o eleitor interessado em esporte, ficam questões centrais: como conciliar políticas para alto rendimento e formação de base; que modelo de gestão será adotado para equipamentos públicos; e de que forma será garantida a participação e a visibilidade do esporte feminino, em particular diante do calendário que terá em 2027 a Copa do Mundo de Futebol Feminino no Brasil.
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